Corrupção e Segredo Bancário: Punir para Investigar

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Sim, estão a apontar para si!

Anteontem, no debate quinzenal, o Dr. António Costa disse que não aplicara a sanção do fim do segredo bancário para as contas de mais de cinquenta mil euros porque o sistema bancário português estava fragilizado. A seguir, anunciou que estava pensando em aplicar essa medida. Ontem o conselho de ministros aprovou um diploma legal contendo essa medida.

Os conselheiros do Sr. Primeiro Ministro descendem do marechal francês que dizia à sua tropa: «Soldados! À vossa frente está o abismo! Dai um passo em frente!»

Com efeito, acabar com o sigilo bancário é mau pois provoca fuga de capitais e arríina-nos. O irrisório limite de cinquenta mil euros revela bem o desnorte dos senhores conselheiros.

Acabar com o sigilo bancário é um castigo. Esse castigo é aplicado para investigar pessoas de bem e não para punir criminosos. Ou seja: o castigo é dado para investigar a corrupção. A corrupção fica sem castigo (irá para bancos de outro país). Os conselheiros do Dr. Costa não investigam para punir, punem para investigar.

As declarações do Sr. Primeiro Ministro mostram portanto a falência do nosso sistema de investigação pelo menos no relativo aos crimes da corrupção. Punir para investigar lembra outros regimes. Cala-te boca.

Quando os bancos portugueses apresentarem contas, o leitor ouvirá os gritos dos bombeiros incendiários: a fuga de capitais aumentou! Descanse, eles depois apresentam-lhe a fatura.

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