Category Archives: Uncategorized

A Catalunha entre o 11 de Setembro, Cantinflas e a Globalização

CurdistãoMapa

Uma comissão secreta da Catalunha estuda a relocalização do território  após o fracasso do referendo independentista

A   Catalunha talvez declare hoje a sua independência mas ninguém duvida que será a independência de Mário Cantinflas. Na realidade, a Catalunha não será independente, porque nem os catalães nem os outros espanhóis querem. Se os catalães não forem pedir os documentos alfandegários a Madrid, em breve ficarão sem petróleo e não poderão exportar nada no mercado legal.  Os bancos da Catalunha independente não terão acesso aos créditos do Banco Central Europeu. Lembra o putsch de Kapp na Alemanha de Weimar, em 1920: o governo mandou cortar a água e a eletricidade aos putschistas, que se renderam. A globalização funciona na Catalunha  e os independentistas curdocatalães estão condenados a tentarem uma cómica escalada para a guerra civil cómica ou a regressarem a suas casas.e à apagada vida que antes os entretinha Tudo isto era previsível e foi previsto.  Os curdocatalães repararam nisso quando as mais emblemáticas empresas locais (o banco Sabadell, La Caixa, etc) começaram a abandonar o futuro El Dorado, embora a maioria das multinacionais ainda lá permaneça. Talvez o Sr. Puigmont declare uma independência que não é uma independência mas um desejo de independência futura. Passaria assim de um filme Mário Cantinflas para uma comédia superior de Groucho Marx. Os catalães (e os outros espanhóies) reagiram. A guerra civil na Catalunha falhou, só vale a pena vermos as notícias para escolhermos entre Cantinflas e Groucjo.

Restam porém algumas perguntas:

  • Como foi lícito começar a estabelecer-se um Estado totalitário dentro da União Europeia? Acontecerásnoutros semiprotetorados?  O leitor reparou que a manifestação do fim de semana em Barcelona só foi possível com apoio exterior à Catalunha, pois os independentistas tinham reduzido ao silêncio por meios pacíficos seus opositores. Ora os independentistas são, segundo o seu próprio referendo, não mais que 36% do corpo eleitoral da Catalunha.  É o parlamentarismo catalão e em geral espanhol que dá menos garantias do que o semipresidencialismo?
  • Como foi possível uma elite política de formação europeia cair no patamar de de análise política do Curdistão (que promoveu em paralelo outro referendo independentista falhado) e não perceber que o 11 de setembro significava o fim dos irredentismos no Ocidente? O IRA e a ETA perceberam.
  • Como foi possível essa elite não perceber que a França, a braços com os independentistas corsos e bretões, ou a Itália com a Padania, nunca aceitariam a independência da Catalunha, para não falarmos da Bélgica sempre à beira da morte por etnocídio e da Alemanha sempre politicamente frágil?  Estes Estados recusam  o curdocatalanismo por razões nacionais e não por razões europeias. Até o governo da Escócia recusa a ilegalidade da independência curdocatalã.
  • Como foi possível essa elite culta e simpática não perceber que o Caudillo já entregou a alma ao Criador e a simpatia da Europa democrática pelo autonomismo antifalangista catalão não se repete face a um independentismo pré totalitário curdocatalão dentro de uma Espanha que é um Estado de Direito?

Mesmo que Rajoy não perceba que, para lá de ser primeiro ministro de Espanha,   é um personagem involuntário de uma independência Groucho Marx (ou Mário Cantinflas), e resolva premiar os curdocatalães com alguns mártires de papelão, a realidade impor-se-á. A transição independentista tem hoje a sua lógica própria: a globalização  rejeita alterações revolucionárias ao statu quo. «It’s the economy, stupid», mas a um nível civilizacional e não só eleitoral. A globalização não mente.

Anúncios

Eleições alemãs: UE sem rumo,  Berlim em Weimarização lenta

 Weimar

As eleições alemãs votarão a ser assim (cartaz eleitoral anterior à vitória nazi)

As eleições legislativas deixaram ontem a Alemanha sem direção e paralisam a União Europeia. CDU perdeu mais de sete pontos percentuais, sob a direção da Srª Merkel, e levou a sua aliada CS (bávara) para perdas mais ligeiras.  Der Spiegel titulou começou por titular perdeu as eleições. O SPD (socialdemocrata) teve o seu pior resultado do após guerra, mas ninguém  em seu juízo perfeito esperava dele fosse o que fosse.

