Portugal e o Euro: o Brexit é uma Aula prática de Moeda

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O Economista Português defende que a integração no euro, à atual paridade desta divisa face ao dólar, encolherá a economia portuguesa. Este tese suscita reticências e sobretudo incompreensões. A moeda é difícil de perceber por quem não a estudou e a muitos economistas ignoram o seu funcionamento e efeitos, pois especializados numa folha de cálculo.

O Brexit é uma aula prática de economia monetária em tempo real que é dada a todos os portugueses.   O anúncio do Brexit provocou a desvalorização da libra esterlina (o Reino Unido nunca entrou no Euro e conservou a sua moeda). A seguir, trataremos apenas dos chamados efeitos alocativos, isto é é, na afetação dos fatores de produção, e não referiremos os efeitos distributivos, isto é, o modo como a mudança do valor externo da moeda (o câmbio) altera a distribuição de rendimentos entre diferentes grupos sociais. Esta desvalorização resulta de receios em relação ao conteúdo concreto que revestirá o Brexit. Tem porém efeitos positivos: as mercadorias e serviços britânicos embaratecem em relação aos do resto do mundo. Ir a este país sai mais barato, o que aumenta o turismo, e as mercadorias britânicas ficam mais baratas em termos de dólares, o que aumenta as exportações.

A nossa entrada no euro teve efeitos opostos: foi uma tremenda revalorização da moeda portuguesa face ao dólar. As nossas mercadorias e os serviços encareceram. Foi a época de fecho de empresas de pesca, agrícolas, industriais. Lembram-se disso os que têm mais 50 anos. Passar férias em Fortaleza passou a ser mais barato do que ir a Figueira de Castelo Rodrigo.  Aumentámos as importações, embaratecidas, e diminuímos as exportações, encarecidas. Enriquecemos 1% ao ano, pois a Alemanha achou que lhe valia a pena emprestar-nos dinheiro sem limites, aumentando aa nossa dívida (depois mudou de ideias).

Com o Brexit, o Reino Unido desvalorizou a sua moeda e aumenta a produção. Com o Euro, Portugal revalorizou a sua moeda e diminuiu (ou estagnou) a produção, endividando-se para sentir que enriquecia.

O texto que acabou de ler não é uma previsão sobre os efeitos do Brexit e não recomenda que Portugal saia (ou permaneça) no Euro: apenas sumaria os efeitos da mudança de câmbio sobre a oferta de bens e serviços em dois países, em dois momentos.

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