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Regionalização> Subsídios às Câmaras não combatem Desemprego

Os subsídios do Estado às Câmaras não diminuiem o desemprego (pintura de Francis de Erdely)

A correlação linear entre os desempregados e os subsídios do Estado às Câmaras não afeta o volume de desemprego de maneira estatisticamente significativa. O coeficiente de correlação é de 0,2 para um máximo de 1. Este resultado é paradoxal: subsidiamos as Câmaras para que o interior seja próspero e não há prosperidade sem emprego. Mas este subsídio não tem efeito algum sobe o emprego.

Considerámos os subsídios aos concelhos do Continente cuja poder de compra por habitante em 2018 foi inferior a quatro quintos da média do Continente. Não tivemos em conta Vizela e Trofa. Obtivemos um universo de 158 Câmaras cuja lista consta da tabela final, com os valores dos respetivos subsídios e de desemprego. Obtivemos estes valores na excelente página Municípios do Pordata na WEB. Grosso modo, são os municípios da interioridade. Usámos as duas seguintes séries, ambas para 2018: Transferências correntes e de capital recebidas pelas câmaras municipais em % do total das receitas e Desempregados inscritos nos centros de emprego e de formação profissional no total da população residente com 15 a 64 ano.

O facto de a correlação ser positiva sugere um absurdo: quanto mais subsidiamos os as câmaras, mais aumenta o desemprego. Este absurdo decorre da mecânica da Lei das Finanças Locais: sabemos que os subsídios dela vão privilegiam os municípios mais pobres e são estes que geram menos emprego. O baixo poder de compra por habitante é o fator oculto. Com efeito, o nosso coeficiente de correlação não entra num modelo que explique a causa do desemprego nos municípios portugueses. Entra sim noutro modelo: os subsídios ao abrigo daquela Lei vão de par com o aumento de emprego? A resposta é inequívoca: não vão.

Como os municípios são o soclo da propagandeada regionalização, temos a certeza que ela, a ser, será inútil para melhorar avida dos portugueses – sobretudo dos portugueses vivendo nos municípios de menor poder de compra.

Por agora estamos descansados quanto à regionalização pois o Dr. António Costa e o Prof. Marcelo Rebelo de Sousa, detentores dos dois mais elevados cargos no nosso Executivo, não a querem. Mas Costa, um homem com amor à vida, confirmou que todos temos um buraco negro algures no cérebro: declarou-se regionalista há vinte anos. Esta frase só merece uma resposta; isso foi antes da globalização e, se quiser ser um governante do século XXI, ainda está a tempo de mudar essa opinião novecentista. «Só os burros não mudam de ideias», disse o Eng.º Francisco da Cunha Leal, um tenaz opositor a Salazar, e o Dr. António Costa é tudo menos burro.

Subsídios do Estado às Câmaras e desempregados em Municípios do Continente com poder de compra individual inferior a 80% da média


Subsídios do Estado às Câmaras em % da receita destasDesempregados em % da população
Arcos de Valdevez69.24.1
          Caminha45.13.8
          Melgaço732.9
          Monção63.63.1
          Paredes de Coura79.73.1
          Ponte da Barca75.83.6
          Ponte de Lima59.72.9
Amares64.64.6
          Barcelos50.82.9
          Terras de Bouro76.66.9
          Vila Verde56.54.1
          Cabeceiras de Basto69.77.4
          Fafe62.16.5
          Mondim de Basto817.1
          Póvoa de Lanhoso62.46
          Vieira do Minho70.28
          Arouca67.43.3
          Paredes50.36.3
          Boticas785.5
          Chaves51.56.8
          Montalegre71.35.9
          Ribeira de Pena59.27.5
          Valpaços71.87
          Vila Pouca de Aguiar65.87.1
Amarante61.26.9
          Baião78.18.7
          Castelo de Paiva65.47.7
          Celorico de Basto72.56.7
          Cinfães81.88.5
          Lousada53.44.7
          Marco de Canaveses62.47.8
          Paços de Ferreira54.45.3
          Penafiel585.8
          Resende69.110.5
          Alijó68.89.3
          Armamar74.47.3
          Carrazeda de Ansiães80.48.2
          Freixo de Espada à Cinta82.710
          Mesão Frio75.811.2
          Moimenta da Beira65.910.3
          Murça80.810.5
          Penedono796
          Sabrosa75.18
          Santa Marta de Penaguião75.210.4
          São João da Pesqueira74.84.4
          Sernancelhe73.86.6
          Tabuaço75.710.3
          Tarouca73.710
          Torre de Moncorvo75.88.2
          Vila Nova de Foz Côa74.55.3
          Alfândega da Fé72.79.8
          Macedo de Cavaleiros67.77
          Miranda do Douro72.74.7
          Mogadouro79.27.3
          Vila Flor80.49.3
          Vimioso84.46.5
          Vinhais83.68.1
          Cadaval55.93.7
          Lourinhã33.13.8
          Óbidos31.93.1
          Anadia51.23.2
          Murtosa62.22.8
          Oliveira do Bairro56.63.2
          Sever do Vouga70.33.2
          Vagos51.73
          Arganil60.35.7
          Cantanhede47.43.8
          Condeixa-a-Nova46.43
          Góis75.26
          Mira55.24.6
          Miranda do Corvo56.83.7
          Montemor-o-Velho54.55.1
          Mortágua65.92.8
          Oliveira do Hospital60.55.1
          Pampilhosa da Serra90.84.8
          Penacova66.33.3
          Penela72.63.1
          Soure65.34.2
          Tábua70.75
          Vila Nova de Poiares59.44.4
          Alvaiázere65.63.8
          Ansião62.13.9
          Castanheira de Pêra75.87.1
          Figueiró dos Vinhos78.95.3
          Pedrógão Grande77.85.7
          Aguiar da Beira76.65.2
          Carregal do Sal70.54.1
          Castro Daire77.38.5
          Nelas58.15.3
          Oliveira de Frades64.74.5
          Penalva do Castelo796.7
          Santa Comba Dão59.14.7
          São Pedro do Sul65.66.8
          Sátão67.36.4
          Tondela61.63.4
          Vila Nova de Paiva76.57.1
          Vouzela67.15.4
          Idanha-a-Nova75.39.7
          Oleiros81.43.7
          Penamacor796.5
          Proença-a-Nova724.6
          Vila Velha de Ródão70.23.9
          Ferreira do Zêzere63.13
          Mação79.94.4
          Sardoal77.15.4
          Sertã664.6
          Vila de Rei83.22.6
          Vila Nova da Barquinha68.73.5
          Almeida74.44.5
          Belmonte70.36.7
          Celorico da Beira735.2
          Figueira de Castelo Rodrigo82.96.4
          Fornos de Algodres74.25.4
          Fundão57.65.6
          Gouveia71.36.4
          Manteigas78.55.3
          Mêda77.52.9
          Pinhel753.3
          Sabugal70.35
          Seia565.6
          Trancoso79.83.4
          Almodôvar80.45.2
          Alvito70.13.8
          Barrancos89.712
          Cuba66.65.9
          Ferreira do Alentejo70.14.7
          Mértola827.2
          Moura71.111.4
          Ourique81.15.4
          Serpa72.27.6
          Vidigueira708.9
          Alpiarça634
          Chamusca76.43.4
          Coruche70.16.5
          Salvaterra de Magos61.36.7
          Alter do Chão76.97
          Arronches86.65
          Avis78.95.2
          Crato78.56.9
          Fronteira77.77.3
          Gavião76.55.7
          Marvão77.44.6
          Monforte8411.6
          Nisa76.85.7
          Sousel74.35.6
          Alandroal73.45.4
          Arraiolos743.9
          Borba65.25.2
          Mourão74.311.9
          Portel80.15.7
          Redondo70.35.6
          Viana do Alentejo71.25.2
          Alcoutim85.33.8
          Aljezur45.84.3
          Castro Marim37.24
          Monchique77.26.2
          Silves334.2
          Vila do Bispo26.44.6

