Orçamento 2021: não aumentemos os mínimos sociais

A tentação de aumentar os mínimos sociais por causa do Covid é grande. O nosso governo está a cair nesse poço sem fundo. O caso do SMO demonstra-o, Não é o Covid que justifica um maior SMO ou um maior subsídio de desemprego. Mas é verdade que ambos amente, duradouramente os mínimos sociais. quando o PIB subjacente decresce.

O Economista Português julga saber que o PCP divulgou estatísticas demonstrando que ser assalariado causa de perda de rendimentos dos assalariados porque estamos a subsidiar de mais. Queremos maior absurdo do que vivermos todos de subsídios?

Dr. Costa: Portugal não precisa da TAP

O Dr. António Costa, um homem sensato e experiente, está em vias de cometer o erro do seu governo: deitar 1,7 mil milhões de euros antes de a deixar falir. Este erro do nosso Primeiro Ministro tem uma causa simples e robusta: o Dr. Costa julga que a TAP faz falta a Portugal. Mas não faz. O Dr. Costa vive no temo do protecionismo do transporte aéreo. Por isso fala tanto em companhias de bandeira. Tipo TAP, a companhia do Estado, a herdeira da «linha «aérea imperial» dos anos 1940. Mas isso acabou com a cláusula 5; que dispensa de autorização governamental os voos entre duas cidades europeias desde que uma deles não seja a capital. É assim que nasceu a Ryan Air, e outras low-cost. Se a TAP desaparecer outras com companhias nos trarão os turistas (desses é que nós precisamos. Uma TAP deficitária é-nos prejudicial. O Economista Português apela de novo ao Dr. Costa: feche a TAP e tente negociais com a Lufthansa. Para mais a TAP acaba de sugerir que não conseguirá respeitar as novas metas pois voa com apenas 60% da capacidade ocupada o que é falência certa.

TAP, D. Costa, ponha as crianças na ordem

Quinta feira passada, a RTP1 transmitiu uma entrevista com o Dr. Pedro Nuno Santos, o ministro responsável pela TAP durante a qual ouvimos a mais extraordinária justificação para não levar à falência a nossa transportadora aérea: é que o ministro

seria sempre criticado, com falência ou sem falência.

Em vez de estudar os custos e os benefícios de cada solução. O mineiro prefere jogar

 dados.

Estudamos um pouco. A TAP nunca deu lucro nos tempos modernos. A Comissão de Bruxelas proibiu as ajudas estatais às companhias aéreas, esta processo o foi suspensa devido ao COVID-19 e começamos a batota para ajudar a TAP. Apos uns dois nos de operação normal. A TAP terá falido de novo, teremos perdido pelo menos 1,7 mil milhões e euros e nem um avião teremos. Se deixarmos a TTAP falir, pelo menos conservamos os 1,7 mil milhões e euros.

Temos que negociar a TAP com a Lufthansa, se ainda houver alguém que queira negociar com este bando de irresponsáveis aéreos

Dr. Costa, meta as crianças na ordem enquanto é tempo.

Portugal já está regionalizado

Nem o Covid19 nem a crise orçamental nos impedem de comorar a regionalização do co continente português. Foi a semana passada. As CC passaram a ser eleitas pelos municípios. As CCDR são as Comissões de Coordenação Regional e foram lançadas por Marcelo Caetano O nome delas conheceu ligeiras variações, mas o núcleo

 os seus podes manteve.ae estável: são uma segunda assembleia política em que o PS e o PSD repartem s fundos estruturais.

O novo arranjo levanta problemas constitucionais e talvez resolva a praga da regionalização. Se assim for, está de parabéns o Dr. António Costa, o pai deia regionalização semiclandestina,

O nosso país continua com um coma constituição singular: vota o orçamento ordinário em, S. Bento com a esquerda e vota o orçamento de investimento nas CCDR com o PSD.

Portugal terá orçamento EM 2021?

O nosso pá vive um estranho clima social: o PIB cai a pique mas o crédito, as pessoas de empréstimos europeu e o avanços do Banco Central Europeu dão-nos um sentimento de bem estar artificial. Ouvimos há dias um deputado PCP reivindicando um subsídio de risco COVID para toda a população ativa portuguesa. Afinal estamos nas vacas gordas. O orçamento do PS foi concebido a pensar na esquerda: está cheio de subsidios para aos mais necessitados. Mas quem o ataca é a esquerda: se os perús (Bloco, PAN, PCP) votarem contra ele, votarão não só do pobres: toda a nossa economia necessita de mais despesa.

