Relatório parlamentar sobre o BANIF: Tentativa de Branqueamento

 

MarianaMortágua

Drª Mariana Mortágua: um dos mais tristes casos de corrupção política dos últimos anos

O relatório preliminar do parlamento  sobre o BANIF foi anteontem anunciado e resumido na imprensa. Mas continua escondido dos olhos do cidadão comum. Só os deputados da comissão o conhecem. O Economista Português não teve acesso a ele. Amanhã será votado e assim enterrado no panteão dos inquéritos de S. Bento. Esperemos então que seja disponibilizado para os leitores curiosos, que procederão à sua  autópsia.

Pelo que foi filtrado para a imprensa, o relatório é uma tentativa de branqueamento da ação do atual governo. Há referências a ter criticado «toda a gente», mas esta inflação sugere que no fundo não beliscou ninguém. Quem o escreve, aliás, nem terá lido o relatório preliminar. Para lhe poupar maçadas, o relator, um ilustre socialista, o Dr. Eurico Brilhante Dias,  vai mesmo ao ponto de declarar que a notícia da TVI , precipitando a corrida aos depósitos,  «não determinou a resolução do BANIF».  Quem escreve assim não é gago!!! De uma penada, resolve um dos mais  complexos problemas da finança, da moral e do direito. O relatório, porém, manda averiguar esta notícia (mesmo quando ela já foi averiguada, como é o caso da ERC). Aliás, o relatório  manda todos (Procuradoria, ERC, etc) averiguarem  tudo sobre o BANIF, sem hesitar em os tratar de amáveis tolinhos.  É pena que o sábio Dr. Eurico Brilhante Dias nada tenha averiguado.

Na dimensão do inquérito propriamente dito, o relatório preliminar é substituível pela leitura de qualquer jornal diário. O Economista Português tem mesmo dúvidas se o relator leu o seu mandato: das dezasseis recomendação, apenas uma é relativa ao BANIF  e tem por objeto  «O Acompanhamento da Oitante, SA e da Situação Laboral dos Trabalhadores». O Dr. Brilhante Dias não reparou por certo que no caso BANIF há suspeitas de corrupção do lado português e que o governo das esquerdas relançou a suspeita de corrupção sobre a Comissão de Bruxelas; o sr. relator julgou por certo estar a inquirir sobre a situação social dos bancários. O Dr. Brilhante Dias parece estar persuadido que foi incumbido de proceder a um check up da finança mundial e da portuguesa; por isso, só repetindo sobre o BANIF banalidades de base , prodigaliza conselhos a Wall Street, à Reserva Federal dos Estados Unidos, ao Banco Central Europeu, a todos os bancos, aos supervisores de ROCs, de bancos, de literacia financeira, e  Santa Quitéria de Meca sabe quem mais. Com toda esta consultadoria dada de bandeja prateada e com exorbitante modéstia a um mundo ignorante, que não sabia viver sem ela, o relatório preliminar é em absoluto incapaz de propor uma narrativa convincente do caso  BANIF, que racionalize os versos de pé quebrado que o Doutor Centeno lhe consagrou,  e  esta falta, por contraste  com a óbvia vontade perdoatória do relator preliminar, agrava a situação do governo em funções.  Relator preliminar porque o relatório é preliminar e não por o Dr. Eurico Brilhante Dias ser preliminar, por ter que se limpar perante a nova gerência do PS de ter sido cabo de manobra económico-financeira do Dr. António José Seguro.

O presente relatório contribui poderosamente para o descrédito deontológico do regime que «felizmente nos rege». Neste descrédito tem lugar de destaque a reviravolta da deputada Drª Mariana Mortágua, do Bloco de Esquerda. O leitor lembra-se dela no inquérito parlamentar ao caso BES, esforçando-se por averiguar a verdade material? Ninguém deu por ela neste inquérito, louva o inquérito branqueador do governo e acusa … Bruxelas. Prova assim a sua inocência, pois não percebe que o governo das esquerdas mendiga a sua salvação à Comissão que neste preciso momento dimensiona a multa que aplicará ao país dirigido pelo governo que num certo sentido beneficia do apoio da Drª Mariana Mortágua. Ela personaliza um dos mais chocantes casos de corrupção política dos últimos anos no nosso país: ao entrar na maioria governativa, mudou de atitude cívica e baixou até ao zero o seu grau de exigência moral, ela que fora a grande Pasionaria que, com meneios de justiceira, pedira a cabeça e a carteira do Dr. Ricardo Salgado. O leitor terá por certo um pensamento equânime para a deputada Drª Mariana Mortágua, quando o Bloco de Esquerda o insultar e lhe tentar dar lições éticas, em nome da moral proletária ou lá do que é.

Krokodil

Krokodil, uma revista humorística da era soviética, aqui chamada a salvar um deputado comunista

Sempre em relação ao relatório preliminar, o PCP manifesta um pouco mais de vergonha.  O deputado Dr. Miguel Tiago acusa  o governo das esquerdas : sofre de «hipocrisia».  Este recurso ao vocábulo favorito do Doutor Francisco Louçã, quando se candidatava a Trotsky dos kulakes lusos, sugere porém que o PCP veste um manto diáfano de fantasia para esconder a nudez forte da vontade de não combater. Como o PCP  venerava a defunta União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), O Economista Português  permite-se ilustrar este ponto com recurso a uma das últimas anedotas soviéticas. Caiu em sorte de uma professora primária russa  ter na sua turma o neto de Leonid Brejnev, o todo poderoso secretário geral do PC da URSS. Um  dia a docente perguntou à turma: «Que é um crocodilo?» O Brejnev netinho levantou o dedito e disse logo, sem esperar pela habitual ajuda: «É um passarinho». Ternurenta criança, já de pequerrucha cheia daquela autoconfiança que aprimorava o encanto do herói soviético no tempo do realismo socialista. Diga-se de passagem que Krocodil  era o título de uma revista humorística que o comunismo russo tolerou até ao seu fim. Terá sido na revista que pensou a pobre docente naquele momento tão empenhativo? Tinha que escolher entre a mentira e férias forçadas na Sibéria, cujos campos de concentração estavam então a ser modernizados com a ajuda da psicologia behaviorista. Este pensamento concentrou-lhe o espírito e, espalmando a mão direita, sobre a mesa,  deslizando-a rente ao tampo, e depois descaindo, até  deslizar sobre ele, com modos crocodilescos, disse para toda a turma: «Tens razão Leonidezinho, o crocodilo é um passarinho mas voa muito baixinho». O Dr. Miguel Tiago voou baixinho. Como a vida política não é uma completa anedota, é duvidoso que  no caso o eficiente deputado comunista tenha o feliz destino daquela professora primária russa. Faltou-lhe o Krokodil. Veremos amanhã se se desmarca do despudor político da Drª Mariana Mortágua.

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A principal fonte do post acima foi:

http://www.jornaldenegocios.pt/empresas/banca___financas/detalhe/as_16_recomendacoes_da_comissao_de_inquerito_ao_banif.html

2 responses to “Relatório parlamentar sobre o BANIF: Tentativa de Branqueamento

  1. Aqui na farmacia ao pé de mim ainda tem Compensan se te sentires mal já sabes.!

  2. O= ~Economista Português apoia os desabafos mas não propagandeia marcas de medicamentos