O Economista Português parabeniza o Dr. Durão Barroso e a Seleção nacional

 DurãoJogadorDaSeleção

Portugueses conquistaram há dias distinções europeias contra a propaganda europeia: sexta feira, o Dr. Durão Barroso foi escolhido para presidente não executivo do Goldman Sachs Europa e ontem a seleção nacional de futebol  ganhou o euro. Os futebolistas foram alvo de campanhas execráveis na imprensa e na televisão da França e o Dr. Durão Barroso foi alvo de ataques vergonhosos na política económica de Portugal.

Por razões óbvias,   O Economista Português tratará apenas de Barroso. Foi escolhido para um cargo importante, o que talvez nos seja benéfico e nunca nos será prejudicial (outros que não ele talvez nos prejudicassem nas escolhas futuras  do Goldman Sachs Europa).

Porque  atacaríamos Barroso? Terá ele cometido alguma falta ? «A ida de Durão Barroso para a Goldman Sachs envergonha o país», afirmou a Srª D. Catarina Martins, que logo de seguida esclareceu: «não envergonha mais do que a cimeira das Lajes» Isto é: Barroso envergonha o país como o envergonham todos os portugueses que não pagam cota ao Bloco de Esquerda. A Vichinsky portuguesa confessa que a nomeação é mero pretexto para um ataque pessoal. Martins cita o relatório Chilcot, sobre a guerra no Iraque, mete à conta de criminosos de guerra todos os dirigentes da NATO e sentencia: «os crimes de guerra não devem ficar impunes». Será que propõe Volksgerichte hitlerianos ou tribunais  do povo soviético para tratar desses criminosos, ou simples beneficiários de medidas de segurança?  Que papel terá nesse tribunal o Dr. António Costa? E o Doutor Louçã, nos tempos da outra senhora tão lesto a criticar a hipocrisia do poder?  E o Sr. Jerónimo de Sousa? Mandarão todos o Dr. Barroso para uma UCP da Reforma Agrária no Alentejo como trabalhador manual? O Dr. Jorge Sampaio, cúmplice menor do massacre do Iraque, mas cúmplice aos olhos do Doutor Louçã, será condenado a porteiro vitalício da mesma UCP, sem direito a Internet nem outros contactos com o exterior?

A imprensa séria leva a sério estas acusações. O Diário de Notícias¸ um jornal que procura distinguir a opinião da informação, titulou assim sábado passado: «Políticos franceses criticam ida de Durão Barroso para a Goldman Sachs». Quem se desse ao incómodo de ler o texto da notícia, veria que se tratava de políticos franceses mas exclusivamente socialistas (a cor oposta à do Dr. Barroso, o que o título omitia) um dos quais reconhecia expressamente que o acusado não violara nenhum lei da querida União Europeia. O Público  sentenciava que os prazos desta leis «são considerados insuficientes». São? Por quem? Pelo Público não, que nos deixou votar nas Europeias sem nos alertar para esse horrendo pecado. O Público acrescenta a estes argumentos a demonologia  do Goldman Sachs (a web está inundada de teorias conspiratórias assinadas pelo filho do Soldado Desconhecido sobre esse banco cujo denominação social sugere origens judaicas) e procede ao branqueamento desses ataques anónimos e racistas. Para quando uma edição anotada do Protocolo dos Sábios do Sião  de compra recomendada para quem votar contra os editoriais do  Público?

O leitor reparou na elevação espiritual da nossa imprensa? Nenhum dos seus ataques lembra nem de perto nem de longe que o Dr Barroso ganhará imenso dinheiro, e por isso nenhum leitor suporá jamais que os editorialistas e cripto-editorialistas têm inveja dele. São vestais puras como as guardiãs do Capitólio – e infelizmente ainda mais distraídas do que elas.

Os que assim acusavam o Dr. Barroso, passaram-se a si mesmos certificados de burro. Deviam elogiá-lo e não criticarem-no. Ou estarem calados, se tivessem dois dedos de sensatez e um ligeiro défice de língua.

O Economista Português continua a considerar erradas e prejudiciais para nós as teorias do federalismo assimétrico defendidas pelo Dr. Durão Barroso e que ele promete continuar a defender (é mesmo para isso que foi contratado). Mas isso nada tem a ver nem com a honorabilidade dele nem com a sua liberdade de escolha de emprego, nos limites da lei em vigor para a classe política. O gesto do Dr. Barroso foi elegante? O Economista Português  sugere que ele tomou a decisão de aceitar depois de ter lido atentamente a contribuição de Eça de Queirós para o In Memoriam de Antero do Quental: «Fomos a concursos».

Os comentários estão fechados.