Fontes das séries dos dados acima

https://www.pordata.pt/Municipios/Transfer%c3%aancias+correntes+e+de+capital+recebidas+pelas+c%c3%a2maras+municipais+em+percentagem+do+total+das+receitas-607

https://www.pordata.pt/Municipios/Desempregados+inscritos+nos+centros+de+emprego+e+de+forma%c3%a7%c3%a3o+profissional+no+total+da+popula%c3%a7%c3%a3o+residente+com+15+a+64+anos+(percentagem)-592

Delação premiada: Obrigado, Dr.ª Francisca Van Dunem

Dr.ª Francisca Van Dunem

A «delação premiada» integra um conjunto de medida de combate à corrupção, anunciadas pela Ministra da Justiça, Dr.ª Francisca Van Dunem. As medidas apenas são conhecidas por um take da Lusa. Começarão por ser aprofundadas por um grupo de trabalho, há dias anunciado.

A chamada«delação assistida» não é a panaceia universal do combate à corrupção mas é um elemento indispensável para a reduzir e manter os corruptos à defesa. Diz bem da sua eficácia penal que o Primeiro Ministro de Israel, popularmente conhecido por Bibi, só graças à delação premiada tenha sido levado a julgamento. A nossa corrupção internacionalmente percecionada tem crescido nos últimos anos e a nossa economia (assim com a nossa moral) exige que o combate à corrupção seja tomado a sério.

Por isso O Economista Português agradece à Dr. Van Dunen que teve a coragem e a lucidez de tomar a medida. Quando foi ministro da Justiça, foi seu S. João Batista o Dr. José Vera Jardim, que já a tinha introduzido, ainda que de modo muitíssimo prudentíssimo. Parece que nunca saltou da letra da leia para prender um corrupto.

O Economista Português espera daqui a uns meses estender estes agradecimentos ao Dr. António Costa, sem o qual a medida agora anunciada não verá a luz do dia e que deve estar preparado para todas as pressões destinadas a evitá-la.

A medida será por certo muito discutida, e o governo sabe disso, o que é bom. Tudo quanto é corrupto ou corruptível invocarás a defesa mais extreme dos mais sagrados direitos. Mas o processo legislativo da nossa delação premiada podia ter começado pior. Um cidadão que a TV apresentava como representante da Ordem dos Advogados ou mesmo dos advogados balbuciou palavras confusas, condenando um diploma legal que desconhece, por ainda não existir, revelando não perceber que esse instituto aumentará a clientela dos advogados. mas, ao que contou a mesma TV a coisa pode passar pois a dita Ordem apenas está sentida por não integrar o grupo de trabalho. Os Procuradores da República estão â espera do orçamento (ao que dizem os seus representantes) e por isso (ao que reza a deusa TV) não se pronunciaram, mas não condenaram, o que é bom sem ser ótimo. Os juízes aprovaram a medida e esclareceram (com toda a razão) que que concluirá os acordos com os delatores será o Ministério Público.

Caso BES: Fumarada de Corrupção na Venda da Tranquilidade pelo Novo Banco

Costa, António foi atingido (e eleitoralmente prejudicado) pelas manifestações dos lesados do BES. A Tranquilidade, vendida sem corrupção, teria sido suficiente para pagar o triplo das indemnizações (reclamadas) pelos lesados do BES e recentemente publicitadas.

Carlos Costa, o governador do Banco de Portugal (BdP) que destruiu o BES, parece ser o responsável por malbaratar o património do banco destruído. Eduardo Stock da Cunha, o seu homem no Novo Banco, vendeu a seguradora do grupo BES, a Tranquilidade, por um preço dezasseis vezes inferior às estimativas oficiais. A Tranquilidade foi vendida já em 2019 e o seu valor total, face aos ativos de 2014, foi superior ao valor da estimativa. O caso exige explicação.

Vejamos com mais atenção o rapto da Tranquilidade. Estamos em condições de proceder a esse exame graças a uma esclarecedora reportagem de Sílvia Caneco, na Visão. Em 2015 o Novo Banco vendeu a seguradora Tranquilidade por 44 milhões euros ao Apollo, um fundo abutre dos Estados Unidos No ano anterior, a Tranquilidade fora avaliada em 700 milhões de euros pelo Banco de Portugal, no âmbito da famosa ETRICC2. Como valeria dezasseis vezes menos num ano? O BdP dá uma desculpa esfarrapada: a mudança da conjuntura. Os ativos da Tranquilidade são apólices de seguros portugueses, e o país nem empobreceu significativamente nem se tornou mais arriscado. A Tranquilidade tinha boa parte das suas reservas técnicas em imóveis portugueses que entretanto se valorizaram. A redução do valor da Tranquilidade não tem explicação económica. E realmente não se reduziu. O Apollo vendeu-lhe ativos imobiliários e mobiliários por mais de 360 milhões de euros. Um ano depois, com algumas vendas de imóveis, já tinha começado a lucrar com o negócio. Já em 2019, vendeu a própria Tranquilidade (com a pequena seguradora Açoreana) por mais 600 milhões de euros. A Tranquilidade rendeu ais de 930 milhões de euros, um valor bem superior à avaliação do BdP. De facto a Tranquilidade não perdeu valor face às estimativas: pelo contrário, valorizou-se. A Tranquilidade valorizou-se mais de cerca de um terço face à estimativa do BdP. O Apollo teve em Costa, Carlos o seu Pai Natal:ao fim de um ano tinha pago o negócio da Tranquilidade e no total teve uma taxa de lucro de mais de quatro mil por cento em cinco anos. Não há incompetência que explique uma tal lesão do Estado. Negócios destes, quando o Estado entra, não nascem do Céu: nascem da corrupção.

O leitor estava ao corrente destes atentados à decência pública e ao seu IRS? Não estava por certo. Os Catões e os Trotskys, as Amazonas e as Pasionarias que atacaram Ricardo Salgado por administrar mal o que era seu e dos seus, fecham agora os olhos a para não verem malbaratado o que é de todos nós. Tentemos não usar dois pesos e duas medidas.

