OE2017: começou a Caça ao Velhinho «pobre»

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Velhinho «pobre», agradecendo a atenção que recebe de todos os partidos políticos portugueses

A proposta de OE2017 esqueceu-se de aumentar as pensões mais baixas.  A Srª D. Catarina Martins, do Bloco de Esquerda, especializou-se na defesa da abolição rápida da sobretaxa ao IRS que ela, influenciada pelo conhecido economista prekeynesiano L. Lev Trotsky, considera afligir excessivamente os velhinhos «pobres» e mesmo os pobres sem serem velhinhos.  O CDS/PP entrou por essa brecha e pediu ontem ao Bloco e ao PCP, autonomeados defensores oficiosos dos ditos velhinhos «pobres», que votem a sua proposta de aumento dos ditos velhinhos «pobres». O PSD, foi repescar ao quarto-escuro  a Drª Maria Luís Albuquerque e também criticou o monopólio da defesa dos desvalidos autoatribuído pelas esquerdas orçamentais.  O ataque das direitas causou mossa, a avaliar pela veemência da reação do PS: Albuquerque teria revelado «descaramento sem limites». O Economista Português prefere não comentar esta alegação, para poupar ao leitor a longuíssima enumeração das promessas de aumentos nas pensões dos velhinhos «pobres», que têm sido produzidas pelos partidos de governo (da esquerda para a direita CDS/PP, BlocEsq, PSD, PS, PCP).

As esquerdas governamentais propõem-se hoje aprovar um orçamento para manter a pobreza (de crianças, crescidos ,velhinhos)  e, dado que não haverá dinheiro novo para redistribuir,  estimulam a caça eleitoral ao velhinho «pobre».  As esquerdas orçamentais dão os velhinhos «pobres»  às direitas e guardam para si as classes médias e as sindicalizadas inframédias,  ou seja, o que resta o antigo proletariado que andou anos e anos a tentar salvar-nos, ao que parece sem êxito. O problema, porém, é haver pessoas de idade que são mesmo pobres e escapam à retórica orçamental.

O PS revelou-se sem capacidade de reação, pois estava hipnotizado pelo o seu alter ego, o Bloco de Esquerda, com o qual negociava, à beira do abismo, um assunto decisivo para a nossa economia e para a alma pecaminosade Lev Trotsky: a tributação dos recibos verdes em sede de TSU. Por isso, nem se lembrou de responder à proposta do CDS/PP atacando-a no seu ponto fraco: falta-lhe a prova dos meios. Porque muitos beneficiários dessas pensões emigraram, e beneficiam de excelentes pensões francesas ou alemãs, ou vieram para Lisboa, e beneficiam de boas pensões portuguesas – que acumulam com as pensões miseráveis, agora agitadas para que lágrimas abundantes brotem dos nossos corações eleitorais (e nos levem a esquecer o aumento dos impostos que temos a pagar). Um certo número das pensões a aumentar compraram mesmo carros à sport, como o o que que vemos no topo do presente postO PS devia ter aceite a proposta, sujeita à prova de meios. Mas o canto da sereia bloquista perde-o (momentaneamente, esperemos).  O mais divertido é que, no caso das pensões de reforma, a prova dos meios consta do programa eleitoral do PS e todos os dirigentes deste partido esqueceram essa promessa.

Esquerdas e direitas concorrem em palavras à custa de quem é (ou supostamente é) pobre. Já estão marcadas as eleições ou devemos tudo isto apenas ao odor inebriante exalado da mesa do orçamento?

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