Brexit: Método prático para Aumentarmos os nossos Fundos Europeus

Mercúrio, deus romano do comércio e dos negócios

É possível aumentarmos os fundos  da UE mesmo com o Brexit. Parece que não, pois a Inglaterra é um contribuinte líquido do orçamento da União Europeia (UE) e portanto esta disporá de menos fundos para distribuir.

Na circunstância, O Economista Português recorda uma lição do Doutor Francisco Pereira de Moura a propósito do êxito que tínhamos obtido nas negociações para a fundação da EFTA , a associação europeia de comércio livre . Como conseguíramos obter tanto? Moura respondeu: a nossa economia era pequena, o que para nós era muito dinheiro, era pouco para os restantes fundadores (Inglaterra, Suécia, Noruega, entre outros). Foi questão de sabermos negociar. Este coeficiente mantém-se, continuamos a contar pouco no contexto da UE, só que os nossos negociadores têm-no esquecido ou não se têm lembrado dele para fortalecer a nossa posição negocial.

Se soubermos equacioná-lo, não é de excluir que o Brexit nos permita aumentar a verba que recebemos da UE. Vejamos. Somos cerca de 3% do PIB da UE. Suponhamos que necessitamos que a UE nos dê adicionalmente 3% do nosso PIB, em cada ano. Como o nosso PIB é cerca de 3% do PIB europeu, umas contas apressadas e de cabeça dão que precisamos que a UE nos transfira por ano menos de um por cento do seu PIB. A verba não é estonteante. Não a tornaremos pública nem a unificaremos. Poucas pessoas saberão que ela existe. Desdobrá-la-emos pelas diferentes fontes da despesa da UE: Banco Central Europeu, Banco Europeu de Investimento, Política Agrícola Comum, Política de Pescas, etc. Há portugueses entre os melhores conhecedores dos arcanos do orçamento da UE e por certo ajudarão o Dr. António Costa a somar as diferentes parcelas até ao valor de que precisamos (acima mencionámos 3% de fundos europeus adicionais.

Quando o nosso governo tiver a soma feita, enviará um emissário qualificado a Paris e outro a Berlim, igualmente qualificado e igualmente discreto, propondo um compromisso político para que tais verbas nos sejam concedidas. Sempre com boa educação, esse emissário lembrará que os nossos interesses vitais são postos em causa pelo Brexit e insistirá o suficiente para que os seus dois interlocutores percebam que não está excluído o emprego do nosso veto (palavras que nunca será proferida). Outro emissário dará uma palavra boa em Londres para que nas negociações os ingleses não prejudiquem o seu mais velho aliado (que evidentemente estará disposto a dar algo por eles). O Sr. Primeiro Ministro verá como participar nesta manobra em que talvez ganhe e é certo que nunca perderá.

Resultado provável? Paris, Berlim, Londres darão. Porque darão o dinheiro dos outros a troco de algo para eles.

A confusão do Brexit ajudará.  O Brexit fará voar muito dinheiro e, quando o dinheiro voa, é mais fácil que mude de mãos. Se soubermos negociar, ele virá para as nossas famílias e para as nossas empresas

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