O grande vencedor é AfD, classificado de populista pelos media oficiais, e que defende o fim da União Europeia. Alcançou 13% dos votos, quando estava a zero nas eleições federais. A Srª Merkel entrará na história como a ex-comunista que levou a extrema direita de regresso ao Parlamento de Berlim. A Sr.ª Merkjel tentou demonizá-la e levou-a ao poder. A imprensa internacional é unânime a sublinhar que a votação do AfD menoriza a CDU.  Oclima de preocupaçãoépouco intensomas é generalizado. Ontem, a ainda chancelarina confessou: «esperava melhor».

Por certo haverá alguma  Weimerização da Alemanha: o centro não consegue governar e não há nem uma coligação de esquerda nem uma de direita que tome as rédeas do governo. Merkel perde à esquerda para o AfD e à direita para os liberais, que regressam ao Bundestag numa posição de força, com um décimo dos votos. Ontem vimos manifestações em Berlim contra o AfD. Em breve veremos contramanifestações da Afd contra a esquerda que se lhe opõe (e que se opõe aos resultados eleitorais, presume-se que em nome do antifascismo). A Alemanha corre o risco de se bipolarizar. O governo é «um desafio?», titula La Stampaim,,de -turim.  Já se  fala em eleições antecipadas, apesar da pouco convincente garantia de coligação, ontem produzida pela Srª Merkel. Esta pressionará o SPD a voltar a uma aliança suícída.  Conseguirá?  A alternativa para a CDU é conseguir uma aliança simultânea com os V«erdes (esquerda) e os Liberais (direita).

A França do Sr. Macron está preocupada: o federalismo assimétrico alemão deixará de tolerar s fuga para a frente do orçamento federal.  E o novo ministro das Finanças de Berlim obrigará o seu colega de Paris a respeitar as metas, como se fosse um Estado—Membro da EU. Nós por cá, se não mudarmos de posicionamento d«e de dispositivo na UE , teremos dificuldades crescentes.

Juncker: A Defesa do Federalismo dos Credores

 

 MapaEspanhaBulgária

Eis o novo mapa político da União Europeia: vai da Espanha à Bulgária. Disse ontem sem rir o Sr. Juncker. Estará a preparar-se um novo Portugal, que também já foi do Minho a Timor?

Um futuro róseo para a União Europeia (EU)  foi o retrato ontem desenhado pelo Sr.Juncker, presidente da Comissão Europeia, no discurso abusivamente chamado do Estado da União (esta cópia dos costumes dos Estados Unidos devia ser atribuída ao  discurso do presidente do Conselho Europeu). O luxemburguês, que apenas tem à frente mais um ano completo no seu mandato, propôs : o Presidente da UE eleito por sufrágio direto e universal,   um ministro das Finanças para a Zona Euro; recusou a proposta de um Parlamento só para a Eurozona, há dias apresentado pelo presidente francês, o Sr. Macron; afastou a Turquia e abriu as portas à entrada dos países balcânicos.

O Financial Times  trata Juncker de «romântico.  O seu otimismo é de fantasia:

* A UE está enfraquecida pela saída da Inglaterra (esta também se enfraquecem. O Brexit é um jogo em que perdem todos os jogadores, como no casino)

* A UE está em conflito com a Rússia e tem fronteiras instáveis a leste

* A UE prepara-se para se afastar dos Estados Unidos, ficando indefesa e tendo ao mesmo tempo dois inimigos, por acaso os grandes vencedores da Segunda Guerra Mundial

* A UE não consegue enfrentar a invasão pacífica oriunda de África e do Médio Oriente

* A UE não consolidou o Euro nem resolveuo problema da dívida, agravou-o

* A UE não resolveu o problema do emprego e do crescimento económico

* A UE não consegue elaborar uma base política e psicológica para combater o terrorismo fundamentalista islâmico.

* O problema do chamado populismo está atenuado mas não foi resolvido. Parece provável que a AfD, os populistas alemães, conquistem pela primeira vez lugares no Bundestag.

