No sul da União Europeia, somos a principal vítima do Brexit duro

Fonte e notas:

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À direita da linha vertical encarnada estão os países sul da UE encabeçados por Portugal. Estatísticas do comércio externo do Reino Unido. Foram convertidas em euros ao câmbio de 1,13252. Estatísticas do Eurostat para os PIBs dos países da UE. Só incluímos até ao 50º parceiro comercial do Reino Unido, o que deixa de fora vários Estados-membros da UE.

Entre os Estados do sul membros da União Europeia (UE) somos o que mais sofrerá com um Brexit duro. Brexit duro é o Brexit sem acordo. Considerámos que os custos são tanto maiores quando mais elevada for a proporção das exportações da pais para a Inglaterra. Seria normal que defendêssemos os nossos interesses. O Sr. Presidente da França, o Sr. Macron, já disse não ter nenhum proposta nova para Londres, pois só os britânicos têm a perder com um Brexit duro. Infelizmente, não tem razão, embora o país dos «gilets jaunes» exporte para Inglaterra um proporção do seu PIB algo menor do que o nossa, como o gráfico acima mostra.

O nosso ministro Adjunto e da Economia, Dr. Pedro Siza Vieira, referiu o Brexit em público, o que é bom, mas disse palavras tão repassadas de suavidade que o leitor julga que o assunto não nos respeita ou, se respeita, não temos modo de nos defender. Resumimos essas palavras com o título que o Diário de Notícias lhes deu na passada quinta-feira.

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Entretanto, fomos visitados pelo sr. Comissário Barnier, responsável continental pela catástrofe negocial brexitiana. A mensagem deixada pelo Sr. Comissário é inquietante. Parece que o Sr. Comissário nos convidou a desejar relações mais estreitas com o «nosso mais velho aliado», desejo que por certo todos acalentamos no nosso coração mas que pensamos comunicar aos interessados lá mais para o Verão. Com efeito na atual fase do campeonato brexitiano, esse desejo é de puro humor negro. Todos sabemos que o Parlamento britânico rejeitou o único acordo de Brexit existente para evitar ser obrigado a continuar na UE depois de sair da UE: os negociadores continentais inventaram a espertalhice que, para vender um quilo de bacalhau fresco na UE, a Inglaterra tinha que perfilhar as quatro liberdades (circulação de pessoas, mercadorias, capitais, serviços) o que a impede de ter uma fronteira com a Irlanda e o que portanto a impede de ser um país soberano. O eixo Paris-Berlim conseguiu impor este Diktat a uma Srª May sem base política, que ou não o percebeu ou julgou que conseguiria levar os ingleses a aceitarem-no sob coação: «ou o meu acordo ou o Brexit será o caos». A Srª May falhou de um modo ridículo. O que aumenta a probabilidade de um Brexit duro. Os conservadores não têm uma maioria suficientemente para sacrificarem a Irlanda do Norte e, a haver segundo referendo, ele terá que exigir a garantia da fronteira sem dolosos backstops. Sem isto, não haverá acordo.,, o que nos saíram muito caro e talvez custe a eleição ao governo. Para evitar a catástrofe, seria preferível que o Sr. Barnier manifestasse um pouco mais de bom senso e de boa fé negociais e menos falsas juras de amor
eterno. E, se  o nosso país nada conseguir pôr no terreno diplomático … esperemos pelas sensatas instruções alemãs.

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