CGD: Estamos na 24ª hora de mais um Erro crasso

PassosCoelhoAntónioCosta

Antes de aprovar os milhares de milhões para a CGD, pense na foto acima

 

O caso da CGD mostra que António Costa e Passos Coelho, se conhecessem o tratado de Methuen, julgariam que o negócio era Portugal comprar vinhos a Inglaterra e vender-lhes panos. Queira o leitor pensar um segundo: o negócio da CGD é o dinheiro. Ora a economia portuguesa não tem dinheiro e por isso não conseguirá ter bancos próprios. Tal como no século XVIII começávamos a falhar a Revolução Industrial e não tínhamos a tecnologia para produzir têxteis (e por certo não tínhamos o adequado coeficiente capital-produto).

São reveladoras as críticas do antigo presidente da JSD, hoje dirigente do maior partido da oposição, ao duradouro militante da JS, hoje primeiro ministro, no relativo ao negócio da Caixa: critica-o por não nomear a tempo a administração da CGD, na sequência aliás da carta do Banco Central Europeu (BCE) sobre esse assunto. Não é preciso ter estudado Freud para perceber  que a Caixa interessa Coelho pois nomeará para lá mais pessoal seu, se um dia ganhar as eleições parlamentares. Qual é o charme  da Caixa para Costa?  Será verificar a viabilidade de modelos autocráticos e caducos de «governance» empresarial?  Ao tentar dotá-la com  a maior administração de sempre quererá renovar um bloco central  hoje serôdio?

A CGD tinha nexo como banco de investimento do Estado quando  a economia portuguesa gerava poupanças e o escudo não era convertível (Salazar nunca assegurou a convertibilidade do escudo, ao contrário do que pensam alguns apologistas ingénuos).  Hoje, a nossa economia não gera poupanças e a nossa moeda, o euro, é plenamente convertível. Costa e Coelho querem   gastar milhares de milhões dos nossos impostos para pagarem um serviço que podemos obter de graça. com efeito, a União Europeia obriga a CGD a portar-se como um banco privado e numerosos bancos privados acorrerão para a substituir.  É um erro pagar o que estamos em condições de obter de graça. O leitor dirá: a CGD dará lucro. Só que este lucro é incerto. Pagaremos pelo menos cinco mil milhões de euros para comprar um bilhete da lotaria CGD. A classe política, unânime, manipula o comprovado patriotismo económicos dos portugueses  para que aplaudam um novo erro económico-financeiro.

Recapitalizar a CGD é uma inutilidade (a União Europeia obriga a CGD a atuar como um banco privado) ou ou um prejuízo (se continuar a não dar lucro). Só inconscientes ou ignorantes correm riscos cujo prémio máximo é ficarem na mesma e cujo castigo é darem mais uma machadada na nossa própria cova.

Concluamos com uma anotação metodológica. O Economista Português não se converteu ao ultraliberalismo e não rejeita a intervenção do Estado na economia. Pelo contrário. Mas a intervenção do Estado na economia é um assunto já estudado pela teoria da política económica que condena a prevista intervenção na CGD.

Costa e Coelho propõem-se reinventar a roda e só nos trarão mais impostos. É a nossa 24ª hora para o novo erro sobre a CGD. Depois, o leitor não se queixe sff.