O Bloco de Esquerda é o grande responsável de «esquerda contra esquerda» que lembra os anos 1930. O Bloco é um pequeno partido totalitário, dirigido por trotskistas e maoístas. Sonharão com a revolução do Covid? Nestas aventuras o Bloco beneficiou de um grande erro do PS: ao negocia com o os bloquistas o orçamento o PD de—lhas carta de alforria. Mas ó óbvio que os Bloquistas a não merecem: basta ver que mudam de exigências à meda que decorre a negociação (caso máximo da inacreditável proibição de empréstimos de privados ao Novo Banco-Lonely Star). Os bloquistas não são parceiros sérios.

O PSD deve votar o Orçamento?

O Economista Português abonasse em Max Weber, o cientista social alemão, para sugerir ao PSD como votar o orçamento: É o princípio da   Zweckrationlitaet, a racionalidade em relação aos fins. O fim é o poder. Vemos no PSD duas táticas para regressar ao poder: a aliança à direita, personalizada por Passos Coelho, e o bloco central, representada por Rui Rio.  Para essa aliança, o PSD tem que ganhar votos ao centro e na esquerda moderada. Por isso o PSD deve deixar passar este orçamento. É a única solução congruente com o bloco central e recoloca o PSD no centro do tablado.

Empresários: Lapso do Sr. Primeiro Ministro

A semana passada O Sr. Primeiro Ministro comparou as benesses concedidas a empresas na atual crise com as que o governo deu a outros grupos sociais: para as empresa só encontrou   esta: o governo não aumentou os impostos. Trata-se de um lapso perigoso porque exclui as empresas da vida nacional: os outros portugueses são subsidiados para viverem, os empresários têm que pagar para serem portugueses.

Os empresários portugueses, já causticados pela teoria comunistas do patronato boicotador,  é agora singularizado como grupo egoísta numa sociedade bondosa: o improviso ministerial dava ao qualificativo  autenticidade e profundidade que ele por certo não teve poia O Dr. Costa é nesta «feira cabisbaixa» um bem disposto e aquelas palavras não devem ser exageradas.

Tão pouco devem ser desvalorizadas pois deixam marcas num grupo social decisivo para o crescimento económico. O responsável do briefing empresarial do    Dr. António Costa é o ministro da Economia, o Dr. Pedro Siza Vieira, um sensato advogado de negócios. Siza já apresentou umas justificações mas foram insuficientes: consistiam em elencar algumas verbas entregues às empresas mas sem uma sombra de sentimento: «sou: portugueses, contamos convosco». 

O Dr. António Costa tem um lapso a corrigir.

A economia portuguesa a salvo: o Salário Mínimo será maior do que o ao salário médio

O nosso governo acaba de convocar a concertação social para aumentar o a salário mínimo. O aumento será de vulto: cerca de um quarto. Esta medida será realizável ou provocará uma vaga de   despedimentos e arruinará a nossa economia.  Se supusermos que os salários quatro quintos do rendimento nacional (o que parece razoável, aumenta-los num quarto significa tendencialmente que eles coincidirão com o rendimento nacional.

A economia portuguesa escapou aos factos e passou a ser concretizada em palavra que valem por si. A nossa economia entrou no céu. O PIB desce talvez um décimo mas ficaremos todos mais riscas.

Encimo e somos subimos o salário mínimo num quarto? É esta a lógica delirante que o Bloco de Esquerda nos impôs por interposto PS.

O Economista Português convida o nosso governo a não hesitar; declare a lei que o nosso salário mínimo é superior ao médio. É assim a morte do pai lacaniano. 

