Inovação: o Primeiro Ministro prefere-a aos baixos Salários e não revela como a conseguirá

 

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Fonte: http://www.nesta.org.uk/publications/creative-economy-employment-eu-and-uk-comparative-analysis (Para aumentar, clique na imagem)

«No mundo de hoje, num país europeu, esse fator de competitividade assenta, essencialmente, nos fatores associados à inovação. Não vale a pena termos a ilusão que numa estratégia assente em baixos salários nós conseguiremos ser competitivos». Estas palavras foram ditas terça feira passada pelo sr. Primeiro Ministro numa sessão na Católica, no âmbito do 21.º programa INOV Contacto.

Estas palavras do Dr. António Costa causam perplexidade. Os consultores  do nosso Primeiro Ministro não o informaram que não há liberdade de escolha entre inovação e baixos salários, subentendo-se que com a inovação os salários são altos e que bastaria declarar querer inovar para que a inovação ocorresse e as remunerações do trabalho encarecessem. Os  consultores  do nosso Primeiro Ministro também não o informaram que somos uma economia pouco inovadora.   Com efeito:

  • Este ano o nosso país perdeu uns oito pontos no Índice de Global de Competitividade, do World Economic Forum; pois descemos de 38 para 44.
  • Na classificação da inovação da Bloomberg (2016), surgimos em 29º lugar, atrás da Polónia, cotejando a República Checa e a Hungria. Isto é: em inovação estamos na cauda da Europa.
  • Somos o sétimo a contar do fim na proporção de trabalhadores em indústrias criativas (ver o gráfico de abertura do presente post, aliás já nosso conhecido). Sempre na cauda da Europa em matéria de inovação económica.

Sem termos em conta estas realidades, a frase do Sr. Primeiro Ministro é interpretável do seguinte modo: «subir os salários aumenta a produtividade». Vários defensores mais estremunhados do aumento do Salário Mínimo Obrigatório acima da produtividade têm aliás sustentado essa tese falsa e perigosa. Com efeito, numa economia fechada, esse aumento gera inflação a prazo; numa economia aberta como a nossa, determina falências ou despedimentos imediatos.

A inovação resulta de um complexo conjunto de fatores económicos e sociais mas ninguém hoje duvida que o Estado tem o o direito, e o dever,de a promover. O Economista Português ficaria mais tranquilo se o Sr. Primeiro Ministro reconhecesse o nosso atraso no campo da inovação e anunciasse medidas para estimular o seu crescimento:  concatenar os gastos do Estado em I&D (mais rigorosamente: em D, a aplicação económica das descobertas científicas) com as atividades produtoras, incentivar estas a investirem mais em inovação, formar melhor a mão de obra (um aspeto conexo com a investigação em que continuamos desgraçadamente na cauda da Europa).

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