Tardiamente, o governo nomeou uma auditoria ao Novo Banco. Mas é insuficiente. É necessário auditar Carlos Costa e o seu BdP. E. Stock da Cunha parece mais o inocente útil do que o verdadeiro responsável da operação aparentemente ruinosa. Talvez a corrupção na venda da Tranquilidade seja no todo ou em parte o pagamento político de favores políticos, resultado serôdio mas previsível da destruição do BES. Quem serão os responsáveis – ou o responsável? O móbil das ações terá sido o ódio ou a ganância? Ou ambos? Serão só portugueses? Terá havido conluio entre a Apollo, premiada com a Tranquilidade, e a Lone Star, que ficou com o Novo Banco? Horresco referens: as instâncias europeias estão de coração puro neste particular? Convinha-lhes castigar um grande banco, pour encourager les autres, isto é, os bancos alemães em perda de liquidez mas convencidos que seriam salvos? E a também interessada a Srª Merkel? E o Banco Central Europeu? E os bancos estrangeiros, presentes no nosso mercado, que parecem pagar para terem o gosto de gastar dinheiro com o Fundo de Resolução… do BES?

Quando Costa, Carlos lava as mãos dos atos do seu BdP, esquece que o Novo Banco é um banco que integra o sistema financeiro português e por isso o regulador não tem o direito de consentir que ele seja ilegalmente descapitalizado.

O Dr. Costa, Carlos é um medíocre banqueiro mas é um bom (e simpático) bancário. O seu comportamento necessita de explicação no caso BES que se prolonga agora com a venda da Tranquilidade.

Para tentar limpar-se do caso da venda da Tranquilidade, Costa, Carlos diz que não tem o direito de intervir no desgoverno do Novo Banco. Di-lo por um ato falhado, que Freud explicaria: não pode fiscalizar-se a si próprio.

Sempre na resposta à Visão, Costa, Carlos afirma não temr o direito de se preocupar com os atos de gestão dos bancos que regula. Deve ter sido com esta música que embalou Ricardo Salgado, antes de num volta-face inesperado e racionalmente inexplicável ter conduzido o BES ao matadouro bancário e o GES ao matadouro vulgar dos reguladores.. Como poderia Costa, Carlos regular os bancos se não examinasse os ato de gestão das respetivas administrações? Ou o Dr. Ricardo Salgado será o único banqueiro fiscalizável?

A reportagem de Sílvia Caneco, na Visão está disponível em

Mudança Climática: a Terra talvez continue a Aquecer mas o seu Fim não está à Vista

Ao escrever sobre a mudança climática e o aquecimento da Terra, O Economista Português pede ao leitor que só continue a lê-lo se não demonizar quem critique metodicamente as teorias que atribuem ao homem o crime de estar a provocar uma catástrofe climática que destruirá a Terra em data previsível. Esta ideia tende a espalhar-se Um jornalista português propõe-se «salvar o planeta». O caso mais conhecido de abandono escolar, a menina Greta Thunberg, justifica ter deixado de estudar por o mundo acabar dentro de dez anos e ela querer viver. Esta ideia do fim do mundo só ocorreu à menina Thunberg porque ela tem poucos estudos. Segunda feira passada, no início da COP25 em Madrid, António Guterres anunciou um prazo de dez anos para catástrofes qualificadas de irreversíveis mas, como é um homem inteligente e sensato, não especificou a tal catástrofe. Com efeito, as previsões científicas mais alarmistas apenas dão um aquecimento médio de seis graus centígrados até ao fim do presente século. Mais seis graus centígrados será mais do que uma caloraça:, será o fim de um mundo, pois o aquecimento não se distribuirá uniformemente pela Terra. Alguns terão que emigrar. Será o fim de um mundo, mas não será o fim do mundo. Se ocorrer, claro.

O Economista Português procurará esclarecer o assunto que interessa não só a economia mas sobretudo a humanidade – e o leitor. Começaremos pelas cinco principais perguntas factuais e por fim equacionaremos a questão em termos conclusivos.

Eis as principais perguntas factuais;

  1. A temperatura da Terra aumentou nos últimos tempos?
  2. A Terra continuará a aquecer? O que diz a ciência. A explicação do aquecimento pelo aumento da emissão dos gases com efeito de estufa.
  3. Que ramos de atividade produzem gases com efeito de estufa
  4. Que países lançam na atmosfera mais gases com efeito de estufa
  5. Como reagem as opiniões públicas nacionais à ameaça do aquecimento global?

Uma vez respondidas estas perguntas, coloca-se a questão: qual deverá ser o nosso próximo passo?

a) O que alcançaremos se seguirmos as políticas recomendadas pelo paradigma dominante

b) Os limites e as promessas da ciência

c) A eficácia mundial dz campanha política da União Europeia (UE) contra o aquecimento da Terra

d) Conservar a racionalidade e o bom senso

A temperatura da Terra aumentou nos últimos tempos?

Há cerca de um século e meio começou a haver registos rigoroos e regulares da temperatura na Terra. Verificamos que o aumento da temperatura acelera depois do começo da Segunda Guerra Mundial , em 1939. Volta a haver nova aceleração no final do século passado, com a globalização. A tendência ascensional é perlada de baixas periódicas, que configuram ciclos pluri-anuais. Estes ciclos atenuam-se depois da aceleração do crescimento das emissões de CO2. É o que vemos no gráfico seguinte, elaborado pela NASA.

Temperatura média na superfície terrestre (em graus centígrados, 1880-1920)

Fonte Nasa GISS

O leitor reparou que a dimensão cíclica é mais forte na linha azul do que na encarnada. A linha azul recolhe a média anual e a encarnada a média quinquenal. É mais um exemplo que a apresentação dos dados influencia a compreensão deles. O efeito cíclico seria ainda mais atenuado com médias decenais e desapareceria totalmente com a reta de regressão linear.

As variações cíclicas da temperatura são ainda mais nítidas quando recolhemos a estimativas estatísticas numa série mais longa, produzida pela paleontologia climatérica que recorre a materiais como as árvores de longa duração, os corais ou o gelo antigo, entre outros.

Vejamos um site científico que dá no período longo a variação da temperatura em graus centígrados (a meio da coluna do gráfico seguinte), a proporção de CO2 em partes na atmosfera (em baixo na coluna) e a poeira no gelo profundo (ao alto). O resultado evidencia ciclos mais longos, mais regulares e mais fundos do que no período mais curto, mostrado acima. Não consideremos as poeiras no gelo profundo. A temperatura e o CO2 variam em simultâneo, pelo menos a traço grosso. As curvas a longo prazo constam do gráfico seguinte

Fonte http://www-das.uwyo.edu/~geerts/cwx/notes/chap01/icecore.html

Um outro site também científico dá uma visualização diferente da relação entre a temperatura na Terra e as emissões de CO2 em relação ao gráfico anterior: parece haver uma identificação completa entre curva do CO2 e a da temperatura, com uma pequena exceção. Pelo menos em relação aos últimos duzentos mil anos, comuns a ambos gráficos. Mas a força desta identificação resulta do grafismo

Variações na temperatura e nas emissões de CO2 nos últimos 800 mil anos

Fonte https://www.ncdc.noaa.gov/global-warming/temperature-change Notas A coluna da esquerda indica a temperatura em graus centígrados e a da direita as emissões de CO2

A Terra continuará a aquecer? O que diz a ciência. A explicação do aquecimento pelo aumento da emissão dos gases com efeito de estufa

A teoria científica dominante explica o aquecimento da Terra pelo aumento das emissões dos gases com efeito de estufa, o mais relevante dos quais é o CO2. Estes gases acumulam-se no topo da atmosfera terrestre onde filtram as radiações solares (devolvendo ao espaço parte delas) e não permitem a saída de calor terrestre em direção ao espaço. A Terra é por isso comparada a uma estufa. A teoria dominante parece exigir o efeito imediato do CO2 e não diz quando e como ele se dissolve na atmosfera.

