2º Debate Clinton-Trump: más Notícias para a Economia Mundial

trumpclintondebate2

O Economista Português  viu o segundo debate Clinton-Trump para saber se haveria novidades quanto à economia mundial em geral e à globalização em particular. A resposta é: não há.  O debate foi paroquial. Quando não havia ataques pessoais, havia política interna. Abundou o bacalhau a pataco (talvez mais dado por Clinton). O que é normal em qualquer país, mas perigoso na única potência mundial. Trump, o antiglobalização, voltou a atacar a NAFTA, mas não a revogará. Clinton, a internacionalista de Wall Street, mal   referiu   questões económicas e muito menos questões económicas internacionais. A globalização só entrou por via das questões de segurança, primeiro a segurança interna norte-americana, depois a do Médio Oriente: os Estados Unidos devem permitir a entrada sem vigilância de imigrantes islâmicos,   de religião ou de Estados falhados de maioria muçulmana?  A questão do Médio Oriente, melhor dito: da Síria, foi o único problema internacional discutido. Clinton, situacionista, como lhe é habitual, defendeu a política de aliança com a China e de ataque à Rússia, pressupondo que falar alto a Putin atemoriza Moscovo. Tem-se visto na Síria. Trump, contestatário  mas impreciso, defendeu um entendimento com a Rússia para gerir o mundo e atacou a China no plano comercial (o que parece estar a ficar moda, o FMI criticou-a há dois dias).

São más notícias para a economia mundial:

  • Os Estados Unidos nem sabem nem saberão nos próximos quatro anos o que querem da economia mundial.
  • Sem um mandato político saído destas eleições, não haverá aprofundamento da organização económica internacional, o que põe em perigo a globalização e agrava o risco de crises económicas;
  • A política antirrusa de Clinton é um perigo para a paz mundial – e, a partir de um certo nível de ameaça, não é boa para a economia.

*

Os dois candidatos falaram tão pouco de economia que O Economista Português teve tempo e alento para examinar o lado eleitoral do prélio. O debate decorreu no formato «town hall», ou reunião de cidadãos, em que públicos selecionados colocam perguntas, à compita com os jornalistas.  Os dois jornalistas, da CNN e da CBS, autorizaram que muitas vezes os dois minutos de Clinton tivessem bastantes mais segundos do que os de Trump, o que levou este a protestar. Trump  tinha que ganhar o debate, para sobreviver ao escândalo do video com as suas gabarolices sexuais de moço de 59 primaveras, e recuperou, contra-atacando. Tinha que ganhar e ganhou. O debate foi brutal, ao ponto de incomodar o público americano. A última pergunta do público foi a pedir a cada um dos candidatos para dizer uma amabilidade ao seu rival. Clinton  parecia narcotizada: quando Trump ameaçou prendê-la, nem reagiu. Mas voltou a ser ela quem melhor tricotou o debate embora Trump tenha ganho nos apartes e nos efeitos de surpresa. Os risos do público premiaram-no, ao contrário do debate anterior.  Os mass media mundiais, que são em geral hostis ao empresário-candidato, dão-lhe o empate o que significa reconhecerem-lhe a vitória. Vitorioso, não será forçado a desistir e já começou a disciplinar o Partido Republicano. Mas ganhou aos pontos. Talvez consiga estancar a perda de votos para Clinton, tal como é medida pelas sondagens, mas gastou o seu tempo a conquistar os eleitorados negro e hispano, descuidando a sua base, os WASPS (brancos anglo-saxónicos e protestantes). O terceiro e último debate promete ser um espetáculo a não perder (quarta-feira, 19 de outubro, à hora do costume). O formato será o do primeiro debate: perguntas só dos jornalistas, sobre seis blocos temáticos de quinze minutos cada.

Os comentários estão fechados.