Parlamento europeu: Eleições fomentam Tentativa de Suicídio

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, afirmou ontem que opor a Europa aos Estados Unidos é uma variante do suicídio. Tem razão. A nossa comunicação social não dá conta do desvario anti-yankee que lavra para lá dos Pirinéus. A Srª Merkel afirmou há três dias que a Europa tem que se afirmar contra a Rússia, a China e os Estados Unidos. Colocar a China e o Estados Unidos no mesmo plano deveria deixar o leitor aterrado. Mas as reações foram poucas. Todos compreendemos: a Srª Merkel tem eleições a ganhar, sente-se acossada na pátria de Goethe pela direita nacionalista, para dela fugir, transfere o nacionalismo anti-americano dos teutões (de alguns deles pelo menos) para a escala europeia. Só que a nossa compreensão de nada adianta: se os eleitores alemães forem conquistados com palavras de ordem de um nacionalismo europeu agressivo, eles exigirão as medidas condicentes: guerra comercial contra os Estados Unidos, apoio à Huawei contra Washington. Para nós, o resultado é claro: fim das relações privilegiadas com o Brasil e a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, transferência da Madeira para a União Africana e dos Açores para os Estados Unidos.

Este pesadelo nacionalista ocorre quando são negras as expetativas dos europeus (e por certo por causa desse negrume). Com efeito, mais de metade dos eleitores considera provável ou muito provável que a União Europeia (UE) se desfará antes de 2040. Um terço dos eleitores franceses e outro tanto dos polacos tem por possível uma nova guerra intra-europeia. Entre uns e outros avultam eleitores nacionalistas e abstencionistas.

O nosso país não consta do universo deste estudo de opinião. Estaremos mais federalistas. Notamos uma alteração de tom neste começo da campanha eleitoral: a maioria das listas afirma que defenderá os nossos direitos nacionais face à União Europeia. Antes, os partidos dominantes defendiam os direitos da União, mandando-nos ser mais europeístas. A mutação é unânime e é de tomo. Só o PS parece tentado a concorrer continuando a prometer-nos abanar a árvore das patacas europeias.

O panorama autárcico e belicista traçado por aquela sondagem revela bem o futuro da UE sem os Estados Unidos: acabará, tal como outrora Atenas, aliada da Pérsia contra Roma.

Será pedir demais à nossa campanha eleitoral que lance uns pingos de bom senso atlântico neste desvario banausico?

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