O «Estado da Nação» de Adão e Silva e Paes Mamede: a receita da nossa próxima bancarrota

Pedro Adão e Silva com  Ricardo Paes Mamede são os coordenadores do livro intitulado O estado da nação e as políticas públicas 2020, um conjunto de ensaios dados a lume com ligeiro atraso sobre o debate parlamentar homónimo. São textos  breves assinados por cada um dos seus autores  O livro é publicado pelo IPPS do ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa. O título dá  jus ao   ao conteúdo dos ensaios nele reunidos e propõe uma panorâmica doutrinariamente orientada da economica e social  portuguesas na atualidade. Políticas públicas é uma redundância posh pois política é necessariamente pública  Neste caso,porem, sob a  hégide das redundantes políticas públicas   deparamos com ensaios estimulantes bem editados e cujo grau de dificuldade não é superior a um artigo sobgre um relatório do FMI publicaso em de The Guardian, um diário de qualidade londrino. As ilustrações de Gui Castro Felga seduzem para uma leitura amena (veja acima como exemoplo um recorte da capa). A paginaç«ao de Ana Moreira nada nestas águas sedutoras. Sente-se na obra o estilo moderado mas incisivo de um dos seus coordenadores. Pena que como ilustração adicionallivro apenas proponha  gráficos, aliás de fácil leitura, esquecendo as fotografias.

Os grandes temas abordados são a saúde, a educação, a cultura, a ciência, o emprego, o ambiente,  a economia, as finanças públicas, o Estado, a Justiça,  a habitação, os transportes,  a democracia e, a coroar este bolo de fatias, a desigualdade social. Cada uma destas catorze partes é tratada em menos de nove breves páginas. Para cada um destes tema há pelo menos  um artigo artigos sobre temas específicos escritos por universitários ou dirigentes de instituições. Os artigos são úteis e para darem uma certa visão do nosso país: é o melhor do mundo mas permitem-se uma ou outra  crítica de pormenor. São situacionistas críticos, à maneira mutatis mutandis do Engenheiro e economista Daniel Barbosa (1909-1986)  no Estado Novo. Para esclarecerem que são situacionistas sem serem betinhos, surgem críticas tão doces à política do governo que facilmente as tomaríamos por elogios.

Vejamos essas críticas bem educadas. O Serviço Nacional de Saúde tem com «o grande desafui»prestar cuidados de saúde integrados a uma população envelhecida», Esquecendo-se da revolução médica e medicamentosa cada vez mais cara e que o SNS é suoosto fornecer gratuitamente a toda a a população portuguesa. Gratuitidade toital,  sem qualquer taxa moderadora. O ensino é creditado deo «sucesso escolar» que  porém (e aqui a crítica tem que ser «conolidadadaõ) e ocorrem entre «debilidades». Aqui a eufemizaçção vai ao rubro. A propósito da Universidade é criticada a falta de ligação  com as empresas produtivas na~s ela é desrresponsabilizada dosseu papl nesse fracasso e é esquecida a sua baixa posição nos rankimgs internacionais.

