Centeno Presidente do Eurogrupo: Debate português revela a nossa ignorância sobre a UE

 

RonaldoDoEurogrupo

O «Ronaldo do Eurogrupo» cumprimenta o padrinho

O Eurogrupo vota hoje o seu novo presidente. O Dr. António Costa, nosso primeiro ministro, resolveu candidatar o Doutor Mário Centeno, o chefe das Finanças. Se ele for eleito, será bom para nós?

Foi interessante a resposta dos partidos parlamentares e dos seus representantes na comunicação social. O PSD declarou-se favorável, em nome da solidariedade com o PS na UE (União Europeia) e do patriotismo. Entre numerosos comentários autorizados, o CDS-PP considerou que a eventual eleição de Centeno era «aparentemente» boa para nós, mas talvez não o fosse na realidade; sublinhou que Centeno tinha muitos deveres em Portugal como ministro das Finanças e receava que os esquecesse. As esquerdas orçamentais também foram contra. Os Verdes acharam que não era benéfico. Dos lados do PCP e do Bloco de Esquerda foi salientado que a vitória era irrelevante pois a vitória do financeiro de Olhão não alteraria a política da UE e do Eurogrupo, desfavorável a Portugal.

Estes argumentos são extraordinários. Pelas seguintes razões.

  • A tese sobre a incapacidade de Centeno acumular o cargo de nosso ministro das Finanças com o de presidente do Eurogrupo deixa qualquer cidadão perplexo: os presidentes do Eurogrupo foram ministros das Finanças. Este cargo seria mains simples no país deles ou eles seriam mais resistentes do que o financeiro de Olhão?
  • Ninguém se preocupou em saber ou em informar o eleitor sobre os poderes do presidente do Eugrupo. Quando a questão era aflorada, sempre de cernelha, os comentadores o oficiosos logo a evacuavam com o atrgumento pejorativo, retirado da entrada Eurogrupo na Wikipedia, que o cargo era apenas informal.
  • Carece de autoridade moral o argumento das esquerdas orçamentais sobre a incapacidade do presidente do Eurogrupo em mudar a política financeira da UE: os que o apresentam trocaram a vitória do comunismo pelo cargo de cobradores de fraque dos nossos credores e por aumentarem um pouco alguns salários. Uma esmolinhas chamadas «reversão». Porque exigem mais ao Presidente do Eurogrupo? É que ele também poderá dar-nos esmolinhas – e a todos, não só a alguns assalariados.
  • O pior de tudo é que o debate revela uma ignorância generalizada ao mais alto nível sobre o funcionamento da UE. A UE baseia-se no princípio da negociação e, quem entra na negociação, tem que ceder x da sua posição inicial para receber y em troca. Chama-se a isto o consenso. Entre nós negociação é ludibriar o adversário ou ganhar tempo para ganhar tudo sem ceder em nada. Nesta lógica, o presidente do Eurogrupo tem menos poder que o peru de Natal. Na UE, porém, acreditam nos consensos. Ora quem produz os consensos do ECOFIN é o presidente do Eurogrupo. E, na elaboração deles, será impossível produzir a revoluução proletária, tão diligentemente preparada pelo Prof. Louçã e pelo Sr. Jerónimo de Sousa, mas será fácil arranjar alguma proteção para um país que é menos de 3% do PIB europeu e que por isso passa com facilidade entre os pingos da chuva. Só ignorantes podem duvidar que é vantajoso para nós haver alguém da nossa coonfiança que presida ao Eurogrupo.
  • Mas Centeno servirá Portugal ase for eleito presidente do Eurogrupo? Curiosamente, nenhum dos intervenientes no debate explicitou esta pergunta: o Marcelo deu umas biscas nesta direção mas ninguém lhes pegou.Centeno até gora nada disse. António Costa também não. Ao assumir a presidência do ECOFIN, Centeno ganha uma base de poder independente do Dr. A. Costa. Pela primeira vez. O leitor reparou que o representante do Partido Socialiste Europeu se revelou pouco ou nada entusiasta com Centeno. Talvez por ele não ser da «seita» para usar o vocábulo com que o Doutor Vasco Pulido Valente mimoseia (ou mimoseava) os nossos partidos políticos. Ou talvez ele tenha outras razões de falta de confiança. Esta bola está nos pés do Ronaldo do Eurogrupo.
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