A Base Social da Nossa Corrupção; Casa e Licenciamento Económico

ConstruçãoCorrupção

A corrupção à nossa moda tem uma larga base social. Há duas situações de corrupção de massa: obras em casa própria e licenciamento económico. A vítima é obrigada a ser ,,,  corrupto e criminoso. É obrigada por quem? É obrigada pela classe política.

  • Se o leitor precisar de obras em habitação própria, necessita de uma licaça camarária. Essa licença é-lhe concedida licitamente ao fim de uns dez anos de espera (números redondos). Se precisar desses dez anos da sua vida, tem que pagar os dez por cento e automaticamente entrar na categoria de criminoso por corrupção ativa.
  • Se o leitor quiser montar um negócio, necessitará da autorização de pelo menos um ministério, em geral de dois pois o do Trabalho está muito presente. A Oposição ao Estado Novo condenou o condicionamento industrial, que exigia uma autorização administrativa para abrir qualquer fábrica nas atividades económicas sujeitas a condicionamento. A obra do atual regime é pior: porque é mais vasta (o licenciamento aplica-se a mais atividades) e a corrupção é incomparavelmente mais frequente. O industrial ou é corrupto ou não consegue ser industrial, tem que aplicar o seu dinheiro a comprar dívida pública alemã.

A classe política sabe que agindo assim ganha de dois modos

  1. Recebe os dez por cento (alguns dos seus membros recebem os dez por cento).
  2. Cria uma base social vastíssima que se opõe ao combate à corrupção.

É que o pobre do Sr. Silva, corrupto pois precisava de fechar uma varanda, ou o infeliz Sr. Almeida, corrupto para conseguir um licenciamento económico, sabem que quando a classe política começar o combate à corrupção, eles serão os primeiros punidos. Os que os obrigaram a pagar os dez por cento serão ou testemunhas de acusação ou ficarão por acusar. É uma base social à força? É. Mas nem por isso é menos obediente.

Nesta base social atemorizada reside a grande força oculta da corrupção à nossa moda.

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