Incêndio de Pedrogão: Encobrimento à Vista

 

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O Diário de Notícias de hoje ataca El Mundo, um diário madrileno, por desde o dia 18 atacar o governo português, censurando-o pela sua incapacidade no ataque ao incêndio de Pedrogão Grande e sobretudo por não divulgar o nome dos seus correspondentes l portugueses.

O ataque é incompreensível. A imprensa portuguesa entregara  El Mundo ao seu triste destino e não produzira uma crítica ao nosso governo português. Se o transcrevesse, teria que revelar haver alguém neste  planeta que considerava o nosso governo responsável (ou corresponsável) por 64 mortos e mais de duzentos feridos. Quando, evidentemente, todo o mundo para lá do Caia estava ao corrente da «estrada da morte», para a qual a GNR mandava mais de quatro dezenas automobilistas que tentavam fugir ao incêndio.

O Diário de Notícias ataca porque o governo vai finalmente ter que nomear uma comissão de inquérito. O ataque do diário da Rua Tomás da Fonseca a um colega espanhol mostra que Portugal está a tornar-se num Estado de partido único: com Salazar ou Marcelo Caetano, a censura prévia administrativa estava instalada;  com Vasco Gonçalves e António Costa, passou a ser perigoso dizer a verdade em público.

O Sr. Presidente da República não deve consentir que o governo nomeie uma comissão para se inquirir a si próprioEl Mundo  não quis revelar o nome dos seus correspondentes em Lisboa revela recear as represálias das autoridades portuguesas. Quando o Diário de Notícias ataca o jornal madrileno, prepara a ditadura em Portugal pois diz ao futuro inquirido pela futuríssima comissão de inquérito:   se atacar o governo, está entregue aos bichos. El Mundo publicou as reportagens em regime de anonimato porque os seus correspondentes lhe disseram que receavam as represálias do Governo.  Os  nossos profissionais das comissões de inquérito fazem de conta que não percebem que o governo tenta assustar os futuros inquiridos. Mas, graças a El Mundo  e ao subtil Diário de Notícias, todo o mundo percebeu que não só somos incompetentes a proteger a vida humana contra incêndios: falta-nos a capacidade para condicionar a opinião sem violar os direitos humanos.

O Sr. Presidente da República deve tomar a iniciativa de nomear uma comissão independente do governo e da Assembleia da República. Porque:

  • Estão em causa as liberdades públicas:
  • O governo tem que ser inquirido, e quem diz o Governo diz os partidos que o apoiam no Parlamento(só o PCP teve até hoje alguma coragem, o Bloco de Esquerda foi de férias para o terceiro satélite de Neptuno);
  • As tardias meias palavras do PSD sugerem que ele está comprometido com o encobrimento;
  • Uma comissão de fantochada nada adianta pois a censura portuguesa à comunicação social só vigora até ao Caia e do lado de lá todos conhecem a estrada da morte e a nossa incapacidade administrativa; se a esta incapacidade juntarmos a lógicas inquisitorial do encobrimento, cortar-nos-emos da comunidade internacional de grau 1;
  • O mandato legal da comissão de inquérito deve assegurar a proteção dos depoentes, introduzindo se necessário o estatuto de «depoente protegido»:
  • Sem um inquérito a sério, o establishment  de segurança português nunca mais será levado a sério, abrindo o caminho a uma sociedade de bandidos.O turismo diminuirá pois os estrangeiros recearão serem incendiados pelo governo português e seus agentes. Terá tristes resultados para a economia portuguesa, em particular no capítulo do investimento direto estrangeiro. Esta motivo é menos elevado do que os anteriores, mas todos precisaremos de nos alimentarmos nos próximos tempos.

 

 

 

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