Acabamo de ver alguimas críticas com luvas de renda. Vejamos agora algumas matérias esquecidas no  «estado da nação» que  revelam bem a posição doutrinal dos seus autores: nunca é analisada a corrupção (aliás, como o leitor viu, o livro organiza-se por setores de atividade social). E não por problemas. Não há a menor preocupação com o crescimento económico e não é  estudada nenhuma atividade  produtiva (agricultura, pescas, indústria transformadora, etc).  A emigração de portugueses com altas qualificações é ignorada. Ninguém reivindica melhor qualidade do ensino. Ccomo esquecidos ficam outros fenómenos de tipo demográfico, com a nova  imigração e a racialozação da nossa política Ficam por referir arcaísmos como o do Sindicato dos Professores ou as greves portuárias, que são letais para o conjunto do nosso país. Os organizadores colocam a obra sob o primado das políticas sociais. O que explica a mais extraordinária das ausência: o Covid-19, que apenas é mencionada de passagem aqui e ali. Ora o Covid-19 uma epidemia que levou a classe dirigente a perder a cabeça perante mortes apenas imaginárias e a tentar paralisar a economia que era suposta estimular.  O livro conclui com um artigo do Doutor Paulo Pedroso sobre a desigualde social comparada. Para ele, a desigualde é  o que é medido pelo coeficiente Gini:  quanto maior é a concentração do rendimento em poucas mãos, maior é a desigualdade – que é sempre má. Mas  o autor, aliãs inteligente, esquece que há outra desigualdade; é medida pela diferenla em relação ao salário mais baixo (ou médio) em dinheiro (medido em paridades de poder de compra)  entre diversos países, regiões ou empresas. A diferença entre ambas estas desigualdades é notória: a   de Gini estimula a inveja e a   de valores absolutos estimular o trabalho como fonte de riqueza. A inveja é uma das piores pragas sociais e desfavorece o desenvoimento económicos, substituindo-o pela caça ao alheio por via dos impostos ou outra. Contribuindo assim para que o nosso país se torne invivivel.  Pedroso  não é por certo pessoalmente invejoso mas é levado  a estas conclusões pela lógica do seu sistema doutrinal cuja arqueologia coletiva temos estado a esboçar (arqueologia coletiva e não o pensamento individual dos coordenadorees ou dos colaboradores desta obraa). A saber:: o capitalismo de Estado é o sistema social ideal para os situacionistas dissidentes. Porque para o espírito deste livro,  a política social não é  ajudar todos os portugueses a enriquecerem (e dar apenas aos velhos, aos doentes crónicos,  aos que não conseguem trabalhar, aos doentes), a política social  é aumentar o recurso ao dinheiro dos outros, sem ser para casos limite. Quem pagará a «política social do capitalismo de Estado?  Será paga com «duas décadas de degradação financeira», nas palavras do título da contribuição do Doutor Ricardo Cabral para este livro. O produto do imposto não é  suficiente para satisfazer a clientela do «pão e circo do regime que é o melhor regime do melhor povo do mundo.                                                                                                      Para a manter feliz,  o Estado tem que recorrer ao emprestimo. À  primeira volta da estrada, o nosso pais entra em bancarrota. O regime que felizmente nos rege já tem quatro bencarrotas no cadastro. Com as tonterias do Covid19,  julgando que resolveremos a crise sem o nosso trabalho e apenas com o dinheiro dos outros, parece estar a caminho da quinta. E quem sabe se da última. Muitos, se não todos, os autores deste livro querem boas finanças,  e serão muito surpreendidos quando ela chegar. Convem por isso que lhes lembremos as palavras do Conde de Villèle, ministro das Finanças da Restauração francesa, quando o chefe de governo lhe censurou o défice orçamental: «se não me der boa política, não posso dar-lhe boas finanças». É que a política do capitalismo de Estado só subsiste  num regime nacional de autarquia económica e de autocracia política o que é impossível entre nós (pelo menos de momento). 

Se quiser ler O estado da nação e as políticas públicas 2020, uma obra de conjunto sobre a siruação económica e social portuguesa, que o força a refletir e a discordar, tem o seu texto em                                                http://img.rtp.pt/icm/noticias/docs/9f/9fe10450847aee01e3fe0e2969d071d6_c32aac8a07d0ae2a5f565768d35a3994.pdf

Pandemia: o Ontem e o Hoje da DG Saúde, pelo Epidemiologista Anónimo






      O Econonista Potuguês lembra que o artigo seguinte do Epidemiologista Anónimo ganha muito se forlido até à útima linha






Novidades, novidades, como dizia o slogan, só as encontrei na DGS. É preciso explicar melhor: não foi bem na DGS, onde a coisa teve origem e deve estar soterrada por uma grossa camada de pó informático acumulado pela falta de uso e de limpeza, impenetrável à minha fraca capacidade de escavação arqueológica agravada pelo facto de estarmos num país em que tudo é segredo de estado que não pode estar ao alcance da populaça.

        A referida peça arqueológica encontrei-a algo deslocada do lugar em que foi fabricada: nada menos do que num blog que, aparentemente, é mantido por um espontâneo bairrista de Carnaxide. Vale a pena ler, com as necessárias cautelas relativamente à dispepsia que a ingestão de tanta palha pode provocar em estômagos mais frágeis. É obra de tomo, 300 páginas de substancial prosa administrativa e burocrática; mas, conhecendo o estilo, conseguimos ir afastando a palha e chegar ao miolo, que começa quase no meio do calhamaço, na página 135. A partir daí, e afastando algumas gorduras, chegamos à parte mais nobre, ao bife, por volta da página 140.

        Descrita a ementa, e com o leitor já a salivar, revelo-lhe no que consiste o pitéu: nada menos que o “Plano de Contingência – 2ª edição” elaborado pela DGS em ….. (rufo de tambor) … 2008, para a pandemia que estava a caminho, da “gripe das aves”. E, nota importante, entre os cozinheiros que prepararam a iguaria, está uma certa “Maria da Graça Freitas”, identificada como uma das duas responsáveis pela “Coordenação da Edição” e como um dos autores (que são muitos).

