Regressa o TGV, regressam as tretas

Há dias, embrulhado nuns fracos artigos de propaganda de um talvez operacional Plano Nacional de Investimentos, surgiu um artigo a prometer-nos a viagem TGV Lisboa-Porto em uma hora e um quarto. Um jornal chacoteou: reproduziu a mesma promessa feita há uma geração.

A promessa é de gargalhada. Se o leitor pegar em papel e lápis, e partir do princípio que entre o Porto e Lisboa medeiam 350 km, verá que este TGV seria por certo o mais veloz do mundo, atingindo 466 km por cada 60 minutos.

Esta velocidade seria o dobro da atual. Estamos em pleno fetiche dos 400 km/hora: foi esta a promesa do TGV francês, promessa só cumprida em momentos de ponta. A média é mais baixa. Há anos, O Economista Português foi de TGV de Paris a Lyon numa viagem oficial e a média foi de 250 km/hora.

Chegou a hora de falar a sério do TGV. Enunciemos os factos. Portugal precisa dele para se ligar à Europa e não para ligar Lisboa ao Porto. Segundo facto: o nosso TGV devia ter sido o Pendolino, o Alfa Pendular. Terceiro facto: o Alfa não é o TGV porque devido a uma mistura de corrupção e incompetência não conseguimos que as linhas aguentem as velocidades pedidas pelo material circulante (as chulipas aguentam a velocidade de 135 km/hora no dia em que escrevemos, 12 de novembro de 2020). Vamos construir uma nova linha de TGV sem sabermos porque não sabemos construir linhas de TGV?

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