Juncker: A Defesa do Federalismo dos Credores

 

 MapaEspanhaBulgária

Eis o novo mapa político da União Europeia: vai da Espanha à Bulgária. Disse ontem sem rir o Sr. Juncker. Estará a preparar-se um novo Portugal, que também já foi do Minho a Timor?

Um futuro róseo para a União Europeia (EU)  foi o retrato ontem desenhado pelo Sr.Juncker, presidente da Comissão Europeia, no discurso abusivamente chamado do Estado da União (esta cópia dos costumes dos Estados Unidos devia ser atribuída ao  discurso do presidente do Conselho Europeu). O luxemburguês, que apenas tem à frente mais um ano completo no seu mandato, propôs : o Presidente da UE eleito por sufrágio direto e universal,   um ministro das Finanças para a Zona Euro; recusou a proposta de um Parlamento só para a Eurozona, há dias apresentado pelo presidente francês, o Sr. Macron; afastou a Turquia e abriu as portas à entrada dos países balcânicos.

O Financial Times  trata Juncker de «romântico.  O seu otimismo é de fantasia:

* A UE está enfraquecida pela saída da Inglaterra (esta também se enfraquecem. O Brexit é um jogo em que perdem todos os jogadores, como no casino)

* A UE está em conflito com a Rússia e tem fronteiras instáveis a leste

* A UE prepara-se para se afastar dos Estados Unidos, ficando indefesa e tendo ao mesmo tempo dois inimigos, por acaso os grandes vencedores da Segunda Guerra Mundial

* A UE não consegue enfrentar a invasão pacífica oriunda de África e do Médio Oriente

* A UE não consolidou o Euro nem resolveuo problema da dívida, agravou-o

* A UE não resolveu o problema do emprego e do crescimento económico

* A UE não consegue elaborar uma base política e psicológica para combater o terrorismo fundamentalista islâmico.

* O problema do chamado populismo está atenuado mas não foi resolvido. Parece provável que a AfD, os populistas alemães, conquistem pela primeira vez lugares no Bundestag.

Juncker vê nisto tudo «uma janela de oportunidade». Temos homem. É de fato ym discurso de  é no essencial um momento da campanha eleitoral da chancelarina Merkel:  quando ao fundo (recusa das propostas de Macron, recusa da Turquia, recusa do ditretório, recusa da Europa a duas velocidades).  Curiosamente, o orador não conseguiu abordas as questão da defesa e  segurança europeia. O Sr. Juncker deixa o assunto por conta do Presidente Trump? A nudez forte da verdade da segurança europeia não convinha à campanha eleitoral da Sr.ª Merkel.

O discurso de Juncker é a propaganda do federalismo dos credores. Haverá um ministro das Finanças Comum para a Eurozomna, mas não haverá um mimistro comum do Emprego e da Solidariedade Social. Eleger por sufrágio universal o presidente da Comissão Europeia (a Comissão de Bruxelas) é transformar o Primeiro Ministro de qualquer Estado membro ou o Presidente da República em subordinados dele. A maioria dos votantes da UE são credores. Por isso, convém-lhes enfraquecer  os Estados nacionais onde surgem de vez em quando custosas revoltas (Grécia, Inglaterra, Polónia, Hungria). O leitor dirá que esse federalismo é democrático? Se a eleição do Estados Gerais da Revolução Francesa tivesse decorrido apenas em Versalhes, a nobreza teria ganho: em Versalhes havia mais nobres do que criados. Na UE há mais credores do que devedores.

Se o leitor duvida, gaste um segundo a ver os números. Com efeito, a população dos país credores da UE (Bélgica, Alemanha, Irlanda, França, Itália, Luxemburgo, Holanda, Áustria, Finlândia, Suécia) são 267 milhões de um total de 445 milhões (já sem a Inglaterra). Os credores são 60% da população da UE.

Os credores não só têm a força do número: tem os mecanismos do crédito e os dirigem os partidos políticos europeus, O federalismo dos credores é assimétrico e não é democrático. Se este federalismo é democrático, o seu inspirador, o Príncipe Bismark, foi um precursor da democracia Na UE de Bruxelas-Berlim, os interesses dos devedores são defendidos pelos Estados-membros e não pelo federalismo.

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