Sanções: A nossa Classe política não sabe Negociar com Bruxelas/Berlim e O Economista Português ensina-lhe 4 regras simples

UEBandeias

A tropelia  das sanções da União Europeia (UE) a Portugal mostrou uma vez mais a incompetência da nossa classe política, em particular no capítulo das relações com os nossos tutores transpirenaicos: todos vimos que acreditava que conseguia anular as sanções e agora mendiga sanções simbólicas.

O Economista Português explica-lhe quatro regras simples para negociar com Bruxelas-Berlim:

  • Seguir a ordem de trabalhos: ontem, um alto responsável português respondeu que Berlim-Bruxelas não tem que se queixar pois a nossa execução orçamental corre como previsto (pela leitura dos jornais de hoje, sabemos que esse alto personagem foi induzido em erro pelo governo das esquerdas orçamentais). Esta resposta atira para fora de campo. É certo que a execução orçamental corre como previsto, mas a questão é outra: o cumprimento orçamental responde ao critério clássico do défice (em proporção das receitas) mas o que está em causa é o défice em proporção do PIB; ora as previsões do nosso PIB mandam-no baixar e por isso, sem medidas adicionais, o mesmo défice em euros subirá em percentagem, violando assim a «regra de ouro» que o PS subscreveu com alacridade. Para um europeu transpirenaico, para o Uezinho banal, este género de argumentos revela  ignorância ou má fé e suscita  imediata reação de rejeição;
  • Respeitar as regras do jogo: qualquer Uezinho normal esperava a resposta que a Espanha acabou de dar > como respeita as regras do jogo, vai mexer no IRC, para diminuir já o défice. Linda menina, está a dizer o Uezinho. Nós brincamos ao nobre castelhano: temos a certeza de ter razão, exigimos que no-la reconheçam e não negociamos; há umas semanas, o ator do Monicelli, que gere as Finanças nacionais, gabou-se que ia «explicar» a verdade à Comissão bruxelina e vemos hoje o resultado desta exemplar e justificadissima modéstia. Pôs-nos a esmolar.
  • Agir de boa fé: a política (e as relações pessoais) gozam no nossos país de um grau de má-fé dificilmente imaginável para lá dos Pirinéus. A maioria da nossa classe política sofre de um lamentável complexo de superioridade, que nada justifica, e julga-se no direito divino de indrominar os nossos parceiros europeus com duas ou três balelas ou mesmo mentiras puras e simples (e sem ser  capaz  de atingir o tipo de má fé secundário, adequado à fase atual do Estado de Direito Democrático, prevalecente entre os nossos credores). É a compensação imaginária de uma inferioridade social real. Os resultados estão à vista.
  • Manter consensos institucionais. O Governo das esquerdas já nasceu sob suspeita constitucional transpirenaica. O Dr. António Costa teve por bem agravá-la, vociferando que o défice de 2015 vem  do PSD (esquecendo que já governou  em 2015) e o PSD está certo que foi para o comprometer que o governo  geriu mal o processo de sanções (o que roça o absurdo). Estas peixeiradas são inconcebíveis para o Uezinho de base que, ao ouvi-las,  desqualifica os seus autores.

«Quem chega a Portugal num primeiro momento pode acreditar que não abandonou a Europa civilizada» mas quem lá volta verifica que tal ideia é «uma ilusão inconcebível», escreveu a Madame Rattazzi, uma neta de Luciano Bonaparte, no seu célebre  livro  Portugal à Vol d’Oiseau,  começo da segunda carta. Este livro data de 1878. À época, as conclusões da  Rattazzi, por razões óbvias para o leitor, revoltaram numerosos e ilustrérrimos portugueses. Infelizmente mantêm-se válidas.

Os comentários estão fechados.