Aeroporto do Montijo: cuidado com a caça aos patos

O pato, a espécie mais ameaçada antes da construção do aeroporto do Montijo, ameaça defender-se

Termina hoje, 19 de setembro, o período de discussão publica do estudo de impacto ambiental sobre o aeroporto do Montijo. O Economista Português, que foi dos primeiros a defender essa localização, cionsidera seu dever comentar o estudo e sobretudo os comentários ao estudo.

O estudo de impacto ambioental já existe, aprova o aeroporto e propõer medidas corretivas. Não é de surpreender: já está em funcionamento um aeroporto no Montijo, no preciso local onde será construído o futuro, e não foram detetados fenómenos graves de destruição da natureza. O aumento da escala por certo não conduzitria a diferentes resultados.

Mas muitos escondem que já há um estudo de impacto ambiental autorizando a construção do aeroporto. Um candidato a primeiro-ministro, tido por responsável, pressupôs num dos recentes debates televisivos que tal estudo não existia ou , a existir era provável que fosse anulado. Outros preferem esquecer que j+a funciona um aeroporto no Montijo.

Um outro comentário ao estudo intitula-se «Salvem o Montijo». É o estilo dos manifestos franceses dos anos 1970 para salvar povos em revolta contra a opressão. Tal como eles, os seus signatários misturam alguns nomes de cientistas com os de personalidades mediáticas do nosso passado recente. O manifesto é serôdio. Os seus signatários só têm legitimidade científica nas suas áreas. As vedetas não têm a menor legitimidade técnica para comentarem, O estudo ambiental existente nunca +e analisado, O manifesto é um conjunto de afirmações dogmáticas. A sua atitude é aterrorizar o leitor: ha no Montijo «um milhão de voos por ano». Este estilo parolo e pseudocientífico é risível. Voos de que aves? Com que padrões? Basta que cento e vinte aves efetuem 70 voos por dia para atingir aquele milhão que nos atiram à cara como critério de decisão Que provincianismo pseudocientíficaç

O mesmo manifesto inclui outra ameaça: no ano 2100 o aeroporto do Montijo pode estar parcialmente inundado devido à subida das águas em todo o planeta. O Ministério das Infra-Estuturas respondeu que só planeia a 40 anos e neste período as pistas não serão submersas. Esta ameaça apoia-se num estudo académicosemico entre cujos autores esá um dos signatários do manifesto acima comentado. Só que este estudo não indica a probabilidade da ocorrência da inundação do aeroporto do Montijo daqui a mais de oitenta anos. Nem nos dá elementos que nos permitam reconstituir essa probabilidade. Por isso, talvez seja útil em termos académicos mas é inútil em termos de tomada de decisão. O estudo está acessível em

https://www.mdpi.com/2076-3263/9/5/239/htm

Estas intervenções não têm a menor valia científica face ao fim que defendem. Destinam-se apenas a criar um clima de alarme na opinião pública que leve a Agência Portuguesa do Ambiente a não homologar o estudo de impacto ambiental. No caso, O Economista Português defende a espécie , mais ameaçada:os patos. Que pagam impostos, apanharão o avião no Montijo e lêem atentamente manifestos que mostram meias verdades científicas com as vaidades de algumas (poucas) estrelas da televisão

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