«Solidez do sistema financeiro»: o «banco mau» agrava o Contribuinte, cria um Problema e desresponsabiliza o BCE

bancobombancomau

A imprensa volta a escrever sobre o rio do deserto que irrigará o nosso problema financeiro, o «banco mau», o redentor dos incobráveis da banca portuguesa, hoje em dia promovida a «sistema financeiro» da Pátria.

O banco mau voltou a ser apresentado como a solução à portuguesa para credibilizar o nosso sistema financeiro: uma nova árvore das patacas que, suavemente abanada, semeia euros.  Isto é: uma solução sem custos para ninguém e com vantagens para todos (banca, Estado e contribuintes). A ser assim, quem a recusaria? O Sr, Primeiro Ministro, que compreensivelmente quer resolver o problema, já se confessou favorável ao banco mau, em abril. O Economista Português pede a Deus que a tradiional incaacidade do Estado português o impeça  de «salvar» a banca. Expliquemo-nos.

Em primeiro lugar: o problema a resolver não existe e por isso a salvação é desnecessária.   A situação da banca está estabilizada, desde que o Banco Central Europeu (BCE) passou a ser um banco central europeu, e não apenas um banco para a zona Marco Alemão. Isto é: desde que o BCE passou a injetar dinheiro nas economias  europeias que dele necessitavam. Por isso, querer resolver o problema do mal parado da banca portuguesa é criar um problema: é o voluntarismo estatal português a isentar das suas  responsabilidades o BCE. O voluntarisnmo financeiro do semifalido é muito arriscado. Na realidade, o problema só existirá se deixar de haver Banco central Europeu.  Nessa altura (se houver essa altura) veremos.

Alguém acreditará que há um problema? Há meses, fomos ameaçados com o Armagedão se não deixássemos o ungido das nossas instituições salvar a Caixa Geral de Depósito (CGD), o ungido falhou e o fim do mundo parece longínquo. O mercado das ameaças catastróficas está em baixa e é com genuína compunção que O Economista Português reconhece esta dura verdade. A curto prazo a nossa banca não tem o menor problema e quando muito tê-lo-á a médio e longo prazo. Que problema é? A banca está mal porque financiou muitos prédios, que ficaram por vender devido à crise financeira de 2008. O construtor civil não pagou à banca, que ficou com o calote. O calote ganha agora o nome mais sofisticado de NPL (Non Performng Loans). Melhor: as banca portuguesa ficou mal porque não deixaram falir os piores e o porque durante vários anos a Alemanha impediu que houvesse um banco central europeu.

Qual é a solução inventada para o problema inexistente? É alguém comprar o crédito sem cobertura, o malparado. Quem compra e com que dinheiro? A que preço? Esses são os dois problemas. Soluções «milagrosas», sem custos concentrados e de curto prazo, só se mudarmos de moeda mas ninguém seriamente quer sair do Euro. Nem o doutor Ferreira do Amaral. As esquerdas anti Euro?  São pró Euro, desde que se sentaram à mesa do Orçamento. Por isso, não está disponível no mercado de soluções a «árvore das patacas».

O Governo nomeou um grupo de trabalho, com os suspeitos do costume, e passado um ano… nada aconteceu. Sabemos isso graças a uma notícia oficiosa no I on line que explica o (não) ocorrido: 1º não há uma ideia sobre o que deva ser o «bad bank»: 2º o Dr. Carlos Costa, o responsável do BdP (Banco Doutro País) ainda não calculou os calotes banco por banco.

Está aqui o busílis. O BdP não calculou os calotes? Basta ler os balanços dos bancos para calcular os NPL (calotes). Esta frase oficiosa quer dizer o seguinte: os bancos falsificam a sua contabilidade  sobrevalorizado os prédios invendáveis que enchem os ativos dos seus balanços e o Dr. Costa, Carlos, deve averiguar o valor «verdadeiro» desses monos. Isto é: acusa-os de vigaristas. Para? Para aumentar a nossa confiança neles, afirmam os salvadores ativistas. Assim não vamos lá. A banca  não quer piorar a sua situação ao ser hoje acusada de ter vigarizado os balanços e, sobre esta grave acusação, ficar pior com a promessa de ficar melhor no futuro. Acresce que são suspeitas destas que  lançam pânicos financeiros.

O preço dos ativos inativos será portanto esse. E quem o pagará? O contribuinte,que pagará  os impostos para comprar os prédios invendávesi aos bancos a um preço in ferior ao do balanço. O PCP já disse que se opunha mas, dada a sua conversão às delícias do capital financeiro, ninguém sabe o que vale essa  oposição.

O nosso Estado continua semifalido e não tem dinheiro para estas aventuras salvíficas. Nem tem dinheiro para endireitar a famosa CGD (a vaidade e a imprevidência financeira do Dr. Domingues têm-nos ajudado nesta poupança de tesouraria), quando mais para endireitar o resto. Mas porquê endireitar o resto? O resto vai andando. A banca não apoia a industria? Um dos argumentos para perdermos dinheiro do contribuinte na CGD e no «sistema financeiro» é… apoiarmos a indústria e quiçá a agricultura ou mesmo as pescas. A banca nunca apoiou a indústria. É triste dizê-lo, mas hoje nem se nota a falta desse apoio: no atual clima social de hostilidade à empresa privada, a indústria só investe se beneficiar de subsídio do Estado. Se quiserem ajudar a indústria, dar-se-ão à maçada de concretizar o Banco de Fomento, prometido pelo Dr. Passos Coelho e pela chancelarina Merkel. A indústria? Por favor, não tentem que choremos com a indústria. O ato supostamente salvador da banca agudizará os seus podres e evidenciá-los-á aos portugueses e ao mundo. Em vez de salvação, será a morte do doente. Por bem fazer, mal haver.

A solução é outra e já está em curso à frente de todos nós: consiste em países credores comprarem a banca portuguesa. Foram os angolanos, quando o petróleo estava alto. São os chineses. Porque não os indianos? Talvez a diplomacia portuguesa sirva algum objetivo útil, se  alguém lhe der orientações acertadas e atempadas. Se houver uma crise, o santo BCE nos salvará.  Um pais que deve cerca de cinco vezes o que produz por ano não pode ter o sonho voluntarista de, num ano, se tornar credor.

Neste transe, o governo devia meditar naquela anedota que passa por ser o epítome do conservadorismo: um político voluntarista diz ao conservador. «Isto está tão maus, temos que agir»-. O conservador retorque: «Então isto está tão mau e o meu amigo ainda quer agir?»  O governo pensa que a ação de salvação da banca será um êxito. Desvaloriza o risco do próprio processo de mudança social. O conservador tem razão exceto se se provar que o autor da reforma domina todas as variáveis do processo de mudança. Evoquemos um exemplo. Marcelo Caetano queria a democracia representativa e o fim da guerra colonial mas acabou exilado.  Porque não se colocou o problema de controlar as variáveis que afetavam a sua reforma (forças armadas, movimentos de libertação armados, aliados internacionais, entre outros).

Para mais, o governo está sem ministro das Finanças, como o triste episódio da CGD demonstra. Irá o Dr. Costa, António proceder gerir ele próprio a complexa operação de … salvamento de um náufrago que por enquanto está confortavelmente sentado no seu sofá?

*

Eis o endereço do artigo citado no textobadbank

Deixe uma Resposta

Please log in using one of these methods to post your comment:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s