No presente texto, CO2 é usado (salvo aviso) como sinónimo de gases com efeito de estufa. As suas emissões são resumidas a seguir, com as dos outros dois mais importantes.

Gases com efeito de estufa por ramos e atividade

Chave

Cor de vinho – Indústria transformadora

Brique – Produção de energia

Azul escuro – Lixo (recolha e tratamento)

Azul turquesa – Residências, comércios, etc

Cor de rosa – Combustíveis fósseis (armazenagem, transformação e distribuição)

Verde alface – Agricultura

Verde escuro – Uso da terra e queima da biomassa e

Cor de laranja – Transportes (combustíveis)

Fonte: Emission data for Global Atmospheric Research version 4.2, fast track 2010 projec

O Intergovernmem Panel of Climate Change, no seu relatório de 2013, deu cobertura a esta teoria: «parece extremamente provável (likely) que a influência humana tenha sido a causa dominante do aquecimento observado desde meados do século XX».

Ao abrigo destas palavras, a teoria dos gases com efeitos de estufa tornou-se obrigatória para a comunidade científica. O «likely» foi transformado num dogma de tipo religioso, com um sistema de sanções terrestres.

O Economista Português não conhece nenhum texto que formalize com autoridade a teoria colocando-a ao alcance do leitor que não é um meteorologista profissional.

Que ramos de atividade produzem gases com efeito de estufa

Todos os ramos de atividade produzem gases com efeitos de estufa. Pensamos sobretudo nos transportes e na indústria mas a agricultura e os nossos lares respondem por mais de um terço. É o que mostra o gráfico abaixo.

Produção de gases com efeito de estufa por grandes ramos de atividade

Chave das cores: ler o gráfico acima ou a legenda do gráfico anterior /Fonte: Emission data for Global Atmospheric Research version 4.2, fast track 2010 projec

Que países lançam na atmosfera mais gases com efeito de estufa?

O maior emissor de CO2 (sem os outros gases de estufa). só em alguns processos industriais e na queima de combustíveis fósseis é a China, seguida pelos Estados Unidos, a UE, a Índia, a Rússia e o Japão. É o que mostra o gráfico seguinte.

O critério do gráfico acima parece favorecer a China e a Índia, pois deixa de fora a agricultura, uma grande responsável dos gases de estufa. Mas esquece os lares, o que beneficia a UE e os Estados Unidos.

Como reagem as opiniões públicas nacionais à ameaça do aquecimento global?

As opiniões públicas da Rússia, da China e da Índia parecem totalmente indiferentes ao pânico do aquecimento da Terra. O mesmo se diga da África e da América ibérica. Os Estados Unidos parecem menos interessados pelo assunto do que os europeus,.

Na União Europeia é grande a desconfiança em relação à propaganda sobre o aquecimento da Terra: apenas um quinto dos sondados pelo Eurobarómetro inserem as questões do ambiente e da energia entre as duas mais importantes do seu próprio país. Os portugueses são particularmente climatocéticos: apenas 6% toma idêntica posição. Há portugueses assustados com a campanha de propaganda climatérica mas serão por certo menos de um em cada vinte. ( https://ec.europa.eu/commfrontoffice/publicopinion/index.cfm/Survey/index#p=1&instruments=STANDARD

Qual o nosso próximo passo?

Para descobrirmos como agir, abordemos os seguintes pontos:

  • O que alcançaremos se seguirmos as políticas recomendadadas pelo paradigma dominante
  • Os limites e as promessas da ciência
  • A eficácia mundial da campanha política da União Europeia contra o aquecimento da Terra
  • Conservar a racionalidade e o bom senso

O que alcançaremos agindo de acordo com o paradigma dominante

O Massachusets Institute of Technology (MIT), uma das grandes universidades mundiais, e a associação sem fins lucrativos Climate Initiative lançaram um simulador do impacto de políticas ambientais em termos de aumento das emissões de CO2 e de variação da temperatura na Terra no ano ano 2100. O simulador diz-nos o que temos que sacrificar para obtermos o arrefecimento da Terra que é concebido como resultando em exclusivo da redução das emissões de CO2.

Não se trata de um modelo meteorológico, pois falta-lhe a bipartição entre a energia que a Terra recebe do exterior e a que para ele remete. Mas usa os coeficientes mais correntes no campo da previsão do CO2 e outros gases.

O Economista Português quis saber o que é necessário para atingir a meta do acordo de Paris: aumento da temperatura da Terra em em dois graus centígrados até 2010. O gráfico seguinte mostra o resultado ao alto à direita e os diferentes botões em baixocada um ds quais indica uma medida de política necessária para baixar o CO2

Como o leitor vê, o simulador dá-nos dois valores diferentes para a mudança de temperatura em 2100. Escolhemos o que está escrito em corpo maior. O leitor pode realizar o mesmo jogo. Para conseguir o objetivo do acordo de Paris é preciso reduzir a zero o crescimento económico, acabar totalmente com o consumo de carvão, petróleo e gás natural, subsidiar as energias renováveis e nuclear, reduzir a zero as emissões de metano e desflorestação, etc. Se o leitor pensar dois segundos, verificará que estes objetivos só serão alcançáveis com um autocrata mundial e implicarão uma redução drástica do nível de vida.

Para aceder ao simulador clique a seguir  En-ROADS, ou recorra ao endereço do site dele:

https://en-roads.climateinteractive.org/scenario.html?v=2.7.6

Limites e promessas da ciência

No caso do aquecimento da Terra, a ciência tem os seus limites mas dar-nos-á por certo as suas promessas. Comecemos por distinguir a ciência tal como ela é das perceções do corpo científico sobre o aquecimento da Terra.

A opinião pública desconfia da politização da ciência desde as vigarices nas contas climática do IPCC até ao excesso de veemência no funcionamento da máquina do consenso sobre os cientistas que discordam da teoria dominante e, desde há meses, sobre a própria opinião pública. Aliás, a mecânica do terror climatérico encenada pelos mass media da Europa ocidental: o que dantes era uma chuvinha anunciada no boletim meteorológico passou a ser o «alerta laranja». O Dr. António Costa declarou-se um servo da ciência no campo do aquecimento da Terra, aliás como os outros chefes de governo da UE, mas será que o Sr. Trump, o Sr. Putin, o Sr. Xi-Jin-Ping ou o Sr. Narendra Modi seguem menos a ciência? O isolamento europeu neste campo reforça as desconfianças da opinião.

