Parlamento Europeu: a Imigração já tornou a Europa ingovernável

MarineItaliano
Se os dois cidadãos acima fotografados se tornarem «os suspeitos do costume», a Europa será o paraíso do humor involuntário no campo da política económica

Domingo, quando forem tornados públicos resultados das eleições europeias, siga a sugestão d’ O Economista Português: some os votos do PP e do PSE à escala europeia. Populares e socialistas são a espinha dorsal do funcionamento da União Europeia (UE) desde a sua fundação. Se tiverem a maioria absoluta sem a península já será muito bom para a governabilidade europeia. Mas como a esquerda atacou a direita, acusando-a de cumplicidade com a extrema direita, faltar-lhe-á a base política para uma eventual coligação que não seja a vergonha do costume. O voto para o Parlamento de Estrasburgo-Bruxelas é um desabafo. É certo que os desabafos de hoje serão as maiorias de depois de amanhã mas, no imediato, os Estados-nações da UE continuarão a ser governados como antes. Quando muito, a Sr. Merkel terá que afinar o Deutscland über alles., a fim de travar o passo aos seus nacionalistas. Portugal como Estado-membro, é favorecido a curto prazo pela ingovernabilidade do federalismo europeu .

Estas foram as eleições da imigração. De Balmoral à Sicília, com exceção da Polónia (que tratou de sexo e religião) e da Península (que não tratou de nada). Melhor: foram as eleições da incapacidade de resposta política das famílias partidárias tradicionais a um fenómeno por elas inventado e chamado imigração. A imigração existe na Europa há uns sessenta anos, em escala apreciável, e o que mudou foi 1) a globalização, que estancou o crescimento industrial e económico europeu e foi decidida pelo aqueles esteios da UE; 2) o assassinato de Kadhafi, que aferrolhava a emigração do de África e Médio Oriente para a Europa, e foi executada pelos «suspeitos do costume», como se diz no imortal Casablanca, o quinto evangelho, como é sabido.

Ninguém abordou de coisas sérias no campo económico-financeiro. Não foi só cá. Fala-se muito que a economia europeia não tem grandes empresas mas ninguém apontou uma solução para o caso. A estagnação económica da UE não foi sequer referida. O câmbio do Euro, que apenas é bom para a Alemanha (e talvez para a Holanda), foi esquecido. Por certo por pura ignorância. Relembremos que há uns anos, a Srª Marine Le Pen, a chefe do nacionalismo gaulês, quando queria retirar a França do Euro, propôs como câmbio um franco = um Deutsche Mark (DM). Antes do Euro eram três francos para um DM (três a puxar para o quatro). O câmbio da avançada pela soberanista Le Pen arruinaria a França de uma vergastada só. Mas a superpatriota francesa não tinha cabeça para propor um franco gaulês que valesse menos do que o marco germânico. Foi punida? Foi premiada, duplicou a percentagem de votantes. Nesta campanha eleitoral, o cabeça de lista socialista francês, Dr. Raphaël Glucksman, defendeu que haja um salário mínimo europeu no valor de dois terços do salário médio. Este afoito moço está a ser vendido aos franceses como um político inovador mas a sua única inovação é levar a política do bacalhau a pataco àquele fio de navalha onde o suicídio dá vontade de rir. A medida seria obviamente ruinosa, além de causar a perda do emprego do Sr. Arménio Carlos, que como secretário-geral da CGTP-Intersindical Nacional apareceria às massas trabalhadoras como um despudorado agente do capital. A medida exigiria também a ressurreição de Napoleão Buonaparte, para invadir de novo a Europa, pois o Parlamento Europeu não goza do poder de fixar os salários. Ah! O Bandido Corso teria que ser ressuscitado como vencedor. Valham-nos na conjuntura, que se não é perigosa é maçadora, estes momentos de humor involuntário.

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