Covid-19: O Grande Medo dos Portugueses

O gato assustado com o ratinho. Quem será ele?

O Economista Português tem navegado contra a corrente do situacionismo cinzento opondo à doutrina oficial sobre o Covid-19 uma teoria, de base científica e mais otimista: o novo corona vírus é relativamente benigno, o confinamento não tem base científica, devemos manter a economia a funcionar pois sem ela o Estado social em breve fechará as portas, com consequências catastróficas. Os mortos de Covid-19 no nosso país são em número inferior ao total de óbitos em dois dias sem epidemias. Mas este número irrisório foi suficiente para aterrorizar os nossos compatriotas e justificar o estado de emergência.

Os nossos compatriotas estão a atuar de um modo irracional. Os portugueses querem ser confinados para se salvarem. Querem arruinar a sua economia para serem ricos e viverem perpetuamente. Estes comportamentos irracionais são homólogos do suicídio. Os portugueses querem suicidar-se porque têm medo. Têm medo de quê? Têm medo porquê?

Os portugueses têm medo porque sentem uma culpabilidade difusa por maldades que não cometeram. Por terem sido colonizadores. Por não praticarem uma igualdade perfeita.

Os portugueses têm medo de ser invadidos. O leitor reparou que o noticiário sobre o novo coronavirus substituiu por completo o noticiário sobre a emigração clandestina do Médio Oriente para a União Europeia. Porque o Covid-19 é a figura do imigrante invasor: é estrangeiro, é invisível, é ameaçador e mata-nos. Na realidade nem os imigrantes nem o Covid-19 nos matam. Mas acreditamos que sim porque não acreditamos em nós.

A irracionalidade dos nossos concidadãos face ao Covid-19 leva-os a quererem sofrer para serem salvos. Vivem (na Páscoa) uma espécie de Páscoa sem Cristo nem Gólgota: salvam-se pelo sofrimento do desemprego e da prisão domiciliária. Vencerão o inimigo apenas por sofrerem. 

Esta atitude irracional prepara um regime autoritário. Se o risco de aumentar a nossa taxa de mortalidade num valor apenas simbólico justifica o presente estado de exceção, que não justificará uma ameaça real? Em Portugal hoje só há democratas constitucionais, dirá o leitor. Mas no 28 de Maio de 1926, quando começou o golpe militar que iniciou a caminhada que conduziu à autocracia do Estado Novo, só havia democratas: a maioria dos monárquicos eram liberais; mesmo os integralistas defendiam uma democracia orgânica; bispos, diretores gerais, generais, almirantes, professores universitários eram todos defensores e praticantes da democracia representativa. Quando a ameaça externa aumentou, viu-se o resultado. A irracionalidade com que hoje aplaudimos o autoritarismo sanitário sem base científica não é de bom agoiro.

Muito, talvez tudo o que acima fica dito é também aplicável aos outros países europeus e talvez até aos Estados Unidos. Mas tratemos primeiro da nossa própria casa.

O Economista Português deseja boa Páscoa confnada, com Deus ou com deus.

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