O Economista Português não se arroga competência para julgar a teoria dos efeitos de estufa ou as teorias dos dissidentes, que se mantêm ativos apesar de ostracizados. Continuam a invocar significativas discrepâncias cronológicas entre as curvas da temperatura e as do CO2 ou fatores ocultos como aquecimento de outros planetas. Limita-se a salientar dois tópicos. O primeiro é que o clima depende de um infinito de variáveis que será sempre em número superior às equações de que dispomos para as resolver. A teoria dos efeitos de estufa assenta num modelo científico? Se assenta, esse modelo não é determinista, ao contrário do modelo newtoniano que prevê as marés pois há as mais diferentes previsões da temperatura futura. Se o modelo é científico mas não sendo determinista,e sendo quantitativo, tem que ser probabilístico. Mas os seus defensores nunca nos indicam qual a probabilidade da ocorrências das suas previsões. A segunda observação é de natureza diferente; a ciência, tal como a conhecemos até hoje, diz-nos para andarmos para a frente, ensina-nos a construir novas máquinas ao passo que a teoria dos gases com efeito de estufa tem como horizonte mandar-nos substituir o carro elétrico pelo burro que ecologistas espanhóis ofereceram à menina Thunberg para ela ir de Lisboa a Madrid sem deixar uma pegada carbónica.

Esta ciência é feia e irreconhecível. Esperemos que a ciência olhe em frente para resolver o problema do excesso do dióxido de carbono. Pensarmos em lançar preparados químicos na nossa atmosfera para dissolver o CO2 e os outros gases de estufa será excessivamente futurista (embora a Rússia comunista tenha começado a enveredar por esse caminho de manipulação climática). Mas já não será pedir muito que se aperfeiçoem as técnicas que permitem separar no final da produção o C dos O2, técnicas que aliás já estão disponíveis, só que demasiado exigentes em… CO2.

A eficácia mundial da campanha política da União Europeia contra o aquecimento da Terra

Até agora a propaganda ecologista, com a qual a UE passou a identificar-se, convenceu-nos que resolveríamos a questão do aquecimento global se trocássemos o carro com motor diesel por um com motor elétrico e substituíssemos o avião pelo comboio. O gráfico acima da origem dos gases de estufa por ramos de atividade mostra que o nosso bife com batata frita (ou os flocos de aveia) são responsáveis por mais emissões de gases com efeito de estufa do que o transporte. Os nossos lares respondem por outra parcela importante do aquecimento global segundo a teoria dominante. Uma primeira simulação dos custos da aplicação desta teoria sugere que ela só é realizável com um regime totalitário e uma regressão civilizacional. Por isso a propaganda ecologista já começou a dizer-nos que temos que renunciar ao bife de vaca. Na realidade, combater o aquecimento da Terra exige o regresso ao começo do Neolítico. Por isso, será certamente rejeitada pela opinião pública europeia quando ela resistir à intoxicação ecologista.

A questão do aquecimento global foi mal lançada desde o grande jamboree do Rio: foi apresentada como sendo de vida ou de morte para a humanidade mas consentiu-se que os países pobres continuassem a emitir CO2 à discrição. Isto é: continuassem a destruir a humanidade, isto é, continuassem a matar. Seria o mesmo que um país aceitar que os seus cidadãos não fossem punidos penalmente quando matassem alguém mais rico do que eles.

Os Estados Unidos e a Rússia não aceitarão uma política anti CO2 que os prejudicará na concorrência económicas mundial. A China e a Índia continuarão a aceitar todas as metas para o CO2 desde que os deixem emitir CO2 como entenderem. Talvez haja um Rio 2 para repetir a farsa do Rio 1: só a UE se compromete, os outros fingem comprometer-se. A hipótese da autocracia ecológica mundial parece de momento menos provável.

O mais certo é a campanha da UE ser em absoluto ineficaz. Exceto para abalar os nervos dos europeus.

Conservar a racionalidade e o bom senso

A grande prioridade no campo do clima é conservar a racionalidade. Ela tem sido submetida a fortes intrusões, simbolizadas na difusão dos alertas laranja. A apresentação política de metas impossíveis para combater o aquecimento da Terra ameaça agravar essa racionalidade. Na medida das nossas forças, temos que chamar a ciência ao seu papel social de sempre, que não é substituir o automóvel elétrico pelo simpático burro. E como o fim do mundo afinal não está próximo, teremos que pagar as nossas contas. Pelo que convém irmos deitando contas ao que nos custa subsidiar os substitutos do CO2.

Interioridade: Subsidiar Municípios não Diminui a Perda de População (veja as contas)

Um mapa municipal com estratégia para a globalização ou o patchwork herdado do passado?

Subsidiar as câmaras municipais do Continente não diminui o êxodo da população: O Economista Português correlacionou a diminuição da população residente por município entre 1981 e 2018 e os subsídios do Estado bem como o saldo dos subsídios do Estado a essas mesmas Câmaras em 2009 e não encontrou nenhuma correlação estatística. Em nenhuma das duas variáveis: a correlação foi superior a 0,2 no máximo de 1 quando a correlação é perfeita (no nosso caso, quando a fuga das pessoas diminuía sempre que aumentava o subsídio do Estado ou o seu saldo). Assim, embora pareça contra-intuitivo, subsidiar ou não subsidiar as Câmaras Municipais não diminui o êxodo. Está aqui por certo um modo de poupar dinheiro do contribuinte sem que haja nenhum efeito negativo (mas haveria que identificar os casos muito minoritários em que ocorre a diminuição da queda populacional por virtude da subsidiação). Os resultados finais vão documentados no final do presente artigo.

Estes resultados surpreendentes resultam de comparrmos cada município em dois momentos diferentes no tempo. São raros os estudos que procedem assim. Por razões de tática política, que se procurou identificar. A maioria dos chamados opinion makers prefere a cega-rega do politicamente correto: Lisboa é a mais rica. É. Mas antes de subsidiarmos os municípios precisamos de saber se eles aplicam bem o dinheiro dos contribuintes. Se não, melhoramos o ensino, ou os cuidados de saúde. Para demonstrar esta tese, O Economista Português escreveu que «poucas estatísticas disponíveis» » e acrescentou: «não há séries estatísticas longas que permitam comparar o desempenho dos diferentes municípios face às diferentes realidades sociais e económicas.  . Nem o investigador consegue produzi-las a não ser com grande esforço. » Um amigo querido e crítico interpretou esta retórica como tendo O Economista Português ignorado as fontes estatísticas quando ele apenas escreveu que dava muito trabalho a interpretá-las sem ser para condenar Lisboa e louvaminhar os municípios.

