Multa da UE: a Incompetência da nossa Classe Política

MárioCenteno

Doutor Centeno: pediu aos nossos credores europeus  para financiarem os comunistas portugueses

A União Europeia (UE) já decidiu multar o nosso país, por incumprimento das metas do défice, mas ainda não fixou a multa. Sábado passado, a agência Lusa e a televisão SIC anunciaram que  a Comissão bruxelina já decidira que a multa era a suspensão dos fundos estruturais. O governo, os seus partidos, talvez a oposição reagiriam com patriotismo económico, mas revelaram a sua total incompetência. Na realidade, a Comissão nada decidira: o seu vice-presidente escrevera  ao presidente do Parlamento  de Estrasburgo-Bruxelas listando todos os fundos estruturais de que o nosso país beneficiava, mas sem propor nenhuma multa.

A incompetência mais grave é a do Sr. Primeiro Ministro, por razão de estado: revela que ele não conhece o estado do processo da multa europeia e revela mais que não nomeou um Sr. União europeia que a qualquer momento o esclareça sobre a problemática bruxelina. É uma mistura perigosa de desconhecimento pessoal e desgoverno organizacional.

A incompetência da nossa classe política revelou-se de seguida  nas respostas que recomendaram à suposta multa: os principais responsáveis governamentais quiseram retaliar contra Bruxelas. As principais reações foram as seguintes:

  • O Sr. Primeiro Ministro ameaçar a Comissão com o tribunal; « Quando temos razão no plano legal não há nada a temer»
  • A Srª D. Catarina Martins acusou «o fanatismo e a completa irresponsabilidade» da Comissão
  • O Sr. Jerónimo de Sousa propôs «a rejeição pelo governo português, de forma firme e decidida» das eventuais sanções.

A velada ameaça do Sr. Primeiro Ministro é um inofensivo bluff. Os outros dois chefes políticos da maioria nem blafar conseguem, limitaram-se a pronunciar frases fraseantes. Todos quiseram um desforço e todos falharam.  A cena lembra o check in no hotel de Port-Said, n’A Capital, de Eça de Queirós.  O Doutor Topsius assina primeiro e autoqualifica-se de «sábio da Alemanha imperial». Segue-se-lhe o Raposão, que farto das arrogâncias do professor teutónico, avia-lhe logo um desforço e apõe ao seu nome modesto: «português de aquém e além mar». O Economista Português, que citou Eça de memória,  louva o patriotismo económico de Costa, Martins e Sousa mas tem que lamentar-lhes a incompetência.

Como vem a talho da foice, que ceifa a incompetência, assinale-se a carta do Doutor Mário Centeno  reclamando contra a decisão das sanções: nunca escreve que cumprimos quando deveria ter incluído uma frase do tipo «embora esteja politicamente fechada a questão do incumprimento da meta do défice, queremos afirmar que do ponto de vista moral consideramos a questão em aberto e reafirmamos ter cumprido e estarmos dispostos às pertinentes peritagens técnicas». Esta omissão já é lamentável. O pior é o ministro argumentar que os portugueses não compreenderiam a multa. A ideia era ameaçar os nossos credores   mas nas instância da UE a chantagem é servida em estilo diferente do dos bares de alterne e por isso os seus destinatários  entendê-la-ão como um pedido aos banqueiros para financiarem os comunistas portugueses, a mais cara clientela  do Sr. Ministro. Rir-se-ão muito da ideia (nunca ninguém padecera do descoco de lhes pedir para financiarem um ou dois partidos comunistas) e serão tentados a multarem…. a sério um infrator confesso e desajuizado.

Ainda mais patriotismo económico e um pouco mais de competência, meus senhores, para não ficarmos sem fundos europeus e para não nos tornarmos a gargalhada da UE.

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