Somos os menos Satisfeitos com a Vida

Satisfação com a vida numa escala de onze degraus, de 0 a 10, em em 2014-16 e 2007-8

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Nós portugueses somos os menos satisfeitos com a vida, mostra o quadro da Society at a Glance, da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económicos. Já éramos os mais insatisfeitos antes da crise da Lehman Bros., em 2008.  A crise não muda a nossa posição relativa.

Que valem estes resultados ? O Economista Português disponibiliza para o leitor uma anedota barroca que há várias décadas, num contexto bem diferente, lhe foi narrada pela escritora Agustina Bessa Luís. A anedota decorre nos salões  do Vaticano, ruante uma receção.  O cardeal da Cúria planeia deslocar-se à Península. Aproveita a ocasião para recolher informações de viagem. Atrai para um canto os cardeais português e espanhol, narra-lhas o seu propósito, e pergunta-lhes: «Há bons hotéis nas viosssas capitais?».  cardeal espanhol responde logo: «Madridtem atualmente os melhores hotéis do mundo, em todas as categorias: hotéis de luxxo, hotéis de charme, hotéis práticos, et j’ en passe». O cardeal da Cúria vira-se para o prelado protguês, esperando a resposta; encolhido, tartamudeia: «Há cada vez mais hotéis em Lisboa, mas sofrem da reputação de serem centros de prostituição e de droga. Se Vossa Eminência rpecuisisar, teremos muito gosto em lhe disponibilizar uma casa de família cristã, limpa e honesta». O  prelado pontifício fica surpreendido e pergunta a seguir se há museus de qualidade: em Madrid são os melhores do mundo, em Lisboa são cartos e oue stão em greve ou não carecem de verba para o papel higiénico. Esta anedota é longe e o padrão repete-se sempre>: para o cardeal espanhol Madrid é o melhordo mundo, e  e para o seu colega português Lisboa é uma Sodoma pobre. O prelado da cúria está impressionado e , a concluir o seu inquérito, diz  para ambos: «Deve ser difícil ser português!» Esta anedota permite interpretar as respostas dos cardeais imaginários e as sondagens de opinião acima recolhidas. Os portugueses sofrem, vivem mal., são os mais infelizes da OCDE.

Mas a anedota prossegue. Ao sentir o cardeal romano condoído com as desgraças portuguesas, o cardeal de Lisboa esfrega mãozinhas, como as esfregam os cardeais das anedotas de cardeais, e goza o seu momento de glória: «Saiba Vossa Eminência que o meu colega espanhol e eu próprio exagerámos um bocadinho». Continuando a usar a anedota para interpretar  a nossa posição da sondagem de opinião, diremos que os portugueses exageram, sabem bem que exageram, queixam-se de serem os piores mas rejubilam por estarem próximo do topo da tabella de bem estar (boas praias, boa comida, bom clima, ausência de crime, etc). A comparação é legítima: o cardeal romano conduz uma sondagem de opinião, comparável às da Gallup (só se que sem amosytra probabilística)..

Onde está a razão? Dizemos que somos os piores e acreditamos que somos os piores ou é manobra, como a do cardeal barroco? Ou acreditamos realmente que somos os menos satisfeitos da OCDE?  O leitor julgará. Porque a OCDE  (e a Gallup) não fornecem um índice de otimismo anterior à sondagem acima resumida

 

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