Acordo secreto França-Bruxelas: Balde de Água fria no Federalismo aborígene

oloboeocordeiro

«A razão do mais forte é sempre a melhor»,  escreve La Fontaine na fábula do lobo e o cordeiro, consagrada à posição dos pequenos países na União Europeia (ilustração de Oudry).

O Presidente Hollande, da França, revelou há dias a existência de um acordo secreto do seu país com a Comissão de Bruxelas, pelo qual esta se compromete a isentar aquele país da aplicação do Pacto de Estabilidade e Crescimento.  A revelação foi produzida no livro Un président ne devrait pas dire ça… (Un Presidente não devia dizer coisas dessas), uma longa e escandalosa entrevista conduzida por dois jornalistas de Le Monde, Gérard Davet e Fabrice Lhomme. A Comissão desmentiu o bastante para confirmar a notícia.

O acordo consiste em maquilhar as contas do Estado francês. A existência do acordo era conhecida, pois aquele pais tem violado por sistema os seus compromissos. O Economista Português já o tinha referido. A Alemanha apoia-o e disse à Comissão para ter juízo. Este ano já vimos o acordo a funcionar: a Comissão inventou que os défices franceses condenado pela «regra de ouro» tinham-se agravado ou estabilizado mas o défice estrutural melhorara,  o que impunha a aprovação das contas gaulesas. O défice estrutural é o «Catch 22» da «regra de ouro», é a regra secreta. Ninguém sabe como a Comissão o calcula.Por isso, ninguém o leva a sério no plano científico.

O Economista Português refere a ocorrência, um mero caso de polícia de costumes no coração do subEstado europeu, porque o nosso país continua a dormir, esperemos que não o sono eterno, e é incapaz de defender os seus interesses pois vive esmagado pela ciência e pela bondade de Bruxelas-Berlim.  Entre nós o assunto passou quase desapercebido, apesar de ocorrer em pleno debate de um orçamento que estrangula o nosso crescimento económico devido às regras que a França viola à vontade. O  Doutor Paulo Rangel, chefe do grupo parlamentar do PSD no Parlamento Europeu, perguntou se as declarações são exatas. Honra lhe seja. Mas ninguém acredita que a nossa classe política se interesse pela ninharia.  Se a conhecesse, teria que reagir contra Bruxelas-Berlim, e isso só lhe daria maçadas, sem nenhuma compensação previsível. A começar pelo seu próprio partido, que tem sido o constante  e estrénuo defensor da política monetária de Bruxelas-Berlim, uma política que é em absoluto nefasta à nossa economia.

 

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