Um Economista Pouco Conhecido

Luís Salgado de Matos, o autor do blog, é hoje menos conhecido pela sua vertente económica e mais pelo lado politólogo – tem estudado o Estado, as Forças Armadas e a Igreja e publicou em 2011 o livro A Separação do Estado e da Igreja, editado pela Dom Quixote, do grupo Leya.

A seguir, registamos alguns aspectos dessa dimensão económica menos conhecida.

Formação Económica

1969 – Licenciatura em Direito, Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, tendo estudado Economia Política com o Prof. João Pinto da Costa Leite (Lumbrales),   e Moeda  com o Prof. Doutor Paulo Pitta e Cunha. Além de outras cadeiras de incidência económica: Finanças Públicas, com o prof. Soares Martinez, e Direito Fiscal.

Além da teoria da concorrência, o Prof. Lumbrales ensinou ao autor do blog a história do pensamento económico e os Principles, de Alfred Marshall, com diagrams e tudo. O Prof. Pitta e Cunha ensinou sobretudo moeda.

1970-1971 e 1971-1972 – Frequência do sexto ano do curso de Direito da Faculdade de Direito de Lisboa, opção Político-Económicas; nas matérias económicas, teve seminários do Prof. João Pinto da Costa Leite (Lumbrales), sendo assistente o então Doutor Paulo Pitta e Cunha; os seminários foram consagrados à concorrência oligopolista/imperfeita e ao direito da concorrência.

Luís Salgado de Matos beneficiou de vários tutores em materia económica. O Prof. Lumbrales, e em menor medida o Prof. Pitta e Cunha, foram os primeiros. Aprendeu muito com A. L. Sousa Franco, economia incluída, mas esta tutoria era mais vasta e mais profunda; por isso é apenas evocada na presente sede. O suplemento semanal «Economia & Técnica» do jornal A Capital , coordenado pelo Dr. Álvaro Salema, tinha como editorialista o Prof. Francisco Pereira de Moura  e por isso o autor teve ocasião de conviver com ele e com ele aprender.  Pereira de Moura explicou-lhe que era analfabeto quem não sabia matemática. O autor do blog acreditou e foi estudar os Elementos de Matemática para Economistas, de J. Schumpeter.  Por razões várias, o convívio foi menos prolongado do que o autor do blog desejaria. O convívio tem sido mais prolongado com o Dr. José da Silva Lopes pois começou na preparação do ciclo Lusitania Quo Vadis, na preparação da Cde de Lisboa de 1969, e ainda hoje continua; o Dr. J. Silva Lopes tentou explicar-lhe um certo número de verdades elementares da teoria económica; e foi uma espécie de Pascal: explicou-lhe que a organização social e o mundo são governados pelas probabilidades e pelo seu cálculo, entre outras lições de «demand management», política monetária  e equilíbrio orçamental.  Silva Lopes foi o mais importante dos seus tutores em economia: pelas afinidades, pela duração. Com três tutores tão sábios e tão sequazes de de tão diferentes teorias económicas, o leitor compreenderá a dificuldade do autor deste blog em atinar no que realmente é a talvez injustamente chamada «dismal science».

Funções económicas

1970-1973 – Colaborador do Dr. Álvaro Salema  no suplemento semanal «Economia & Técnica» do jornal A Capital e, depois, coordenador do dito suplemento.

1971-1973, 1975-1976 – Redactor e, depois, director de Jornal do Comércio.

Outubro de 1974 Março de 1975 –  Secretário de Estado da Economia do Governo de Transição de Moçambique, nomeado pela parte portuguesa.

1988-1989 –  Primeiro coordenador de O Jornal da Economia, suplemento económico do semanário O Jornal.

1998 2006 – Colunista do diário lisboeta Público, nas edições de segunda-feira, tendo publicado numerosos artigos sobre economia portuguesa e internacional.

Intervenções Públicas sobre Economia

1980 – Comunicação sobre o tema «Que Vias de Desenvolvimento?», no debate organizado pelo Centro de Estudos Socialistas (CES) e Reflexão e Acção Socialistas (RAS), a 12 de Abril, em Lisboa.

2000 – «As Matérias Primas Como Factor de Guerra», conferência ao curso de altos comandos do Instituto Superior de Estudos Militares (Isem), em Luanda, a 26 de Setembro de 2000 (curso organizado pela Flac – Fundação Luso-Africana para a Cultura).

2005 – Comunicação sobre Porto de Mós e a globalização, apresentada ao congresso Sete séculos de História – Porto de Mós, 17 e 18 de Junho de 2005.