        Disse que afastei mais de 130 páginas de palha até chegar ao “bife”. Pois o “bife” são as medidas preconizadas e as respectivas fundamentações. É curioso saber que, ainda há uma dúzia de anos, e de acordo com matéria que pouco ou nada foi investigada (internacionalmente) desde então, esta senhora subscreveu uma afirmação como esta, retirada da página 141:

“Quanto ao público em geral, não existe evidência firme de que o uso universal de más-
caras cirúrgicas possa contribuir para a redução da transmissão do vírus da gripe. Du-
rante a epidemia da SRA, os resultados de alguns estudos observacionais sugeriram
fraca evidência quanto ao seu efeito protector para os utilizadores. É, assim, difícil
tomar uma posição fundamentada quanto à utilização generalizada deste equipamento,
tanto mais que o seu uso indevido não é isento de riscos. Por exemplo, a utilização de
máscaras cirúrgicas húmidas ou molhadas pode ter o efeito inverso, isto é, aumentar
o risco de infecção.”

        Ou como esta, um pouco mais adiante na mesma página:

“O isolamento precoce dos doentes, geralmente em casa, assim que iniciam um quadro
clínico compatível com gripe, é recomendado, essencialmente por se revestir de clara
plausibilidade científica, começando a haver estudos que o indicam.”

        Daqui sublinho a expressão importante: “quadro clínico compatível com gripe”. Ou seja, observação clínica, médica. Ou seja, pessoas com sintomas de doença. Não se fala de “casos” de portadores de vírus, mas de pessoas doentes. E muito menos se fala de por de quarentena pessoas saudáveis só porque contactam ou contactaram com outras, portadoras do vírus.

        MAS HÁ MAIS, os cozinheiros esmeraram-se na preparação de vários pratos! Na página seguinte (142), encontramos:

“A identificação e a vigilância dos contactos são medidas habitualmente preconizadas.
Contudo, com base no conhecimento da efectividade de algumas das medidas de saúde
pública durante os surtos sazonais de gripe, é de admitir que, em situação de gripe
pandémica, o isolamento dos doentes e a identificação dos contactos e a sua vigilância sejam medidas apenas exequíveis enquanto o número de casos for reduzido.

A quarentena (isolamento dos contactos) não é geralmente recomendada. A execução
desta medida levanta questões de ordem prática, por vezes difíceis de contornar,
nomeadamente nas situações de epidemia ou de pandemia, pelo elevado número de
pessoas que potencialmente poderá envolver. Por outro lado, nem sempre é fácil
identificar quem foi ?verdadeiramente? exposto.”

        Vigilância de contactos apenas “enquanto o número de casos for reduzido”… mas isso já não é válido em 2020? Ou em 2020 a DGS tem tanto pessoal que pode fazer o que em 2008 não era “exequível”?

        Espantoso, não é? MAS AINDA HÁ MAIS! Logo no parágrafo seguinte a esta transcrição:

“Todavia, a aplicação da quarentena poderá justificar-se em situações excepcionais,
em função da avaliação de risco, por exemplo, num quadro de contenção da propaga-
ção do vírus, em ambiente hospitalar ou outros ambientes com pessoas institucio-
nalizadas, sobretudo quando haja elevado risco de complicações de gripe, como pode
verificar-se nos lares de idosos.”

        Aparentemente, a ilustre autora, nestes 12 anos, esqueceu-se da importância dos lares de idosos, pois não lhes ligou nenhuma no início da epidemia de 2020! E porquê? Atrevo-me a propor uma explicação: a Organização Mundial de Saúde está sempre muito mais preocupada, e direccionada, para os países com menores recursos e estruturas mais fracas, por isso esqueceu-se de falar, em 2020, nos lares de idosos, coisa que só existe em países já com algum desenvolvimento. E, como a OMS não falo no assunto, a drª Graça Freitas também se esqueceu do que assinara em 2008…

        MAS AINDA HÁ MAIS! Um pouco mais adiante, esta iguaria:

“As recomendações apresentadas dizem respeito às formas voluntárias de isolamento
dos doentes e de quarentena dos contactos. Quando estas duas medidas se tornam
compulsivas levam à discriminação, à fuga e à negação da doença, pelo que acabam
por não surtir o efeito desejado.”

