UE: Costa arromba uma porta aberta

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«Sozinhos estaríamos sempre pior que em conjunto», afirmou o primeiro ministro António Costa numa sessão ontem realizada na Faculdade de Direito da Universidade  de Lisboa para assinalar o dia da Europa. O principal responsável do nosso executivo procedeu a uma espécie de balanço: a entrada na UE (União Europeia» «mudou radicalmente o perfil de Portugal», exemplificando com o crescimento do PIB por habitante, o mais comum indicador de riqueza individual, e as autoestradas. Revelou«confiança» no futuro da UE pois as instituições comunitárias decidiram refletir «a fundo» no futuro da associação.

O Dr. António Costa deve ser saudado pois o seu governo iniciou uma atitude mais descontraída face a Bruxelas-Berlim, se não mesmo menos subserviente. O seu discurso de ontem, porém, parece desfocado. Explicar a necessidade de umas associação europeia é necessário em França, onde a Srª Pindérica Le Pen ameaçou ganhar as eleições, mas entre nós é arrombar uma porta aberta: nenhuma corrente partidária ou política portuguesa  é a favor do «orgulhosamente sós» e contra a associação europeia. As referidas benfeitorias da UE são do século passado e da defunta Europa do Sr. Delors. Desde o Euro, voltou a aumentar a nossa divergência real face à média económica europeia, medida pelo famoso PIB por habitante.  A confiança na reflexão é uma das mantras do consenso transpirenaico mas não ocultará o facto crucial: os credores europeus estão dispostos a abrir o cordão à bolsa?

O Dr. Costa não enunciou outra «mudança radical» ocorrida entre nós depois de entrarmos na UE: a nossa classe política passou a acreditar que tudo o que era bom para Berlim era bom para nós. Não é. A ameaça tremendista e fantasista de sairmos da UE servirá para nos esconder este facto: a nossa classe política não consegue defender os nossos interesses na UE.

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