Brexit: Para Bruxelas-Berlim, a Inglaterra é galinha

jogo da galinha

A Inglaterra e a União Europeia (UE) começam ambas preparativos de emergência para o Brexit sem acordo. O Brexit sem acordo é uma catástrofe. Parecemos estar no «jogo da galinha», descoberto pela teoria dos jogos.

No jogo da galinha, os dois jogadores marcham em linha reta um contra o outro. Se nenhum se desviar, destruir-se~ão um ao outro. Se um se afastar, é galinha e perde o jogo.

Berlim-Bruxelas pensam que Londres é galinha e se afastará, isto é, cederá. Por isso recusam a concessão adicional necessária para que uma maioria em Westminster aprove o acordo negociado pela Srª May. Essa concessão consiste em reconhecer que Londres tem o direito de restabelecer a fronteira entre a Irlanda do Norte e a do Sul.

Se Londres for galinha, a UE ganhará e imporá o seu Brexit. Se a Sra May for galinha e a Inglaterra não o for, começará um processo de destruição mútua e de crise da Europa ocidental.

O jogo da galinha é hoje a explicação dominante para a eclosão das duas guerras mundiais do século passado. Curiosamente, os jogadores em 1914 e 1939 e em 2018 desenvolviam as mesmas estratégias: Berlim julgava que Londres era galinha e cederia às suas exigências. Mas enganou-se em ambos os casos e por isso iniciou duas guerras que, sem querer incomodar o leitor com mortandades inadequadas à quadra natalícia, destruíram a Europa como gigante político mundial e a reduziram à sua insignificante posição estratégica de hoje.

Os preparativos de emergência são parte das estratégias negociais e, só por si, não implicam a catástrofe. Para evitar um Brexit catastrófico do ponto de vista económico, só há um caminho: Berlim-Bruxelas têm que reconhecer que Londres não é galinha.

O Economista Português deseja Boas Festas a quem o lê.

Em tempo: E Portugal? Contamos para este jogo? Fomos sequer consultados sem ser nos pro forma dos conselhos europeus?

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