Manifesto ameaça: sem TGV, acabam os comboios para a Europa

IlhaFerroviaria

Eis a «ilha ferroviária, apresentada num novo manifesto que pretende ressuscitar o TGV

Acaba de ser publicado um manifesto contra a transformação de Portugal numa «ilha ferroviária». O texto afirma que a Espanha prossegue a sua ligação completa à «bitola europeia»  e por isso o nosso pais ficará «isolado» nas suas ligações ferroviárias com os restantes Estados da União Europeia, o que terá custos económicos. É um texto cheio de inexatidões, rico em erros lógicos e omissões factuais,  assente em pouca reflexão, substituindo o estímulo pela ameaça – aliás inverosímil.

O texto, cuja iniciativa é atribuída ao Dr. Henrique Neto,   é subscrito por numerosos engenheiros ferroviários e por alguns nomes conhecidos entre os quais os do Eng.º Luís Mira Amaral, o empresário de petróleos Patrick Monteiro de Barros, o economista Ventura Leite,  além do próprio H. Neto. O Economista Português conta amigos entre os seus subscritores.

Reconhecendo implicitamente o fracasso das anteriores campanhas, o Manifesto não usa a palavra TGV, preferindo acentuar a ligação à bitola europeia para efeito de transporte de mercadorias. Esta  tática liga-o à última fase do lobby do TGV, no governo Passos Coelho. Até há pouco, o TGV era o conforto e o luxo dos portugueses que em poucas horas estariam no centro da Europa. Agora, para nos seduzirem, ameaçam-nos: se quisermos ir à Europa, iremos de diligência, ou mesmo de burro.

Do ponto de vista da sua filosofia global o  Manifesto da «ilha ferroviária» assenta no dogma caduco do primado do comboio. Este dogma foi  renovado na Europa transpirenaica dos anos 1960: era preciso escoar aço, as infraestruturas ferroviárias tinham sido lançadas com visão no século XIX e era preciso manter a funcionar a Alsthom e a Siemens, dependentes de mercados públicos.   A aviação comercial estava então regulamentada pelos Estados e previa-se que ela apenas satisfaria um pequeno número de clientes em aparelhos de luxo como o Concorde. O Concorde faliu. O avião tornou-se um meio de transporte de massas. O transporte aéreo foi liberalizado (mesmo na UE, com a chamada 5ª cláusula) e valorizada a sua valência da carga. Estamos em vésperas de uma revolução nos transportes determinada pela substituição do petróleo. O TGV é o último abencerragem da Revolução Industrial e não o produto da modernidade, que equivocamente seduz alguns portugueses. Mesmo em França, começa a ser contestada a natureza quase divina do comboio.

O Manifesto da «ilha ferroviária» está escrito numa retórica para aterrorizar meninos da escola e não assenta em nenhum estudo sério. Assim:

  • O texto nunca refere o custo  para o contribuinte da proposta ligação à bitola europeia; sugerem ser baixo, pois salientam que a UE pagará 85%; mas 85% de quê? Não dizem. E esquecem os prejuízos de exploração cuja previsibilidade O Ecoonomista Português já demonstrou. O Manifesto é de engenheiros ferroviários, não é de economistas;
  • Não é oferecida nenhuma estimativa dos custos adicionais decorrentes da manutenção da atual bitola portuguesa; como o transfert desta bitola para a europeia tem custos já hoje ocorre, a ausência do TGV não acarretará custos adicionais para os nossos exportadores, ao contrário do que o Manifesto pressupõe;
  • Se a Renfe abusar nos custos dos transferts para os nossos exportadores e importadores, a CP construirá alguns quilómetros de linha de bitola europeia no Caia e, sendo necessário, formará as suas próprias composições;
  • O Manifesto critica o fracasso da modernização da linha do Norte mas não explica a razão porque o nosso pendolino não atinge os 300 km/hora e o mesmíssimo pendolino ultrapassa em Itália os 300 km/hora. Essa razão é simples: o leito da ferrovia Lisboa-Porto-Braga não permite um traçado para a bitola europeia e, onde fisicamente o autoriza, os custos económicos seriam insuportáveis; por esta razão o TGV voltaria a falhar, lá onde estão os passageiros e as cargas, que é a linha do norte (além de Sines e Setúbal);
  • O Manifesto sugere, talvez por inadvertência, que o novo TGV siga um traçado diferente da atual linha do norte: só pode ser a a oeste, ou pela margem esquerda do Tejo. Esta sugestão é uma dica para a especulação imobiliária e o mínimo que dela devemos dizer é que não revela excessivo sentido das responsabilidades;
  • O Manifesto não apresenta nenhuma proposta de construção de linhas de bitola europeia em Portugal: se assim não descontenta nenhum lugarejo aspirante à sua estação de TGV, perde em credibilidade;
  • O Manifesto anuncia o fim do transporte rodoviário de mercadorias o que é ir muito longe no tremendismo; erra, pois em breve haverá veículos de transporte rodoviário de motores elétricos, menos poluentes do que uma gaivota;
  • O Manifesto ignora a existência de material circulante de bitola dupla, o que diminui os custos anunciados;
  • O Manifesto não assenta em nenhum estudo técnico e económico sério. Atente o leitor numa das suas frases cruciais: « o nosso País ficará completamente isolado da União Europeia em termos ferroviários, ficando dependente dos “portos secos” de Vigo, Salamanca e Badajoz em Espanha e das vias marítima e rodoviária.» A via aérea é omitida, num curioso ato falhado. Desinventar o avião,  ir muito muito longe na história de terror para adolescentes. E o «isolamento completo» ferroviário desmente a afirmação inicial da mesma frase  pois, para nos ligarmos por caminho de ferro ao resto da Europa, basta-nos colocar a mercadoria num dos assustadoramente designados «portos secos».
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  • O Manifesto da ilha ferroviária está disponível em
  • http://cdn.impresa.pt/d50/c98/11094965/manifesto.pdf
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G20 em Hamburgo: Um Mundo sem Rumo

