Universidade portuguesa: é melhor ser pobre do que bom aluno

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Desde o ano letivo de 2010-2011, o Estado não paga as bolsas de mérito aos alunos do ensino superior. O Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, responsável por estas bolsas,  afirmou que não tem orçamento para tudo e prefere pagar as bolsas de ação social, destinadas aos alunos mais carenciados, sejam ou não bons alunos. O leitor imagina o efeito estimulante que este comportamento tem sobre a propensão para o estudo dos universitários portugueses.

Talvez por isso as bolsas de mérito são atribuídas a um número irrisório de estudantes universitários portugueses: as  últimas a serem pagas, referentes a 20111/2012 beneficiaram 812 alunos. O número de estudantes universitários anda pelos 378 mil. O mérito é premiado em 0,2% dos estudantes.

As bolsas de mérito são pagas a alunos que obtenham aprovação em todas as «unidades curriculares» e tenham média de pelo  menos 16 valores.  Cada uma delas equivale a cinco salários mínimos nacionais. As bolsas de mérito são pagas a alunos abastados, desde que tenham boa nota, e as bolsas sociais a alunos desabonados, mesmo que tenham má nota. Por esta conta, o Estado deve cerca de oito milhões de euros.

O Ministério da Ciência encara assim a universidade como uma instituição de assistência social. Ninguém dúvida da necessidade bolsas de estudos para apoiar alunos de menores recursos económicos, desde que satisfaçam os requisitos académicos mínimos, mas sacrificar os melhores estudantes é sacrificar o futuro científico, técnico e económicos do nosso país.Condenar o mérito é uma política miserabilista que em breve nos custará cara. O Economista Português assinala que os governos tanto do PSD/PP com o do PS (e seus aliados PCP e BE) preferem sacrificar em absoluto os bons alunos, em benefício dos de menores rendimentos, ao invés de procurarem «distribuir o mal pelas aldeias», procurando um equilíbrio entre os sacrifícios exigidos aos bons alunos e aos alunos de menores recursos. Nenhum dos ministérios se esforçou (ou conseguiu) alcançar verba para premiar os bons alunos.

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A nossa fonte foi:

http://www.cmjornal.pt/sociedade/detalhe/estado-deve-8-milhoes-aos-melhores-alunos

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