Juncker vê nisto tudo «uma janela de oportunidade». Temos homem. É de fato ym discurso de  é no essencial um momento da campanha eleitoral da chancelarina Merkel:  quando ao fundo (recusa das propostas de Macron, recusa da Turquia, recusa do ditretório, recusa da Europa a duas velocidades).  Curiosamente, o orador não conseguiu abordas as questão da defesa e  segurança europeia. O Sr. Juncker deixa o assunto por conta do Presidente Trump? A nudez forte da verdade da segurança europeia não convinha à campanha eleitoral da Sr.ª Merkel.

O discurso de Juncker é a propaganda do federalismo dos credores. Haverá um ministro das Finanças Comum para a Eurozomna, mas não haverá um mimistro comum do Emprego e da Solidariedade Social. Eleger por sufrágio universal o presidente da Comissão Europeia (a Comissão de Bruxelas) é transformar o Primeiro Ministro de qualquer Estado membro ou o Presidente da República em subordinados dele. A maioria dos votantes da UE são credores. Por isso, convém-lhes enfraquecer  os Estados nacionais onde surgem de vez em quando custosas revoltas (Grécia, Inglaterra, Polónia, Hungria). O leitor dirá que esse federalismo é democrático? Se a eleição do Estados Gerais da Revolução Francesa tivesse decorrido apenas em Versalhes, a nobreza teria ganho: em Versalhes havia mais nobres do que criados. Na UE há mais credores do que devedores.

Se o leitor duvida, gaste um segundo a ver os números. Com efeito, a população dos país credores da UE (Bélgica, Alemanha, Irlanda, França, Itália, Luxemburgo, Holanda, Áustria, Finlândia, Suécia) são 267 milhões de um total de 445 milhões (já sem a Inglaterra). Os credores são 60% da população da UE.

Os credores não só têm a força do número: tem os mecanismos do crédito e os dirigem os partidos políticos europeus, O federalismo dos credores é assimétrico e não é democrático. Se este federalismo é democrático, o seu inspirador, o Príncipe Bismark, foi um precursor da democracia Na UE de Bruxelas-Berlim, os interesses dos devedores são defendidos pelos Estados-membros e não pelo federalismo.

InfraEstruturas: O Primeiro Ministro equivoca-se ou ganha tempo?

Rotundas

Alcançaremos a «convergência real» com a União Europeia graças a um Plano de rotundas?

O Sr. Primeiro Ministro decidiu solenizar a apresentação de um desconhecido Plano Nacional de Infraestruturas aos parceiros sociais reunindo a Concertação social na sala do Senado da Assembleia da República.  Assim promovidos a câmara alta do regime, os parceiros sociais terão por certo ouvido com benevolência a apresentação de um plano por ora desconhecido, pois só será apresentado depois das autárquicas.

Algumas das palavras ontem proferidas pelo Dr. António Costa sugerem reflexão:

  • Precisamos de um Plano Nacional de Infraestruturas? A designação lembra os planos quinquenais soviéticos. O nome do Plano cheira a engenheiro, a rotundas, a dinossauros do betão, e esquece a economia: interessaria mais baixar a fatura portuária do que construir a segunda autoestrada Castelo-Branco – Vilar Formoso. Temos que apanhar a revolução informática e robótica, Nas infraestruturas  tradicionais, só nos falta a ligação ferroviária em bitola larga  entre Sines e Badajós mas esta só será necessária se houver condições geoestratégicas e empresariais para a operação portuária em Sines subir de escalão;
  • Foi afirmada a continuada « a dificuldade do financiamento por parte do crédito ». A afirmação é surpreendente. Portugal efetuou a chamada «saída limpa» do plano de emergência e continua a não conseguir crédito? O governo desistiu vencer as agências de «rating» e de conseguir pleno acesso ao mercado financeiro internacional? Não sobreinterpretemos, mas esta declaração é inquietante. Aguardemos esclarecimentos.
  • Foi anunciado que a negociação do próximo quadro comunitário de apoio será mais «exigente» que o nosso país tem que «estar preparado». O Economista Português concorda com tudo o que seja melhorar a nossa capacidade negocial face a Bruxeçlas-Berlim mas interroga-se se não estaremos apenas perante a deflação dasnossas  expetativas face ao buraco financeiro que a saída da Inglaterra deixa no orçamento da União Europeia. Veremos.
  • Foi afirmado que as obras públicas requerem um consenso alargado  pois comprometem as gerações futuras. O argumento é luzido mas   não colhe: a unanimidade, ou a maioria qualificada, a existirem, serão de hoje e de hoje apenas. As opções de hoje serão ou não aprovadas pelas gerações futuras. O argumento é falacioso quanto ao fundo: pois nada há na maioria qualificada que nos garanta que com ela escolhemos os bons investimentos Para o demonstrar basta-nos olhar para os elefantes brancos, grandes e pequenos, nacionais e locais,  aprovados por sucessivas maiorias qualificadas nos anteriores quadros comunitários de apoio.. O Presidente Franklin D. Roosevelt decidiu por maioria simples, contra a furiosa oposição dos Republicanos, o que ainda hoje é a mais emblemática infraestrutura pública: a TVA, as barragens do vale do rio Tennessy. O presente pedido da maioria qualificada cai bem na opinião pública, ao que rezam as sondagens, e é uma boa bola para as eleições autárquicas do mês que vem. Só por si, não implica irracionalidade da obra pública futura.
  • Merece aplauso o propósito, demasiado velado embora, de voltar à nossa convergência real com a média da União Europeia. Ficou porém por esclarecer o papel do Plano Bidecenal de Elefantes Brancos nesse louvável desiderato.