        A decisão voluntária, livre, não imposta repressivamente. Curiosamente, a política preconizada e seguida, com excelentes resultados, na Suécia, em 2020…

        E AINDA HÁ MAIS! Na página seguinte (143), encontramos:

“A experiência demonstra que o rastreio de doentes e a sua quarentena nas fronteiras
não atrasam substancialmente a entrada do vírus num país (…) De acordo com a evidência obtida durante o surto da SRA em Hong Kong, relativa­mente ao rastreio de viajantes assintomáticos partindo de áreas afectadas — ras­treio de saída –, a efectividade do rastreio por aplicação de questionário é superior à do rastreio por medição da temperatura corporal.”

        Haverá uma ou duas semanas, ouvi um responsável (não sei se faltam duas letras no início deste qualificativo), creio que madeirense, a gabar-se de que gastou 600 mil euros a montar um sistema de rastreio por temperatura no aeroporto, e que já tinha valido a pena pois permitira em uma semana identificar …. (rufo de tambores) …. SEIS CASOS de passageiros infectados! A 100 mil euros por “caso” (que nem sequer estava doente), cabe perguntar: não havia coisas mais úteis em que gastar mais de meio milhão de euros?

        Mas há ainda mais “bife” no dito documento. Mais adiante, ainda na pág. 143:

“Um estudo da Health Protection Agency do Reino Unido sugere que, para ter um efeito
significativo na propagação de uma pandemia, a redução dos voos de e para as áreas
afectadas deve ser quase total e instantânea, o que, na prática, se torna inviável.”

        Em 2020, o “quase instantâneo” foi sempre (palavras do Primeiro Ministro, repetidas várias vezes, de cada vez que inventou modos de funcionamento e um país de fábula que existiria apenas nas duas semanas seguintes) “a partir da próxima segunda feira”: fecho do aeroporto, cancelamento de desembarques de cruzeiros, etc. Aparentemente, a autora esqueceu-se do que escrevera há doze anos e não avisou o Primeiro Ministro que, na segunda feira que vem, já é tarde e mais vale estar quieto…

        E, fechando com chave de ouro, mais esta pérola:

“Na selecção das medidas de saúde pública deverão ponderar-se não só os benefícios
esperados (efectividade), mas também as consequências adversas decorrentes da
sua operacionalização (impactes social e económico), em consonância com o princípio
primum non nocere da Medicina.”

        Ou seja, aparentemente, nestes 12 anos, a autora, além de se esquecer do que escreveu no Plano de Contingência de 2008, também se esqueceu do princípio da medicina, que cita, nada menos do que um dos pontos do “Juramento de Hipócrates”. Porque, em 2020, privou de assistência uma população de centenas ou milhares de doentes, muitos dos quais que terão morrido, não de COVID-19 mas em consequência da histeria supersticiosa à volta desta doença, a que foi dada prioridade em todo o sistema hospitalar, na maioria dos casos desnecessariamente suspendendo todos os outros cuidados de saúde.

        Que tal?

        O balanço a fazer, em síntese, é que a DGS, em 2008, elaborou um plano de contingência razoavelmente fundamentado na ciência, semelhante ao que foi adoptado na maioria dos países do mundo, e que permitiu passar pela “pandemia” de 2009 sem danos nem consequências graves, tanto para os já depauperados (em todo o mundo; estava-se na grande crise financeira) serviços de assistência médica como para a economia (que recuperava da crise financeira). Princípios científicos que foram postos em prática, em 2020, em alguns países, de que vale a pena destacar a Suécia e o Japão, com excelentes resultados, agora que a epidemia neles terminou (as epidemias “não se medem aos casos”: medem-se pelo número de mortos, e nestes dois países, entre outros, já deixou de haver mortes). O que nos leva a pergutar: qual a razão pela qual tanta gente desaprendeu o que é da instrução geral e, pior ainda, o que é da sua especialização científica? Pergunta teórica, para ser resolvida teoricamente, se é que a humanidade quiser desembaraçar-se saudavelmente deste período negro da História. Como sempre, há pelo menos dois caminhos (as TINAs apenas existem na ideologia da classe dominante).

        Enquanto não descobrirem que o estou a divulgar e o retirem da internet, o Plano de Contingência de 2008 está onde indico a seguir; mas, mesmo que seja censurado, já guardei uma cópia:

https://www.carnaxidedigital.com/plano_contingencia.pdf