«Guerra Comercial»: Veja os Três Segredos de Trump

 

O Presidente Donald Trump toma muitas decisões discutíveis ou mesmo mais do que discutíveis. Mas a permanente e enjoativa campanha que contra ele é dirigida pelos meios de comunicação social do continente europeu só é possível por ignorar algumas realidades básicas da política dos Estados Unidos, Essa generalizada ignorância transforma em segredos esse comportamentos: os predomínio ddo bargaining, a aplicação sistemática do dilema do prisioneiro, a ausência da noção de programa político. A ignorância destas práticas não nos deixa compreender a política dos Estados Unidos o que é perigoso pois eles, além de continuarem a ser o país mais poderoso do mundo, são nossos aliados. Vejamos brevemente aquelas três práticas da política e da política económica yankee.

Bargauining

  • Bargaining é um conceito chave da política dos Estados Unidos. Em geral, a palavra é traduzida por negociação. Não é falso, mas é enganador. Os brasileiros traduzem por barganha, o que releva a originalidade do termo yankee. Negociação sugere que  A engana B. Negociar é ser espertalhão e enganar o comprador (ou o vendedor). Bom negócio é vender a mercadoria, receber o preço da venda e ficar com a mercadoria em armazém. Bargaining é diferente: é dar x a alguém para dele receber y, depois de um processo no qual ambos protestam e do qual ambos saem contentes. Só no final há acordo: se a primeira proposta de A não é aceite por B, A fica desvinculado e apresenta outra proposta. O bargainning cria vício: apresentar propostas iniciais aterradoras, para assustar a outra parte e levá-la a um negócio que nos seja mais favorável. Não há vergonha nisto mas há honestidade: «a deal is a deal», testemunhado por um aperto de mão (um acordo é um acordo, embora deal signifique negócio, não devemos traduzir por negócio, pelas razões acima aduzidas: «a deal» é para respeitar um negócio» é para contornar se entretanto mudámos de opinião). Os europeus confundem mudança legítima de proposta negocial com desrespeito ilegítimo de acordo e chamam nomes feios a Trump.Dilema do Prisioneiro
  • Nisto de assustar a contraparte, entra o «dilema do prisioneiro», o mais famoso jogo da «teoria dos jogos». Contá-lo é o melhor modo de o explicar. Dois bandidos de cara vendada assaltaram um banco, roubaram as notas, destruíram à metralha as câmaras video e só foram presos tempos depois, quando já não havia flagrante delito. O Procurador da República foi à cela do bandido António e disse-lhe: «O Sr. António é um criminoso experimentado e sabe que não possuo contra si nenhuma prova decisiva. Não excluo a hipótese lógica de o tribunal não o condenar, mas repare que é uma hipótese apenas lógica, e pouco provável. A prova decisiva será neste caso a sua confissão, que em breve me entregará. Mesmo sem confissão, conto obter do tribunal uma pena muito elevada que lhe será aplicada. Se confessar, pedirei ao tribunal uma pena pequena, uns quatro anos de prisão. Como se comportará bem, abonarei esse seu bom comportamento, regressará à liberdade antes de perfazer os dois anos de cadeia. Se o seu sócio Bernardo confessar e o Sr. António não confessar, persuadirei o Tribunal a condená-lo a si a vinte anos de cadeia». O Procurador terminou, dirigiu-se para a porta da cela e, uma vez que alcançou a fechadura, voltou-se para o bandido António como se repentinamente se tivesse lembrado de uma novidade e disse-lhe: «Ah! Quase me esquecia! Apresentarei esta mesma proposta ao seu sócio o bandido Bernardo. Escolha bem». António e Bernardo não desfrutam da possibilidade de falarem um com o outro. O resultado racional é : ambos os bandidos denunciam-se um ao outro pois é a forma de menorizarem a pena de prisão. Se for só um bandido, é mais racional ele confessar.  Já no final da Segunda Guerra Mundial, era com base no «dilema do prisioneiro» que os oficiais de intelligence do Exército estado unidense de libertação da Alemanha extraíam informações operacionais aos oficiais da Wehrmacht capturados em combate; diziam a cadsa um deles: «se colaborar connosco, pediremos clemência para si ao tribunal militar; se nos ocultar as suas instruções táticas tratá-lo-emos como criminoso de guerra nazi». Sublinhamos que o «dilema do prisioneiro»» transfere para o destinatário o ónus de se auto-infligir o mal, o castigo do mau comportamento. Se o destinatário aceitar a proposta do autor do dilema, evita o mal com que este o ameaça e que é independente da própria vontade do autor. Assim, quando o Presidente Trump elogia a «guerra comercial» (o mal), coloca os europeus, os chineses e os outros na situação do dilema do prisioneiro pois diz-lhes: «para mim, a guerra comercial é boa, mas eu sei que para si não é boa e por isso levo-o a escolher entre a guerra comercial e um novo acordo comigo». A solução que minimiza os custos dos destinatários é negociarem com Washington. A solução depende dos destinatários. Numa ameaça tradicional, é a força do declarante que impõe a solução. No dilema do prisioneiro é o raciocínio do destinatário a resolver o problema. Como os mass media europeus ignoram o dilema do prisioneiro, acusam Trump de nem uma ameaça ser capaz de executar.Platform
  • A noção de platform preenche as funções do nosso programa político: a  platform é um conjunto de soluções práticas organizadas em função de um fim superior, de um objetivo, ao passo que um programa é um conjunto de medidas logicamente concatenadas a priori para a obtenção de um dado objetivo. As medidas constantes da  platform são substituíveis, ao passo que as do programa são intangíveis. Os objetivos definem a política, os meios são fungíveis. Os objetivos de Trump são reforçar a posição da América no mundo e proteger a indústria transformadora do seu país. Trump mantém os seus objetivos mas muda de elementos da platform, o que leva os mass media europeus, incapazes de distinguirem entre platform e programa, a acusá-lo de faltar ao prometido. O que é um hábito dos políticos do Velho Continente.
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