Imigrantes portugueses no Reino Unido: O nosso estranho silêncio

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O Reino Unido referendou o Brexit, a saída da União Europeia (UE). Essa saída afetará o nosso país e por maioria de razão os portugueses que imigraram para aquele país. Há dias, o Reino Unido optou pelo chamado «hard Brexit», a saída «dura» que na prática consiste em renunciar ao mercado único e às suas quatro liberdades de circulação (de mercadorias, de serviços, de capitais e de pessoas). Era previsível. O «Brexit duro» afeta-nos ainda mais, sobretudo às centenas de milhares de compatriotas nossos que trabalham naquele país. O caso foi noticiado com abundância.

Contudo, a classe política portuguesa ainda não teve uma palavra para nos defender, e em particular para defender aqueles imigrantes, nas futuras negociações sobre o brexit. O Economista Português sugere uma posição simples: faremos saber a Londres e aos nossos parceiros na UE que vetaremos qualquer acordo de saída do Reino Unido que não garanta os direitos dos imigrantes portugueses quer no período de transição, quer no período posterior à saída.

Não é justo demonizar nesta capítulo o Reino Unido. A Alemanha e a França dão liberdade de circulação aos turistas mas não aos portugueses que procuram emprego, recorrendo a diversos estratagemas legais, que O Economistas Português tem revelado. A semana passada, a Alemanha reforçou o arsenal anti-imigrante:  perdemos os benefícios da segurança social quando estivermos naquele país. O Reino Unido em matéria de emprego foi bem mais generoso do que os seus acusadores de hoje. Não devemos alinhar no coro de críticas hipócritas a Londres.

Como o leitor sabe, os Estados membros da UE gozam do direito de vetarem  tratados comerciais. Ainda há dias, a Comunidade da Valónia, uma das partes constituintes da Bélgica, vetou o acordo comercial com o Canadá, o que pelo direito interno daquele país impede o governo belga de o aprovar nas instâncias comunitárias.  Suspeita-se que esse veto seja um número para sindicato ver transpirenaico,  mas os valões estqabeleceram o precedente contemporâneo para o exercício do nosso veto, pois ninguém lhes contestou esse direito. Desde que ele seja preparado com tempo e com aliados. Na UE acordar tarde é derrota garantida.A diplomacia portuguesa já começou a trabalhar neste processo?

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