PibMundiaUSeUE

Fontes https://fullfact.org/europe/eu-has-shrunk-percentage-world-economy/;https://www.forbes.com/sites/mikepatton/2016/02/29/u-s-role-in-global-economy-declines-nearly-50/#757a65ff5e9e; Notas: UE com 28 membros. Dados da UE para 1960: obtidos por extrapolaçção

Começa hoje em Hamburgo, na Alemanha,  una nova reunião do G20, as vinte maiores economias mundiais. É a melhor aproximação de um governo económico mundial. Mas os grandes Estados usam-no  para tratarem de objetivos não económicos.

Os diferentes Estados raptam a reunião para os seus fins próprios. A Alemanha da Srª Merkel situou a cimeira em Hamburgo para facilitar as manifestações de encapuçados e as cenas de violência que atirarão o eleitor moderado para os seus braços. A Itália, cujo governo de esquerda perdeu as eleições locais devido à imigração clandestina, espera  colocar essa questão na agenda. O Presidente Trump quer escapar à fama de isolamento mundial que contra ele lança o Washington Post, ansioso por esconder o golpe de Estado em curso contra o Presidente americano. O Presidente francês quer afirmar-se e por isso tentará aliar-se com Trump. Certo é que a União Europeia não estará presente em Hamburgo.

Como reza o King Lear, é uma história sem sentido contada por um cego a um louco. Os encapuçados alemães opõem-se à globalização + e defendem a imigração, o que é uma receita segura para a catástrofe. A Srª Merkel opõe-se a uma aliança com Trump invocando umas obscuras divergências sobre previsões climáticas daqui a meio século. A Itália propõe-se desviar  os navios de imigrantes clandestinos para outros destinos, mas sem explicar se propõe o recurso à canhoneira. e opõe-se ao apoio humanitário aos imigrantes o que lhe (nos) granjeará o desprezo mundial.

O G20 devia manter a reflação da economia mundial e evitar a queda no protecionismo. É duvidoso que o tente sequer.  Tudo isto ocorre num clima de crise da NATO  foi a Varsóvia dizer que não estava garantida a vitória da civilização ocidental. Em termos mais pragmáticos, o gráfico acima mostra que em pouco mais de meio século, a posição conjunta dos Estados Unidos e da União Europeia no PIB mundial foi quase dividida por dois. Mas do ponto de vista geoestratégico, é a Europa ocidental quem está em perigo: é ameaçada peça civilização islâmico-muçulmana que se perfila como a grande perdedora da globalização.

Kohl: Um Curioso Funeral Alemão

 

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Helmut Kohl e, à sua direita, a viúva, a Dr.ª Maita Richter-Kohl

Helmut Kohl será enterrado amanhã, sábado.  É um funeral curioso. Kohl  é o autor do Euro  (uma divisa atualmente em vigor) e da unificação da Alemanha (um país atualmente unificado).

O democrata cristão Kohl começará a ser enterrado em França e depois seguirá Reno abaixo, pela Germania em fora, até ser sepultado no adro de uma obscura catedral alemã do sul.

Se Kohl tivesse um enterro alemão, a Sr.Merkel, atual chancelarina, teria direito a proferir o seu obituário. Mas Kohl não queria isso: fora ele quem branqueara Angela Merkel, ex comunista e por isso ex nudista. Srª Merkel que lhe pagou acusando Kohl de corrupção na refinaria Leuna, situada na Alemanha ex comunista,  suspeitas talvez lançada  graças a ex comunistas alemães, comunistas ex mas sempre alemães e sempre seus subordinados.

