InfraEstruturas: O Primeiro Ministro equivoca-se ou ganha tempo?

Rotundas

Alcançaremos a «convergência real» com a União Europeia graças a um Plano de rotundas?

O Sr. Primeiro Ministro decidiu solenizar a apresentação de um desconhecido Plano Nacional de Infraestruturas aos parceiros sociais reunindo a Concertação social na sala do Senado da Assembleia da República.  Assim promovidos a câmara alta do regime, os parceiros sociais terão por certo ouvido com benevolência a apresentação de um plano por ora desconhecido, pois só será apresentado depois das autárquicas.

Algumas das palavras ontem proferidas pelo Dr. António Costa sugerem reflexão:

  • Precisamos de um Plano Nacional de Infraestruturas? A designação lembra os planos quinquenais soviéticos. O nome do Plano cheira a engenheiro, a rotundas, a dinossauros do betão, e esquece a economia: interessaria mais baixar a fatura portuária do que construir a segunda autoestrada Castelo-Branco – Vilar Formoso. Temos que apanhar a revolução informática e robótica, Nas infraestruturas  tradicionais, só nos falta a ligação ferroviária em bitola larga  entre Sines e Badajós mas esta só será necessária se houver condições geoestratégicas e empresariais para a operação portuária em Sines subir de escalão;
  • Foi afirmada a continuada « a dificuldade do financiamento por parte do crédito ». A afirmação é surpreendente. Portugal efetuou a chamada «saída limpa» do plano de emergência e continua a não conseguir crédito? O governo desistiu vencer as agências de «rating» e de conseguir pleno acesso ao mercado financeiro internacional? Não sobreinterpretemos, mas esta declaração é inquietante. Aguardemos esclarecimentos.
  • Foi anunciado que a negociação do próximo quadro comunitário de apoio será mais «exigente» que o nosso país tem que «estar preparado». O Economista Português concorda com tudo o que seja melhorar a nossa capacidade negocial face a Bruxeçlas-Berlim mas interroga-se se não estaremos apenas perante a deflação dasnossas  expetativas face ao buraco financeiro que a saída da Inglaterra deixa no orçamento da União Europeia. Veremos.
  • Foi afirmado que as obras públicas requerem um consenso alargado  pois comprometem as gerações futuras. O argumento é luzido mas   não colhe: a unanimidade, ou a maioria qualificada, a existirem, serão de hoje e de hoje apenas. As opções de hoje serão ou não aprovadas pelas gerações futuras. O argumento é falacioso quanto ao fundo: pois nada há na maioria qualificada que nos garanta que com ela escolhemos os bons investimentos Para o demonstrar basta-nos olhar para os elefantes brancos, grandes e pequenos, nacionais e locais,  aprovados por sucessivas maiorias qualificadas nos anteriores quadros comunitários de apoio.. O Presidente Franklin D. Roosevelt decidiu por maioria simples, contra a furiosa oposição dos Republicanos, o que ainda hoje é a mais emblemática infraestrutura pública: a TVA, as barragens do vale do rio Tennessy. O presente pedido da maioria qualificada cai bem na opinião pública, ao que rezam as sondagens, e é uma boa bola para as eleições autárquicas do mês que vem. Só por si, não implica irracionalidade da obra pública futura.
  • Merece aplauso o propósito, demasiado velado embora, de voltar à nossa convergência real com a média da União Europeia. Ficou porém por esclarecer o papel do Plano Bidecenal de Elefantes Brancos nesse louvável desiderato.
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