Caso Durão Barroso: um Socialista discorda d’ O Economista Português

 

HarlemDésir

Harlem Désir,  um delinquente de direito comum francês, ataca Barroso e Portugal

Um socialista sério, inteligente e que não deixou a cabeça no bengaleiro partidário, disse ontem a’ O Economista Português que discordava do post consagrado ao caodo do antigo presidente da Comissão bruxelina. Da conversa emergiram três críticas ponderosas: Barroso é carreirista, só pensa na sua carreira; o seu emprego no Goldman Sachs Europa  será de lobista e não de banqueiro; vai trabalhar para o Goldman Sach. Examinemos rapidamente estas três censuras:

  • Barroso é carreirista: O Economista Português não se pronunciou a esse respeito, que extravasa o seu mandato. Aliás, o argumento demonstra demais: o já foi usado para explicar a atual fórmula de governo português pelo carreirismo   atribuído ao Sr. Primeiro Ministro. Este blog Não analisa a melhor forma de exercer a vos mandatos políticos. Neste campo, nunca foi mais longe do que sugerir um governo de união sagrada. O Economista Português analisa se um dado comportamento económico (e político-económico) é imoral, é ilegal ou é mau para a nossa economia. O comportamento de Barroso (ou de Costa),  obviamente discutível, não entra em nenhuma destas categorias.  Na política portuguesa, quem tem autoridade moral para acusar Barroso – ou, já agora, Costa?
  • Barroso será lobista e não banqueiro: talvez, embora tenha alguma experiência de banca; para o caso é indiferente. A profissão de lobista , ao que sabe, é legal. A questão real é outra: o sistema política português tem alguma capacidade de se defender de lobistas? A resposta é: não tem. A classe política recusa-lhe essa capacidade. Insultar injustamente o Dr. Durão Barroso apenas serve para esconder esta falha do sistema..
  • Barroso entra ao serviço do Goldman Sachs: o argumento da demonização deste banco não é novo. Mas, na boca de um socialista, ainda que sensato quanto à eficácia do capitalismo para produzir bens e serviços, tem um ressaibo de amanhãs que cantam: o PS admite viver com o Goldman Sachs, compreende que ele contribui para o crescimento da economia mundial, ou afinal não o aceita, por ser o epítome do capitalismo e logo mau, preferindo um sistema mundial de banca nacionalizada? Não adianta dizer que o Goldman é mau e só aceitamos os bancos bons: não essas  as regras do jogo e os únicos bancos bons são os que vemos ao longe.

Ontem também, o Dr. Durão Barroso foi declarado vergonha da Europa pelo Sr. Harlem Désir, secretário de Estado dos Assuntos Europeus do governo francês.Este caso é em absoluto diferente do anterior.  O Sr. Désir é um delinquente de direito comum,   condenado por um tribunal francês por ter vivido cerca de um ano de um emprego fictício pago pelo contribuinte, que o delinquente aproveitou para desenvolver trabalho partidário. As suas palavras não merecem o menor crédito moral nem político. Repete agora a confusão entre o Estado e o partido que o levou a essa condenação. O Sr. Désir considera que o seu caso dignifica a Europa, e o do Dr. Barroso, que respeitou a lei, a envergonha. São critérios. O Sr. Désir reconheceu também que o Dr. Barroso respeitou todas as leis europeias e  implora agora a mudança delas. Mas nada fez nesse sentido. O leitor imagina porquê: se o Sr. Désir atacar o Sr. Juncker, o principal artífice  da evasão fiscal legal na União Europeia, a Comissão bruxelina, presidida pelo dito senhor, não perdoará o défice da França e aplicar-lhe-à as multas que o dito delinquente apoia… contra o nosso país. Terá o ataque do Sr. Désir algo a ver com a derrota da França no Euro? Teria ele alguém para colocar no Golden Sachs? Ou servirá para tentar limpar a França da triste figura que está a desempenhar no caso da multa portuguesa? Convém ter em conta que só com dificuldade o caso Barroso será considerado a prioridade do governo francês, em manifesta pré-implosão, desde que o ministro das Finanças, o popular Sr. Macron, iniciou ontem um movimento político   alternativo a Hollande e  o Sr. Valls não consegue demiti-lo.

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