Político Bom, Patrão Mau > Esta Narrativa Perpetua a Corrupção

BuchaeEstica

 

Há umas três décadas, quando o combate à corrupção ainda não estava na putativa ordem do dia, alguém explicou a um ilustre ornamento do nosso Ministério Público a lei dos Estados Unidos para combater a corrupção: atirar os o corruptor ativo contra o passivo e vice versa. Esse ornamento acabou por perceber e revoltou-se: «V. quer bater no pequenino». Sic para «o pequenino». «O pequenino» era o Ministro que só licenciava a troco de luvas, o mau era o investidor.

Esta narrativa da corrupção é a dominante em Portugal. Já estava ínsita no gene estatizante to Ministério Público. Foi estimulada pelos políticos. Parece lógica: para corromper é preciso dinheiro para pagar as «luvas» e são os capitalistas que têm dinheiro.

Esta narrativa não é completamente falsa. Aplica-se quando o Estado é o negócio e um privado quer o dinheiro do Estado. Por exemplo. Os submarinos deviam ter sido comprados com dívida pública, que era mais barata para o Estado. Mas alguém inventou que os alemãs não nos deixavam recorrer à dívida pública e tínhamos que recorrer ao leasing. Era uma oportunidade de corrupção: o corruptor só tinha que ter a maçada de empochar a diferença entre o juro da dívida pública (ou outro mais baixo a que tivesse acesso) e o juro do leasing. Houve corrupção? No caso, terá havido orrupção»? Se houve foi o capitalista a promovê-la? Não sabemos quem a promoveu: os políticos talvez tenham proposto o leasing para eles própria receberem uma parte das luvas que o privado recebia. Os franceses chamam a isso «retrocomissão»: o banqueiro recebe uma comissão do político e retrorai uma parte dela ao político que lha pagou político. Comissão são as luvas, os dez porcento.

A narrativa do «político bom, capitalista mau» é absurda no caso da obra em casa própria ou do licenciamento económico: o capitalista quer pagar a corrupção? O capitalista quer perder dinheiro? A narrativa oficial da corrupção não tem pés nem cabeça. A acreditar nela, teremos que pedir desculpa aos corruptos. Por termos acalentado maus pensamentos. Há um ano o banqueiro X era acusado de ter corrompido meio mundo. Agora é meio mundo que e acusado de ter ter obrigado o banqueiro x a corrompê-lo. Ora as duas narrativas da «luta» contra a corrupção são incompaíieis entre si. Talvez sejam asn duas falsas, mas não são as duas verdadeiras ao mesmo tempo.

Nem referimos se o tal ornamento do Ministério Público era do PS, do PC ou do PSD. Todos sabemos que o Ministério Público tem preferências partidárias mas o sistema exige que o esqueçamos.. A narrativa é igual, seja qual for a preferência partidária. A narrativa tem consequências práticas: se o político é sempre «o pequenino»», o Ministério Público só por exceção o investiga. Vemos com os nossos olhos e n o ornamento não consegui ver os crimes do «pequenino».

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