Lic. José Sócrates e Arredores: Como a Corrupção Destrói a Produção

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A pinta encarniçada das Península na onda amarela dá nas vistas no plano mundial

Que é a corrupção? Quem viu o debate quinzenal em São Bento percebeu que todos diziam mal dela mas ninguém a descreveu. Muitos pensam que a corrupção, além de moralmente má, se limita a transferir dinheiro dos bolsos do corruptor para os do corrompido. A corrupção é moralmente má. A corrupção transfere dinheiro de uns bolsos para outros. Mas o mais importante na corrupção são os seus efeitos dsztruidores da produção. O Economista Português resumirá três casos de produção que ilustram esta afirmação.

  • Um cidadão abastado possui uma propriedade na terra dos seus maiores. Essa propriedade inclui, além de alguma terra, uma casa de habitação e outra, outrora usada para apoio aos trabalhos agrícolas. Pensou em aproveitar esta segunda para no seu primeiro andar mobilar um loft com linda vista, o que estaria ligado a outras atividades criadoras de riqueza. Essa cidadão recusa a corrupção ativa que considera um crime. Um influente local, ao saber desse plano, e conhecendo a sua aversão à corrupção, disse-lhe: «Olhe que terá que pagar por fora!» Resultado: o cidadão deixou de ir a essa terra, não investiu lá, deixou de lá gastar parte do seu dinheiro e de contratar pessoal local. E não concretizou os investimento pensados. Nunca disse nada a ninguém e na localidade ninguém soube do ocorrido. Resultado? A terra dos seus maiores perdeu rendimento, real e potencial.
  • Um português descobriu um nicho de negócio a fornecer artigos portugueses a turistas estrangeiros. Antes de estar certo que o negócio dava, agiu a título experimental, como se fosse um empresário em nome individual. Antes da sua micro empresa o seu nicho de mercado era abastecido apenas por produto importado. É uma pessoa bem formada e, quando viu que era negócio, quis legalizar a situação e começar a pagar impostos para o bem comum. Foi ao ministério A pedir o licenciamento económico. Foram muito simpáticos e disseram-lhe que só licenciavam depois de ter a licença do ministério B. Foi ao ministério B, foram muito simpáticos e disseram-lhe que só licenciavam depois de terem a licença do ministério A. O honesto português ficou perplexo e voltou várias vezes a ambos os ministérios, sempre para ouvir a mesma melodia. Contou a história a vários amigos até que um deles o esclareceu: queriam que ele pagasse luvas. Ficou horrorizado. Não acreditou. Mas averiguou e o amigo tinha razão. Que ação tomou ele? Desmanchou a micro empresa. Desapareceu algum emprego (a crescer). O fisco não recebeu impostos. O País teve que aumentar as importações e receber menos divisas. Ninguém soube.
  • Uma empresa mundial de turismo planeou um resort modelar para uma zona desértica da nossa costa. Ministérios, autarquias, todos recusavam licenciar. Quando davam razões não oficiais era a esfarrapada desculpa corredor: o projeto estar mal instruído, ser de baixa qualidade. A empresa só trabalha em mercados de alta qualidade. Quando o empresário percebeu, desistiu do pedido. Nunca mais voltou a pensar em investir na «ocidental praia lusitana». Nem disse nada aos descendentes dos que tinham ido «para além da Taprobana», claro. Resultado: perdemos empregos, divisas, impostos, visibilidade mundial para uma zona esquecida.

Nos três casos a corrupção falhou no sentido da redistribuição do rendimento: os candidatos a corruptores, todos agentes do Estado, eleitos, não conseguiram receber luvas. Vingaram-se. O resultado foi destruir produção ou impedir produção nova e mais qualificada. Resultados sempre ocultado aos interessados. São casos micro económicos, sem relevância, dirá o leitor. Não teria razão, à sua escala eram casos com algum significado e são aqui invocados a título meramente exemplificativo. Mas da micro economia sai a macro economia. No luscofusco do Estado de Direito, vários países emitem «diretivas semipúblicas sobre o investimento direto no estrangeiro». Estados com muitos microcasos de corrupção, como o nosso, são desaconselhados ao investidor. Os Estados Unidos estão entre estes países. Se o industrial americano investir na economia portuguesa, na prática, aos olhos da justiça yankee perde a presunção de inocência por nós sermos considerados corruptos (exceto na extração e o primeiro tratamento de matérias primas estratégicas). E, a troco de um incremento apenas marginal da sua taxa de lucro arrisca-se a passar a velhice numa cadeia americana. O leitor já adivinhou como investirá o tal industrial yankee. O leitor adivinhou mas a verdade, a verdade certa, é-lhe ocultada. Como o investimento diireto estrangeiro causa sempre subida na divisão social do trabalho, desperdiçamos essa oportunidade e continuamos no mesmo patamar de produtividade.

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