Eletricidade: Desde 2010, o preço saltou da média da UE para mais de 25% acima

 

Kwh

Fonte: Eurostat. Nota: Médias aritméticas

Em 2010, comprávamos a eletricidade doméstica em Portugal apenas um pouco acima da média da União Europeia: 16,6 euros por cem Kwh (quilowatts hora) e 16,0 respetivamente. A diferença dava que pensar mas não era preocupante. Em 2017, as posições mudaram: o consumidor português passara a pagar 22,84 euros por aquela quantidade de kwh, ao passo que a média da UE se limitara a subir para 17,87. As famílias portuguesas estavam o ano passado 28% acima da média da UE no preço da energia doméstica.

Este valor revela a ação de sucessivos Governos a favor da EDP e dos outros produtores de energia à custa do consumidor português. Dentro deste valor (ou talvez acima dele) estão corrupção pura e dura e as «rendas da energia». As famílias portuguesas são forçadas a financiá-lo sem que nenhuma razão económica o recomende. Pelo contrário.

Está em curso um inquérito parlamentar às «rendas da energia». O Economista Português felicita os dinamizadores dessa iniciativa, entre os quais se destaca o Bloco de Esquerda (mas também o PCP), e os que a apoiaram, entre os quais avulta o partido do governo, o PS, que com esse inquérito corre o risco de comprar muitas guerras. Guerras necessárias à economia portuguesa, mas guerras

O Economista Português propõe aos parlamentares inquiridores três pontos para serem inquiridos:

  • O inquérito nasceu centrado na corrupção e esta foi identificada com o emprego pela EDP de antigos ministros: mas deverá ser demonstrado que esses casos são sempre de corrupção e que a corrupção pela EDP se resume a estes casos (se eles forem realmente corrupção).
  • As rendas da energia têm sido identificadas com a EDP mas a produção de energia «ecológica» e subsidiada pelo contribuinte (de que a EDP aliás também beneficia) deve ser inquirida, não só na perspetiva da corrupção mas também e sobretudo na da racionalidade económica.
  • A comissão parlamentar de inquérito deve inquirir sobre os custos de produção de eletricidade e produzir uma conta de exploração da produção de energia elétrica no nosso país. Só essa conta permite averiguar as «rendas da energia», no sentido amplo da expressão. Esta conta é indispensável para que haja alguma racionalidade económica.
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