Crédito malparado: A Indústria Esquecida?

BelaeoMonstro

O desenho acima retrata toscamente embora  a alma do nosso governo: a banca (à esquerda, de amarelo) e a indústria, agricultura, pesca, serviços, etc. (à direita, de azul)

Uma fuga de informação dirigida pelo Governo revelava ontem que o Executivo voltou a falar desse rio do deserto chamado Banco de Investimentos, que seria financiado pelos nossos credores para nos ajudar no nosso desenvolvimento. Por isso nunca viu a luz do dia.

A notícia fugada apenas diz que o tal banco nasceria para financiar o malparado do BCP, Caixa Geral de Depósitos e Novo Banco. Não explica a origem dos fundos refinanciadores do malparado nem como eles serão aplicados nem em que condições.

O frete jornalístico será uma brincadeira própria da quadra orçamental?

O Economista Português tem o maior gosto em comentar este «balão de ensaio» disfarçado de notícia:

  • Trata-se de ajudar a banca, esquecendo a indústria, a agricultura, a pesca (se ainda há) e os serviços
  • Aliviar a banca é bom, mas não garante que haja um aumento do crédito ao investimento produtivo, que era precisamente a missão do tal banco nem resolve os casos de empresas  com dívidas vencidas e renovadas pela banca e que seriam recuperáveis com algum dinheiro fresco
  • O governo prometeu que não haveria dinheiro do contribuinte nesse refinanciamento; o que exclui o Banco de Portugal pois, se assim gastar o seu pecúlio, diminuirá os lucros que entrega ao Estado o que obrigará ou à diminuição das despesas públicas ou ao aumento de impostos
  • O governo parece acreditar que Bruxelas-Berlim o autorizarão a financiar apenas bancos de capital português ainda por resolver (isto é: que ainda não foram levados à falência). Que sonho.

Bolsas de investigação: Bruxelas prejudica Ciência portuguesa

BolsasCienciaUE

Portugal recebe cinco bolsas para jovens investigadores científicos e devia receber oito. Devia receber oito se fosse aplicado o critério habitual: a  população portuguesa em percentagem do total  da União Europeia (UE). Somos cerca de dez milhões em cerca de 500. Para mais, um dos nossos beneficiados não é português nem sequer cidadão da UE.  Em bom rigor, recebemos metade daquilo a que tínhamos direito. As bolsas são vultosas pois destinam-se a constituir equipas de investigação (aumentando assim as expetativas futuras sobre o orçamento português). A política da UE para a investigação científica sempre prejudicou os portugueses. Continuamos à espera de um governo que defenda os nossos direitos neste campo crucial. As bolsas em apreço foram atribuídas pelo assim chamado Conselho Europeu de Investigação.

Trabalho Destacado na UE: Macron Ataca-nos > Defendemo-nos?

