PIB: FMI piora-nos as previsões em modelo discutível

 

Novas previsões do FMI: G7 e China

FMI2018Julho

Notas: a cor de rosa: previsão de abril; a cinzento: previsão de julho. Os números   nas linhas são a subtração da previsão de julho à de abril Fonte: The Guardian, a partir dos dados ontem divulgados pelo FMI

O Fundo Monetário Internacional (FMI) reviu ontem as suas previsões constantes do World Economic Outlook de abril. O gráfico mostra que o arrefecimento das economioisas do G7 mais a China. Mas o frio é maior para as economias europeias e em particular as da Eurozona, como o gráfico acima mostra. O crescimento económico será menos homogéneo, afirmam as novas previsões. A economia mundial continuará a crescer 3,9%, segundo esta atualizção. Só desacelerarão as economias europeias e avançadas, e só em 2019..

O Fundo não especifica uma previsão para o nosso país, mas em geral inclui-nos no grupo dos que desaceleram (economias avançadas, Eurozona). Em maio, o FMI afirmara que menor crescimento na Eurozona afetaria «significativamente» a nossa economia. Em abril, o FMI previu-nos 2,4% de crescimento. Esta taxa é agora diminuída, em montante não revelado.

A atualização acusa a guerra comercial de ser o maior risco comercial e critica os mercados financeiros por serem excessivamente otimistas. O relatório sublinhas também os riscos «geopolíticos» e revela-se inquieto com a situação governamental italiana.

O FMI está a descobrir o modo de ter sempre razão: em abril fora otimista sobre a Eurozona e agora passou a pessimista. Embora em dose moderada. Compra forward e vende forward igual quantidade.

O relatório revela alguma confusão intelectual no FMI: ora afirma que a expansão chegou a máximo em termos mundiais, ora afirma que continua o crescimento em termos mundiais, tendo apenas aumentado a desigualdade entre as taxas nacionais de crescimento económico. Infelizmente, as duas afirmações não podem ser verdadeiras ao mesmo tempo pois as taxas de variação do PIB só conhecem breves períodos de estabilização; em geral, ou aumentam ou diminuem.

Mas estas novas previsões parecem à primeira vista pouco consistentes. O FMI prevê que as medidas protecionistas já aprovadas tirem 0,5% de crescimento à economia mundial até 2020 (uma baixa muito ligeira, diga-se de passagem), mas os as economias nelas mais envolvidas, os Estados Unidos e a China, beneficiam de melhores atualizações do que as europeias. O que só seria congruente com a atualização se o protecionismo fosse bom para as economias protecionistas e mau para as outras. Como os modelos económicos em geral prevêem mais crescimento com comércio livre, esta reviravolta do FMI tem o seu toque de economia vaudoo.  Ou será que o FMI não incorporou este 0,5% na previsão das taxas de variaçºao do PIB? Deveria tê.lo feito, pois as medidas protecionistas estão em vigor. Mas o texto  é pouco claro.

Talvez a atualização seja apenas nervoseira do FMI . Com efeito,  estas atualizações do FMI são tão raras que temos que admitir haver  algum problema humano meta económico no presumível banco central do mundo. Seria um problema de Maurice Obstfield, o economista principal do Fundo, que assina o texto, uma prática  pouco habitual para casos tão  centrais? Seria fácil imaginar o problema: o começo das sanções comerciais (ainda não são guerra) e ao mesmo tempo do governo eurocético em Itália. O mundo estaria à beira de uma crise económica catastrófica, devido à costumeira tautologia da sobrevalorização dos ativos,  e o FMI não a previra.  Assim previu e não previu.   Ou então o FMI quis dizer amor e não lhe chegou a língua: a Eurozona estaria a entrar em crise a contraciclo da economia mundial. Em breve veremos o destino das novas e problemáticas previsões do FMI.

 

O curioso texto acima  comentado, inserido a abrir a página do FMI na web, está disponível em https://blogs.imf.org/2018/07/16/the-global-expansion-still-strong-but-less-even-more-fragile-under-threat/

 

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