Andanças: Há Seguros em Portugal?

AndançasCarrosqueimados

O maior massacre de automóveis da Europa Ocidental foi anteontem em Castelo de Vide

Um festival de danças tradicionais, que se realiza todos os anos em Castelo de Vide, com o nome de Andanças, montou um parque de estacionamento no qual arderam anteontem 422 automóveis, segundo informa a imprensa. A organização do festival afirma ter um seguro que cobre os riscos totais, mas a seguradora do festival declarou duvidar desta afirmação. O que não surpreende: a causa do evento ainda é desconhecida.

Este incêndio suscita algumas dúvidas:

  • As autoridades municipais de segurança autorizam parques automóveis sem nenhum vigilância nem assistência contra incêndios? A de Castelo de Vide autorizou? Será que as atuais e minúsculas câmaras municipais têm capacidade técnica para enfrentarem os desafios que se lhes colocam? O Estado não fiscaliza nem incentiva?
  • Que medidas preventivas tomaram tomaram no caso as Autoridades locais de Proteção Civil? Os bombeiros locais inspecionaram? Lançaram algum alerta prévio?
  • Será que uma seguradora portuguesa cobriu o risco de um festival sem ter examinado os parques de automóveis que o cercavam?  Será que adicionalmente cobriu o risco desses parques sem os ter examinado? A seguradora enviou lá algum fiscal? Ao colocar estas perguntas, O Economista Português recordou-se que a indústria portuguesa de seguro era a menos lucrativa da OCDE, da última vez  que consultou esse ranking.
  • Que se passa? Quem tem direito a ser indemnizado? Os donos dos carros, mesmo sem seguro de danos próprios?  Se sim, ao abrigo de que seguro? E com o dinheiro de quem? Ninguém sabe. O Economista Português já ouviu num meio de comunicação social que os prejuízos se elevavam a cinco milhões de euros, o que equivale a avaliar em cerca de doze mil euros cada carro ardido. Esta avaliação é uma brincadeira de mau gosto, sabendo nós a preferência dos «chaços velhos» por estes festivais  e a média etária e de cilindrada do parque automóvel português. Este tipo de boato mediático não é ingénuo, tem um fito:  destina-se a sacar dinheiro às companhias de seguro ou ao contribuinte.  Será que há uma autoridade reguladora dos seguros? No papel há, leva agora o nome barroco de Autoridade de Supervisão de Seguros e de Fundos de Pensões. Está calada que nem um rato. Deve ter ido de férias. A Associação Portuguesa de Seguradores disse palavras sensatas mas que não substituem a pomposa mas estatal  Autoridade de Supervisão de Seguros e de Fundos de Pensões. O seu silêncio ajuda a multiplicar a insegurança pública, a má reputação das companhias de seguros , assim como o risco de irem ao bolso dos cidadãos para indemnizar os festivaleiros  – e os seguros, que deveriam ser um dos núcleos organizadores da poupança portuguesa e da recuperação da nossa economia,  voltam a ser remetidos para as trapalhadas do costume.
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