Economia pós Covid19: Sff surpreenda-nos, Engº A. Costa e Silva

António Costa e Silva

O Primeiro Ministro, Dr. António Costa, nomeou António Costa e Silva para pilotar a elaboração de recomendações para relançar a economia portuguesa depois do Covid19 (e dos fundos da União Europeia). O nomeado é engenheiro de minas, professor catedrático do Técnico, é matemático distinto (doutorado em modelos estocásticos) e a sua presidência da Partex, a petrolífera ex-Gulbenkian, celebrizou-o no nosso meio empresarial. Não está filiado em nenuum partido político, exceção que deve ser salientada por reparar (parcialmente) uma discriminação flagrante. Costa e Silva continuará na sua empresa e exerceráo cargo pro bono. O que é outra originalidade.

A nomeação é original, pela pessoa e pelo indefinido do escopo, que se adequa à situação de incerteza que hoje vivemos.

Apesar da originalidade corajosa da nomeação ela suscitou duas reações partidárias lamentáveis. A Drª Catarina Martins, leader do Bloco de Esquerda, declarou que não falaria com ele por não ser ministro. O CDS também censurou que não fosse um ministro mas admite falar com ele (o que não deixa de ser triste mas é menos pubertário). Estas reações são lamentáveis pois preferem a forma (o fulano é ministro?) ao fundo (que propostas nos apresentará?).

Sabemos pouco sobre o recente mandado do Engº Costa e silva. Tratará só dos novos fundos estruturais ou também da conjuntura? Como dará a palavra às empresas e associações empresariais? De que instrumentos de política económica terá poderes para deitar mão: só os fundos europeus (o que seria muito) ou também a política fiscal e o que nos resta de política monetária? Qual a duração do mandato? Será ele um think tank que nos dá novas ideias, a serem executadas por outrios (por exemplo: a siderurgia do manganés, que ontem referiu na RTP) ou estabelecerá com as empresas (e as associações empresariais) uma forma de colaboração? Quais são os seus diversos prazos, que a priori não parecem separáveis do que a União Europeia aprovará? Um jornal, que citava Costa e Silva, escrev: «a tarefa “levará meses” e abrange “sete ou oito objetivos estratégicos”: transportes ferroviários; infraestruturas portuárias; gestão de recursos de água; competências digitais das pequenas e médias empresas; reforço do investimento no sistema nacional de saúde; reconversão industrial; recursos endógenos; coesão territorial ou transição energética.». O que pareceria um regresso aos clusters, do tempo de Cavaco Silva e do M. Porter dos anos 1980. Mas também lembra a «planificação indicativa» das IV e V Repúblicas Francesa, que também tivemos com os Planos de Fomento do Estado Novo (e que o Secretariado T´écnico da Presidência do Conselho coordenou, primeiro pela mão do jurista Vasco da Cunha d’ Eça e depois pela batuta do economista João Salgueiro, que modernizou a estrutura do planeamento). Veremos.

O rabisco encarnadõ indica o nosso país: somo um pa+is pobre que imita o baixo crescimento economico dos países ricos Fonte: https://www.pordata.pt/en/Europe/Gross+Domestic+Product+(Euro)-1786

Seja como for, caiu no portátil do Eng.º A. Costa e Silva uma tarefa gigantesca: substituir o modelo económico de estagnação que o euro nos trouxe por um outro que nos traga crescimento económico, equuilíbrio orçamental e diminuição da dívid pública e empreesarial. O seu modelo dar-nos-á isto ou apenas ajudará a empandeirar os novos e previsivelmente goríssimos quadros comunitários de apoio? Conseguirá ele decobrir um o processo de impedir que as máquinas da corrupção se apoderem das novas patacas teutónicas que se dirigirão para as terras de Baco? Como o leitor sabe, tem sido a corrupção a destruir a racionalidade econóca destes fundos (que no essencial se converteram em prédios de rendimento espalhados pelo chamado interior (nomeadamente), carros de luxo e depósitos bancários em paraísos fiscais).

Na sua entrevista televisiva de ontem, A. Costa e Silva jogou com as cartas muito junto ao peito, propondo ideias não controversiais (mais betão para os nossos portos oceânicos) e evitando questões fraturantes (o sulfuroso TGV que hoje dá pelo nome de a bitola ferroviária europeia, o ritmo da descarbonização) ou outras questões horizontais que opõem diferentes lóbis (crédito à indústria transformadora, ligação das empresas produtoras à a investigação científica, poupança, mercado de capitais, pensões de reforma). Mas elogiou o papel das empresas na criação de riqueza, o que entre nós não é de somenos. Costa e Silva tem a reputação de ser um grande negociador e esta prudência releva por certo de tal característica. Esperemos que nos supreenda com projetos realistas e inovadores.

Atenção, caro leitoro: a inovação está a ser inovada. Ouvimos ontem Armin Laschet, o chefe do governo CDU da Renânia do Norte-Vestefália, o maior Land alemão, defender uma política de promoção de campeões europeus, para requalificar as nossas empresas no mercado mundial. Não está sozinho nessa posição. Será esta a nova moda (pois reformula numa música menos livre-cambista a articulação da proteção do mercado interno com o comércio internacional relativamente livre). A. Costa e Silva gostará desta música? Se houver cem campesapelo a que seja realizado com toda a competência e respeito pela obra.  europeus, procuraremos que dois (pelo meno) sejam portugueses ? Escrevemos dois por ser o que nos cabe em percentagem da população da UE27.

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