Além da floresta quase impenetrável das estatísticas emanadas do Ministério das Finanças, digeridas pelo INE, a Fundação Francisco Manuel dos Santos, estabelecida por iniciativa do Doutor António Barreto e hoje dirigida com subtil capacidade inovadora pelo Dr. Jaime Gama, oferece no Pordata um site com muitas e valiosas informações estatísticas no escalão municipal. Só que em regra, nas áreas que nos interessam, não disponibiliza as séries longas de que o investigador precisa pois por certo prefere satisfazer as necessidades de uma opinião interessada. Para as nossas variáveis, tivemos que nos limitar a dois anos por variável, nem sempre os mesmos. Por isso tivemos que usar dados de subsídios de 2011 para uma variação populacional que terminava depois daquela data mas que se iniciara em 1981. Além de outras vantagens das séries estatísticas. que não referiremos. E não tivemos tempo (nem encontrámos disponível) o valor dos subsídios da Lei de finanças Locais que vêm desde o FEF dos anos 1980, que permite identifica melhor a responsabilidade das Câmaras Municipais.

O Economista Português voltará por certo ao assunto das Câmaras Municipais, consideradas do ponto de vista administrativo e financeiro.

Anexo ao presente artigo

Fonte da tabela abaixo: o excelente site da FFMS cujo endereço eletrónico é

https://www.pordata.pt/Municipios

Unidade de análise: municípios do Continente com decréscimo de população residente entre 1981 e 2018 (180 municípios; não há dados comparáveis para Vizela e Trofa)

Variáveis: as estimativas da população residente para 31 de dezembro de anos selecionados e subsídios que resultam de «Transferências correntes e de capital recebidas pelas câmaras municipais em % do total das receitas»

