Morreu a Austeridade? Viva a Austeridade, diz Bruxelas-Berlim

Austeridade

Amanhã, a Comissão de Bruxelas anunciará que tira Portugal do procedimento dos défices excessivos, ao abrigo do qual tem superiormente dirigido a política económica portuguesa, com uma ligeira colaboração do governo do Dr. António Costa.

A anunciada medida há muito teria sido tomada, se a Comissão não jogasse com dois pesos e duas medidas. Ela é uma simples formalidade.  desprovida do menor efeito prático. O Presidente da República sinalizou isso mesmo, quando disse que trocava a saída do procedimento dos défices excessivos pela melhoria do nosso rating, estranhamente imóvel, num mundo e num orçamento estatal em mudança.

A austeridade continua por outros processos jurídicos. A Comissão continuará a impor-nos os seus Diktate. Em breve saberemos o que nos espera. O leitor prepare-se para se rir dos habituais ilogismos bruxelino-berlinenses, e prepare-se para chorar por lhe apertarem de novo o cinto.  

Blanchard

Olivier Blanchard em Lisboa

Neste contexto, é interessante comentar as declarações de Olivier Blanchard, antigo economista chefe do Fundo Monetário Internacional  (FMI), sobre a nossa pertença ao Euro. Blanchard esteve a semana passada em Lisboa na conferência «Portugal, from here to where». Para ele, sairmos do Euro teria custos excessivos e a medida só deveria ser encarada se não conseguíssemos restaurar a nossa competitividade por outros meiosO Economista Português  só conhece as suas declarações por relatos da imprensa.

Tudo leva a crer que para Blanchard a nossa competividade é medida pela balança de pagamentos, provavelmente pela balança de transações correntes (mercadorias e serviços). É fora de dúvida que a nossa balança de pagamentos melhorou mas à custa do aumento do desemprego, da emigração e da violenta contração económica. Mal abrandou a austeridade, os resultados da nossa «competitividade» pioraram. Blanchard apoia-se numa vitória precária. Mas há pior: os seus critérios esquecem o emprego e o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), a medida mais comum de riqueza individual. Bom conhecedor da economia portuguesa, nosso amigo, Blanchard é levado pela lógica das suas premissas  a sustentar que tudo estará bem com a nossa economia, desde que o FMI não tenha maçadas connosco – mesmo que que caiamos na miséria. Afinal, o FMI não mudou. Será que a Comissão bruxelino-berlinense muda? Em breve veremos.

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