Imposto sobre a propriedade: O PS converte-se ao socialismo da miséria?

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O PS prepara-se para credibilizar a anedota?

O Bloco de Esquerda está em perda nas sondagens e resolveu apresentar uma proposta para recuperar eleitoralmente:  quer que o PS «perca a vergonha» e vá buscar  o dinheiro onde ele está. Para isso propõe-se criar mais um imposto sobre o património, que incidirá sobre prédios a partir de um certo valor. Fala-se  números equivalente aos de um bom apartamento nas Avenidas Novas, que passará a ser o limite de riqueza consentido. Os impostos sobre o património são uma forma de confisco e conduzem ao comunismo de Estado: quando a taxa do IMI for de 100%, o proprietário será a Câmara Municipal. Quando a taxa é menor, o confisco demora mais tempo. Todos os partidos socialistas democráticos tributam o rendimento (com crescente moderação) e recusam tributar o capital. Perceberam que só perdem se matarem a galinha dos ovos de ouro. A «galinha dos ovos de ouro» é o capitalismo. Os socialistas modernos, com as limitações impostas pela globalização, procuram distribuir os ovos a favor favor dos assalariados.

O Partido Socialista resolveu levar a sério  a proposta de socialismo de miséria apresentada pela Bloco de Esquerda.  A questão transcende a questão da atual relação de forças parlamentar e projeta-se no futuro de uma geração. Se o PS tributar o património regressará ao caminho revolucionário e ao socialismo da miséria.  Os grandes partidos socialistas europeus sofreram de hesitações semelhantes às que hoje movem os nossos socialistas.  Só que as resolveram há muito. Os socialistas alemães renunciaram em 1959 à socialização dos meios de produção no congresso de Bade-Godesberg. Os Trabalhistas britânicos viveram décadas a violar os princípios  de tudo nacionalizarem, constantes da célebre «cláusula 4» dos seus estatutos,  e acabaram por a abolir em 1995, já com Tony Blair – mas há meses foram acometidos por uma nova panca, personificada no Sr. Corbyn. Depois da queda do comunismo russo, os comunistas italianos tornaram-se de um dia para o outro Partido Democrático. Cá por casa, julgava-se a questão resolvida pelos socialistas pois nos anos 1970, Mário Soares foi um precursor europeu da renúncia ao socialismo  da miséria, que também designou como a «albanização» do nosso país, pois a Albânia era então um pequeno país vegetando em autarquia económica devido à vitória de teses marxistas-leninistas.

Vemos hoje que afinal o PS não resolveu a questão e, num espasmo serôdio, não exclui trilhar um caminho que conduz  mais tarde ou mais cedo ao isolamento económico e à miséria. É que não há impostos sobre o património que não ataquem o investimento, nem diminuam a poupança nem agravem a crise da classe média. Se o PS se enganar desta vez, perderá por uma geração e, neste mundo liberalizado,  talvez dê lugar a um partido comparável aos liberais ingleses.

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