Coeficientes de correlação linear

> Saldo das transferèncias (subsídios) vs. população residente: -0,171

> Valor das transferências vs população residente: 0,095

Tabela dos municípios considerados na análise anterior

MunicípiosPopulação residenteTransferências: saldosTransferèncias: % das receirtas
   Arcos de Valdevez-32.9-877.2   Arcos de Valdevez
          Caminha-0.3-12.157.2          Caminha
          Melgaço-38.7-9.182.1          Melgaço
          Monção-25.0-9.873.4          Monção
          Paredes de Coura-24.3-3.483.1          Paredes de Coura
          Ponte da Barca-20.4-6.682.4          Ponte da Barca
          Ponte de Lima-6.0-14.474.1          Ponte de Lima
          Valença-4.7-18.672.4          Valença
          Terras de Bouro-37.2-6.883.7          Terras de Bouro
 Cabeceiras de Basto-18.2-10.179.8 Cabeceiras de Basto
          Mondim de Basto-30.6-7.988.9          Mondim de Basto
          Vieira do Minho-34.2-8.979.1          Vieira do Minho
Arouca-13.5-6.173.5Arouca
          Espinho-9.9-3.448.1          Espinho
          Porto-34.5-10.225.6          Porto
          Santo Tirso-27.7-17.264.8          Santo Tirso
          Vale de Cambra-12.4-5.257.4          Vale de Cambra
Boticas-42.4-2.780.7Boticas
          Chaves-14.7-1667.5          Chaves
          Montalegre-1.6-6.577.8          Montalegre
          Ribeira de Pena-44.4-11.570.7          Ribeira de Pena
          Valpaços-42.9-778.8          Valpaços
          Vila Pouca de Aguiar-40.7-8.974.7          Vila Pouca de Aguiar
Amarante-2.3-465.2Amarante
          Baião-23.30.977.2          Baião
          Castelo de Paiva-9.5-6.571.9          Castelo de Paiva
          Celorico de Basto-16.7-3.375.8          Celorico de Basto
          Cinfães-28.3-7.389.1          Cinfães
          Resende-33.7-10.779.8          Resende
 Alijó-43.5-9.278 Alijó
          Armamar-38.73.870.6          Armamar
          Carrazeda de Ansiães-50.4-8.188.5          Carrazeda de Ansiães
          Freixo de Espada à Cinta-42.2-7.990.6          Freixo de Espada à Cinta
          Lamego-24.6-5.554.7          Lamego
          Mesão Frio-37.2-2.578.3          Mesão Frio
          Moimenta da Beira-24.4-9.475.3          Moimenta da Beira
          Murça-36.5-5.886.6          Murça
          Penedono-37.8-7.486.4          Penedono
          Peso da Régua-29.9-4.565.5          Peso da Régua
          Sabrosa-34.8-11.286.3          Sabrosa
          Santa Marta de Penaguião-40.8-5.280.4          Santa Marta de Penaguião
          São João da Pesqueira-30.4-7.682.4          São João da Pesqueira
          Sernancelhe-28.5-7.281          Sernancelhe
          Tabuaço-30.0-14.690.3          Tabuaço
          Tarouca-17.6-8.181.8          Tarouca
          Torre de Moncorvo-43.6-6.181.9          Torre de Moncorvo
          Vila Nova de Foz Côa-41.7-8.182.6          Vila Nova de Foz Côa
 Alfândega da Fé-42.5-15.287.9 Alfândega da Fé
          Bragança-5.4-16.666.7          Bragança
          Macedo de Cavaleiros-33.0-7.675.3          Macedo de Cavaleiros
          Miranda do Douro-31.1-10.483.1          Miranda do Douro
          Mirandela-25.0-13.476.1          Mirandela
          Mogadouro-44.8-7.887          Mogadouro
          Vila Flor-37.9-0.180.5          Vila Flor
          Vimioso-52.1-8.592.9          Vimioso
          Vinhais-51.5-5.288.8          Vinhais
          Bombarral-9.2-13.153.9          Bombarral
          Cadaval-6.0-10.266.1          Cadaval
          Nazaré-8.7-9.740.3          Nazaré
          Anadia-8.9-24.575.7          Anadia
          Estarreja-1.7-0.747.1          Estarreja
          Sever do Vouga-17.6-3.673.9          Sever do Vouga
Arganil-28.5-10.570.8Arganil
          Cantanhede-9.8-15.162.5          Cantanhede
          Coimbra-4.5-1.930.9          Coimbra
          Góis-40.4-0.775.9          Góis
          Mira-11.3-5.660.8          Mira
          Montemor-o-Velho-7.6-11.666.1          Montemor-o-Velho
          Mortágua-21.8-15.881.7          Mortágua
          Oliveira do Hospital-18.2-5.766.2          Oliveira do Hospital
          Pampilhosa da Serra-45.6-1.292          Pampilhosa da Serra
          Penacova-20.5-7.273.5          Penacova
          Penela-32.1-1.774.3          Penela
          Soure-23.3-3.368.6          Soure
          Tábua-15.4-8.979.6          Tábua
Alvaiázere-37.0-11.176.7Alvaiázere
          Ansião-21.8-8.470.5          Ansião
          Castanheira de Pêra-48.2-6.482.2          Castanheira de Pêra
          Figueiró dos Vinhos-35.90.778.2          Figueiró dos Vinhos
          Pedrógão Grande-41.0-5.983.7          Pedrógão Grande
          Pombal-4.2-6.252.5          Pombal
Aguiar da Beira-35.5-6.683.2Aguiar da Beira
          Carregal do Sal-16.8-9.780.2          Carregal do Sal
          Castro Daire-32.02.574.8          Castro Daire
          Mangualde-13.51.155.8          Mangualde
          Nelas-13.8-1.960          Nelas
          Penalva do Castelo-29.7-685          Penalva do Castelo
          Santa Comba Dão-25.8-4.563.6          Santa Comba Dão
          São Pedro do Sul-27.4-1.767.3          São Pedro do Sul
          Sátão-15.0-12.179.4          Sátão
          Tondela-26.2-11.773.3          Tondela
          Vila Nova de Paiva-27.0-7.483.9          Vila Nova de Paiva
          Vouzela-28.2-8.275.3          Vouzela
Castelo Branco-5.1-12.472.5Castelo Branco
          Idanha-a-Nova-49.0-10.185.4          Idanha-a-Nova
          Oleiros-50.3-0.281.6          Oleiros
          Penamacor-49.0-7.686.6          Penamacor
          Proença-a-Nova-38.2-9.581.5          Proença-a-Nova
          Vila Velha de Ródão-43.1-15.685.8          Vila Velha de Ródão
Abrantes-27.4-2.559.7Abrantes
          Alcanena-10.2-5.957.3          Alcanena
          Ferreira do Zêzere-27.7-7.570.6          Ferreira do Zêzere
          Mação-48.1178.9          Mação
          Sardoal-25.3-4.481.5          Sardoal
          Sertã-31.6-9.375.3          Sertã
          Tomar-19.2-4.357.8          Tomar
          Torres Novas-6.90.148.1          Torres Novas
          Vila de Rei-28.4-4.888          Vila de Rei
          Vila Nova da Barquinha-9.5-4.773.4          Vila Nova da Barquinha
Almeida-43.5-882.4Almeida
          Belmonte-5.4-4.975.2          Belmonte
          Celorico da Beira-32.2-679          Celorico da Beira
          Covilhã-23.0-10.862.2          Covilhã
          Figueira de Castelo Rodrigo-38.2-4.387.2          Figueira de Castelo Rodrigo
          Fornos de Algodres-30.9-8.282.4          Fornos de Algodres
          Fundão-16.7-1.158.7          Fundão
          Gouveia-34.6-7.578.8          Gouveia
          Guarda-3.4-24.663          Guarda
          Manteigas-32.3-0.378.8          Manteigas
          Mêda-48.5-10.287.7          Mêda
          Pinhel-39.9-6.481.4          Pinhel
          Sabugal-43.0-7.778          Sabugal
          Seia-28.8-8.664.6          Seia
          Trancoso-31.6-2.682.4          Trancoso
          Barreiro-14.9-6.334          Barreiro
          Lisboa-37.3-7.913.7          Lisboa
          Loures-24.2-11.940.3          Loures
          Alcácer do Sal-28.6-13.635.3          Odivelas
          Grândola-9.4-7.272.4          Alcácer do Sal
          Odemira-16.4-9.942.3          Grândola
          Santiago do Cacém-1.9-2.668          Odemira
 Aljustrel-35.7-9.756.6          Santiago do Cacém
          Almodôvar-36.5-7.875.5 Aljustrel
          Alvito-16.8-1888.2          Almodôvar
          Barrancos-23.6-4.888.1          Alvito
          Beja-12.7-6.594.5          Barrancos
          Castro Verde-6.94.458.5          Beja
          Cuba-20.2-11.164          Castro Verde
          Ferreira do Alentejo-30.5-4.677.7          Cuba
          Mértola-46.8-7.774.7          Ferreira do Alentejo
          Moura-30.7-4.789.7          Mértola
          Ourique-41.6-5.475.8          Moura
          Serpa-30.9-8.186.5          Ourique
          Vidigueira-25.6-5.580.3          Serpa
          Alpiarça-12.8-1075.5          Vidigueira
          Chamusca-29.6-2.573          Alpiarça
          Coruche-30.4-2.678.9          Chamusca
          Golegã-9.7-9.772.7          Coruche
          Santarém-8.8-13.575.2          Golegã
Alter do Chão-35.5-2.162.2          Santarém
          Arronches-33.60.479Alter do Chão
          Avis-27.6-2.586.2          Arronches
          Campo Maior-7.52.381.4          Avis
          Castelo de Vide-29.3-1.366.5          Campo Maior
          Crato-43.5-680.7          Castelo de Vide
          Elvas-17.5-6.884.5          Crato
          Fronteira-32.92.158.1          Elvas
          Gavião-51.0-4.375.6          Fronteira
          Marvão-43.71.580.8          Gavião
          Monforte-29.7-3.575.9          Marvão
          Nisa-42.4-3.787.5          Monforte
          Ponte de Sor-16.7-11.580.5          Nisa
          Portalegre-18.4-2.576.7          Ponte de Sor
          Sousel-38.7-4.456.2          Portalegre
          Alandroal-37.6-8.578.7          Sousel
          Arraiolos-21.8-4.281.9          Alandroal
          Borba-23.2-7.978.2          Arraiolos
          Estremoz-29.0-8.173.1          Borba
          Montemor-o-Novo-22.3-5.270.5          Estremoz
          Mora-40.7-5.570.3          Montemor-o-Novo
          Mourão-29.7-12.178.9          Mora
          Portel-29.4-386.4          Mourão
          Redondo-24.2-5.683.1          Portel
          Reguengos de Monsaraz-13.7-3.975.9          Redondo
          Viana do Alentejo-17.2-4.165.4          Reguengos de Monsaraz
          Vila Viçosa-10.2375.3          Viana do Alentejo
          Alcoutim-57.1-4.760.3          Vila Viçosa
          Castro Marim-13.9-10.690          Alcoutim
          Monchique-46.0264555775-5.147.8          Castro Marim
          Vila do Bispo-9.388185654-27.482.3          Monchique

Congresso dos Municípios: Onde está a Avaliação das Finanças Locais?

Variação da população residente por municípios (2011-2016)

Fonte: INE, Projeções da população residente 2015-2080 – Síntese metodológica e principais resultados

Alguém avaliou a ação dos municípios potiugueses? O congresso deles começa hoje em Vila Real e é a ocasião adequada para valocar a questão pois os municípios funcionam na base dupla do dinheiro dos outros: porque vivem dos impostos e porque em larga medida vivem dos impostos votados por um organismo que lhes é exterior, a Assembleia da República. ]E sabido que eles recebem avultados subsídios através da Lei das Finanças Locais e que se propõem fixar a população nos territórios das respetivas autarquias locais.

Os municípios falharam: os do interior, os grandes beneficiários do elemento de subsídio da nossa Lei das Finanças Locais, foram os que sofreram maiores perdas da população residente. É o que mostra o mapa acima para o hexénio 2011-2016. Consideramos do interior os círculos eleitorais de Vila Real, Bragança, Viseu, Guarda, Coimbra, Castelo Branco, Portalegre, Évora e Beja. Os círculos eleitorais são os antigos distritos, que usamos por faltarem séries estatísticas longas das NUT3, que permitem uma análise mais rigorosa. A queda da população residente destes distritos em relação ao total do nosso país arrancou nos anos 1960. Mas cada distrito tem a sua história. Bragança começa a perder população a seguir à Primeira Guerra Mundial. Vila Real, onde decorre o Congresso, e Viseu pertencem já nos anos 1980. O Estado Novo não subsidiava os municípios. Depois do 25 de abril, jorraram subsídios estatais, que não inverteram a tendência para o desaparecimento populacional da maioria dos municípios.portugueses. Não só não inverteram a tendência como numa análise rápida das poucas estatísticas disponíveis, nem sequer a desaceleraram.