SaláriosUE

Nota: valores obtidos pela divisão dos salários na contabilidade nacional de cada país pelo número de assalariados. Para mais informações metodológicas, ver a fonte. > Fonte: https://data.oecd.org/earnwage/average-wages.htm

O Sr. Emmanuel Macron, Presidente da República em França, propõe-se piorar até outubro a diretiva  sobre o destacamento de trabalhadores, diminuindo o número de anos de duração autorizado as empresas a pagarem o salário nos países de destino e apertando a fiscalização. Anda pela Europa de Leste a tentar persuadir os países do grupo de Visogrado: teve êxito na Eslováquia, ignoramos a posição checa, a Hungria, a Polónia e a Roménia rejeitam. E o nosso governo como se posiciona? Ninguém sabe.

A questão é pertinente: Portugal é o país com mais trabalhadores destacados em França , depois da Polónia e da Roménia. Em proporção da população somos os primeiros. A diretiva interessa por isso os países com salários mais baixos  Se a oferta de trabalho destacado na União Europeia  (EU),,  aumentará o desemprego no nosso país.

O regime de destacamento da UE interessa sobretudo os países de mais baixos salários.  Para o verificarmos, basta c ver a posição daqueles três países no gráfico acoima, que mostra os salários anuais na UE  A França está convencida que os seus patrões  não pagam os salários franceses aos assalariados portugueses:  pensa que paga menos. É a lógica de criminalizar os empresários, à qual agora e inesperadamente adere o empresáriozinho Macron. Talvez isso aconteça, mas a França nunca se deu à maçada de provar essa tese. Sucede que as contribuições patronais obrigatórias por assalariado são mais altas em França: 31%, contra 22% em Portugal e na Polónia, 25 na Roménia (dados de 2009). Esta diferença basta para explicar racionalmente  que os patrões franceses  queiram aumentar estes destacamentos. Para os assalariados, nem vale a pena explicar: os seus vencimentos mais do que dobram.  Anotemos que estes destacamentos são odiados pelos sindicatos franceses.

A própria existência do trabalho destacado mostra a hipocrisia das regras da UE.  A liberdade de circulação de trabalhadores é uma das três liberdades básicas, ao lado das de circulação de capitais e de mercadorias. Se houvesse liberdade de circulação de trabalhadores, tal diretiva seria desnecessária. Mas não há: os Estados-membros, aliados aos respetivos sindicatos, dificultam a circulação de trabalhadores oriundos, sobretudo na França, Alemanha, Bélgica, Holanda, Dinamarca, Áustria.

O destacamento UE é uma das raras medidas de liberalização do mercado de trabalho dos países de altos salários. Por isso Berlim o consente e promove.  É uma válvula de segurança no protecionismo europeu. O Sr. Macron foi eleito com um programa de liberalização do mercado de trabalho, que em geral está a tentar cumprir. Devia por isso propor o alargamento do âmbito de aplicação do destacamento. Porque viola os seus princípios? O Sr. Macron comprometeu-se a aprovar a liberalização das leis laborais francesas e não tem nada para dar aos sindicatos. De momento, todas as centrais sindicais estão contra ele., o que será politicamente insustentável, quando a sua popularidade pessoal já caiu para 34%. Procura em casa dos outros as pratas com que pagará as suas dívidas.  Como não lhe convém invocar esta triste realidade, foi ao leste europeu invocar os grandes princípios: o destacamento é «uma traição a ideal europeu». A avaliar pela imprensa e pela televisão francesas, não cuidou de especificar o ideal violado. O da livre circulação não é com certeza. Compreende-se que o Sr. Macron de acuse a UE inteira de violar os seus princípios: ele viola os dele. É uma banal projeção freudiana.

Sabemos que o Sr. Macron está disposto a pagar esta retirada de direitos: ofereceu aos romenos a entrada no espaço Schengen e a discussão do transporte rodoviário de mercadorias. Nós já apresentámos a nossa conta ou em alternativa procurámos formar uma minoria de bloqueio? 

 

Mais informações sobre este destacamento UE:

http://www.act.gov.pt/(pt-PT)/CentroInformacao/DestacamentoTrabalhadores/Vai%20trabalhar%20destacado%20Vai%20trabalhar%20destacado%20para%20o%20estrangeiro/Paginas/default.aspx