Publicações  Económicas (Extraído da bibliografia; parcial)

  • · «À Procura de uma Política Industrial», Seara Nova, nº 1490, Dezembro de 1969, pp. 407-409.
  • · «Colóquio de Política Industrial Novas Perspectivas, Novas Certezas, Novas Incertezas», Seara Nova, nº 1494, Abril de 1970, pp.116-118 (ass. Fernando Mateus da Silva).
  • · «Uma introdução à lei de meios para 1971», Seara Nova, nº 1503, Janeiro de 1971, pp.6-8 (ass. Luís Amado de Passos).
  • · Investimentos Estrangeiros em Portugal Alguns Aspectos, Seara Nova, Lisboa, 1972, 350 pp.
  • · Com José Serras Gago, introdução a Bukharin, N., A Transição Socialista O Debate Soviético e o Caso Português, Lisboa, O Armazém das Letras, (1977) 154 pp.
  • · «Comment les Multinationales ont Aggravé la Crise», em Le Monde Diplomatique, Abril de 1977.
  • · «Continuidades na Política Industrial», A Luta, 18 de Outubro de 1978.
  • · «A Petroquímica é Socialista?», A Luta, 19 de Outubro de 1978.
  • · Comunicação sobre «Que Vias de Desenvolvimento», em Portugal, Que Vias de Desenvolvimento? Que Instituições?», debate organizado pelo Centro de Estudos Socialistas (Ces) e por Reflexão e Acção Socialistas (Ras), a 12 de Abril, de 1980, em Lisboa,  Ed. Afrontamento, Porto, 1980, pp.25-48.
  • · «Pela Região, Contra o Vício», sobre o livro de Miguel Caetano, J. P. Martins Barata, Maria do Céu Esteves, Vítor Pessoa, Regionalização e Poder Local em Portugal, Diário de Notícias Revista de Livros, 2 de Fevereiro de 1982.
  • · «O Regresso dos Juristas?», análise crítica do livro de A. L. Sousa Franco, Direito Financeiro e Finanças Públicas,  2 vols.,  Diário de Notícias Revista de Livros, 6 de Julho de 1983.
  • · Em colaboração com Ferreira, José Medeiros, «A evolução económico-social do 25 de Abril de 1974 à integração na CEE», pp. 140-166 em Ferreira, José Medeiros, Portugal em Transe, Vol. VIII da História de Portugal,  dirigida por José Mattoso, (1995).
  • · «Investimento estrangeiro», em Rosas, Fernando; Brito, J. M. Brandão de (organizadores), Dicionário de História do Estado Novo, Círculo de Leitores, 1996, vol. I.
  • · «Guerra Colonial Economia», em Afonso, Aniceto; Gomes, Carlos de Matos, Guerra Colonial Angola Guiné Moçambique, Diário de Notícias, (Lisboa), (1998), pp. 238-247.
  • · Mesa redonda sobre a Conferência Intergovernamental (CIG), Conselho Económico e Social, série Estudos e Documentos, Lisboa, Dezembro de 2000, (intervenção: p. 61 ss).
  • · “Desenvolvimento Português, Integração Europeia e Espaços da sua Convivência Histórica e Cultural”, participação a 13 de Janeiro de 2005, Instituto Superior Naval de Guerra, («Ciclo de Conferências de Estratégia); há publicação.
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12 responses to “Um Economista Pouco Conhecido

  1. Parabéns pela iniciativa.
    Fica à tua disposição o World Competitiveness Yearbook, se quiseres ver a evolução da posição de Portugal.
    Temos os dados de 2011 no próximo dia 19.

    Abraço.

    Eduardo

  2. Mário A Florentino

    Muitos parabéns por mais esta excelente iniciativa, caro Professor.

  3. parabéns, a última públicação ostava de ler (conheço algumas outras). A sugestão do Eduardo Cruz é boa…

  4. venha documento e o post 😉

  5. Parabéns pelo Blog, e que continue a ser um espaço de reflexão e bom humor.

  6. Só posso concordar com o Eduardo, com o Mário, com o Carlos e com o Pedro!
    Parabéns pela iniciativa, pelas suas características e qualidade!

  7. João Rebocho Pinto

    Notável. Pela forma como assume o essencial da relação “tutorial” com nomes grandes do pensamento económico português (e não só…), mas também pela pedagogia que emana da forma como apresenta o seu percurso na área.
    Talvez uma das poucas manifestações relativamente recentes de alguém que parece (ao contrário de muitos outros…) não ter esquecido que a economia é, antes de mais, uma ciência social.
    Tivesse eu estatuto para lhe dar parabéns, não deixaria de o fazer! Como não tenho, limito-me a dizer “notável” e a agradecer a sua iniciativa e as suas evidentes qualidades humanistas.

  8. Vou aprendendo muito com o seu Blog…porém a estória dos 84% de corrupção não está, segundo diz, conforme a lógica. Era muito bom que 42% de empresas ganhassem concursos à custa da corrupção. O problema é que além da corrupção do estado são sempre as mesmas empresas a ser corrompidas ou a corromper. Portanto aos 42% o máximo que poderá somar são uns 2% ou 3%. Vou continuando por aqui. Cumps.

  9. Caríssimo, de facto existem ideias muito interessantes neste blog, mas tenha cuidado com a utilização do Acordo Ortográfico, pois já vi por aqui palavras como “corrução” e “corruto”, que nem sequer existem no Brasil. Vivo saudar!

  10. Caro amigo Salgado, se assim o posso tratar. Não tenho um curriculum tão vasto, mas interesso-me pelos seus assuntos e com a sua visão sádia sobre os mesmos.
    Sou fã desde o primeiro momento que tive conhecimento.
    Peço que me desculpe que utilize alguns dos seus posts nos meus blogues para dar a conhecer ao Mundo e a muitos interessados o que não lêem na mídia portuguesa e ficarem com uma ideia isenta e rigorosa sobre assuntos que publica
    Meus parabéns.
    Pereira da Costa

  11. O Economista Português agradece

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