O leitor leu bem: «poucas estatísticas disponíveis». É que as finanças locais e os municípios são as vacas sagradas da nossa vida pública: são intocáveis, vivem em estrito regime de bloco central. Por isso, aproveitando a extinção dos distritos o estabelecimento de NUTs de vários tamanhos e feitios, não há séries estatísticas longas que permitam comparar o desempenho dos diferentes municípios face às diferentes realidades sociais e económicas. Nem o investigador consegue produzi-las a não ser com grande esforço. Porque os município s conseguiram que a ação de cada um deles nunca seja comparável estatisticamente. Há um sem número de publicações a demonstrarem que ao longo dos anos Lisboa é mais rica do que o resto do País (o que qualquer português sabe), mas não há um publicação sequer que permita comparar no tempo a ação dos diferentes municípios a promoverem a fixação das populações e o desenvolvimento económico (e nenhum português sabe ao menos qual a eficiência do seu município). A este propósito, temos que mencionar uma publicação aparentemente clandestina disponível na WEB (e certamente paga pelo leitor na sua qualidade de contribuinte: intitula-se O Interior em Números e está ornada de belos mapas, gráficos e grafismo supostamente explicativos. Pois consegue nunca comparar a ação de um único município em dois momentos diferentes no tempo. Em Nova Iorque, chama-se a isto chutzpah (http://www.pnct.gov.pt/wp-content/uploads/2017/01/DIAGNOSTICO.pdf ),

O leitor reparou que (mal ou bem) o mapa inicial compara a ação no tempo do mesmo município e por isso permite proferir juízos de valor: os piores resultados são obtidos pelos concelhos do Interior. Mal ou bem porque uma análise marginal e multifatorial talvez chegasse a conclusões diferentes. Aliás, mesmo no «interior» há resultados bem diferentes.

A propaganda municipal irresponsáveis é muito nefasta. Excita a inveja, o que nestes tempos arriscados é perigoso. E sobretudo desmoraliza os habitantes assim «interiorizados» organizando-lhes a apatia num sistema de autodesvalorização pessoal e coletiva. São os municípios subsidiados pelo Estado que destroem o espírito empresarial no interior e impedem o desenvolvimento económico. Já nem falamos no dízimo.

Assim, os municípios são na prática irresponsáveis politicamente como os sultões otomanos. Basta-lhes invocar os grandes princípios e há sempre um ministro ou mesmo um primeiro.-ministro a pedir-lhes desculpa de não lhes dar na íntegra e imediatamente todos os subsídios que eles querem. Hoje e amanhã o leitor assistirá a um destes shows periódicos. O Economista Português está curioso de ver se intervirá o presidente de uma grande Câmara Municipal do interior que há dias dizia: «Com isto da interioridade, nem precisamos de novos empregos, só cá ficam os velhos». Esta frase é a condenação de um sistema: o brioso autarca quer a resignação subsidiada.

Devemos subsidiar quem precisa e não pode trabalhar, por ser idoso doente, mas não devemos subsidiar os anacrónicos e miniaturais municípios: devemos sim substituí-los por autarquias locais adequadas à globalização, a única ação do Estado que pode auxiliar os nossos compatriotas «do interior» e voltar a dar-lhes esperança.

Lembrete Republicano aos municipais

Reproduzimos acima o cartaz do Congresso dos Municípios que hoje começa. Como o leitor vê, ele recomenda a regionalização.Ora a regionalização foi recusada pela República Portuguesa. Os municípios e a sua Associação são órgãos do Estado em absoluto incompetentes para procederem a uma revisão constitucional. Os senhores munícipes gozam do direito a terem a opinião que quiserem mas não deviam confundir as suas opiniões partidárias com as de organismos da República. Para evitarem comparações desagradáveis com a União Nacional. Desagradáveis e por certo imerecidas.

Economia: Vale a pena falar com os economistas?

«As equações matemáticas permitem aos economistas crediibilizar a sua reivindicação de se serem o único ramo das ciências sociais que se tornou uma ciência preditiva», escreve David Graeber, um antropólogo radical num artigo no último número da New York Review of Books. O artigo, significativamente intitulado «Contra a Teoria Económica» é consagrado ao último livro de Robert Skidelsky, intitulado Money and governments The past and present of economics, publicado em 2018. Skidelsky é o biógrafo oficioso de John Maynard Keynes, o grande economista, e analisa nesse livro a resposta à crise económico-financeira mundial iniciada com a falência do Lehman Bros.

Lord Robert Skidelsky

Em 2008, pouco depois da falência do Lehman, a Rainha de Inglaterra visitou a London School of Economics e, em plena tormenta, perguntou: «Mas porque e #eue ninguém viu chegar a crise?» Skidelsky conta esta bela história. Nenhum economista previu a crise porque a teoria económica dominante (o tautaologismo MV=PT e suas metástases) não dispõe de valor previsional. O establishnment económico não estava interessado nessa previsão. James K. Galbraith, um economista dos Estados Unidos, observou que nenhum dos grandes departamentos de economia das universidades americanas contratou depois de 2008 um professor senior que tivesse previsto a crise, O que não acontece «por acaso», comenta Galbraith (https://americanaffairsjournal.org/2018/11/the-past-and-future-of-political-economy/ ).

É óbvio que não é por acaso. Citemos de novo Graeber: «se vasarmos os modelos [da teoria económica dominante] em em fórmulas matemáticas completamente impenetráveis aos não iniciados é possível criar um universo no qual esses modelos nunca podem ser refutados». A nova macumba chamada economia sustenta-se a si mesma e impõe os seus critérios a todos os ramos da vida social. Alguns economistas, violando os princípios da seita, contribuirão positivamente para o debate social. Contribuirão eles, não a teoria económica dominante. Skidelsky quer substituir a teoria económica pela economia política. Tem razão. Estamos a assistir na Europa sobretudo a uma tesaurização monetária que anuncia grandes tempestades. Veremos se vai a tempo de evitar a próxima grande crise. Não nos esqueçamos que nas vésperas da crise de 2008 Alan Greenspan, então responsável do banco central dos Estados Unidos, no prometeu um crescimento económico ininterrupto enquanto o mundo é mundo. Será que o economista Greenspan indemnizou os portugueses pelos prejuízos que esta frase nos causou?

David Graeber foi saneado do departamento de Antropologia de Yale por razões políticas: queria estudar a teoria do valor. A sua crónica, nem sempre clara mas sempre estimulante, está disponível em https://www.nybooks.com/articles/2019/12/05/against-economics/