Kohl tem este funeral  não alemão porque a sua ex mulher, dotada do wagneriano nome de Hannelore, se suicidou. Graças a isso, Helmut Kohl casou a sua anterior secretária, Maita Richter (hoje Richter-Kohl), bastante mais nova do que ele. a diferença de idade é manipulada ad odium  pela democrática e liberal imprensa alemã. Os meios de comunicação social teutónicos transformam a Dr.ª Maita (é economista) na víbora que assim mordeu o nacionalismo euro-germano-tuga. Os mass media alemães usam contra a Dr. Maita métodos voelkisch que lembram a Alemanha de outros tempos. Esse erro é perigoso e sobretudo é germano-nacionalista: Kohl não é enterrado na Alemanha porque a Alemanha está hoje tão dividida como no tempo da  batalha de Teutoburgerwald, relatada pelos historiadores romanos. O Volk é uma fantasia perigosa. É? Continua a ser.

Consta que a Sr.ª e ex camarada Angela Merkel se prepara para vampirizar o cadáver de Kohl, recorrendo ao protocolo para amanhã proferir  o obituar na Alemanha depois do primeiro ministro de Israel.

Assim vai a Europa económica: a morte de Kohl é do Ouro do Reno, o funeral é  de Meyerbeer, graças à Camarada Merkel.

Incêndios de Pedrogão: Vivemos no século XXI?

Satélites Artificiais

O inquérito aos incêndios de Pedrogão ainda não começou mas já começou o choradinho da falta de meios: devia haver um Guarda Republicano de serviço ao lado de cada eucalipto, se possível com um pombo correio para comunicar qualquer ocorrência. Deixemos de lado o triste episódio dos suicídios inventados que são uma triste variante do choradinho. Temos meios clássicos, estão é desorganizados e muitas vezes são mal comandados.

O Economista Português sugere quatro temas a inquirir sobre o incêndio de Pedrogão, além dos que são óbvios e têm a ver com o funcionamento da cadeira de comando e a eficiência do SIRESP, a dispendiosa rede de telemóveis privativos da Segurança Civil. Eis esses quatro temas:

  • Usamos satélites para deteção rápida de incêndios? Parece que não. Pelo que se sabe, a GNR enviou os seus homens darem indicações de trânsito na estrada da morte com base no diz que diz. A GNR, a polícia de controle do território, não tem acesso a satélites em emergências. A confirmarem-se estas notícias, que razão explica que a GNR,  uma instituição respeitada e com tantos bons quadros, vire as costas à ciência?
  • Porque entre nós morrem mais pessoas em incêndios florestais ?
  • Passando do apoio às vítimas dos incêndios florestais às suas causas: já começou a liturgia ecológico-macumba contra o eucalipto: a nossa Proteção Civil é a melhor do mundo mas padecemos de eucaliptos incendiários. Seria possível comparar a eficácia dados antigos Serviços Florestais com os do pessoal da Ecologia ao qual o 25 de abril tardio entregou a floresta, com os resultados à vista de todos?  Todos conhecemos as mudanças ocorridas na ocupação do território mas há meios rigorosos de proceder às análises pertinentes, incluindo as informações internacionais (há eucaliptos noutros países por estranho que isso pareça a quem  ouças as declarações da classe política portuguesa).
  • O combate aos fogos florestais é conduzido em termos amadores ou profissionais?

Incêndio de Pedrogão: Encobrimento à Vista

 

CostaProteçlãoCivil

O Diário de Notícias de hoje ataca El Mundo, um diário madrileno, por desde o dia 18 atacar o governo português, censurando-o pela sua incapacidade no ataque ao incêndio de Pedrogão Grande e sobretudo por não divulgar o nome dos seus correspondentes l portugueses.

O ataque é incompreensível. A imprensa portuguesa entregara  El Mundo ao seu triste destino e não produzira uma crítica ao nosso governo português. Se o transcrevesse, teria que revelar haver alguém neste  planeta que considerava o nosso governo responsável (ou corresponsável) por 64 mortos e mais de duzentos feridos. Quando, evidentemente, todo o mundo para lá do Caia estava ao corrente da «estrada da morte», para a qual a GNR mandava mais de quatro dezenas automobilistas que tentavam fugir ao incêndio.

O Diário de Notícias ataca porque o governo vai finalmente ter que nomear uma comissão de inquérito. O ataque do diário da Rua Tomás da Fonseca a um colega espanhol mostra que Portugal está a tornar-se num Estado de partido único: com Salazar ou Marcelo Caetano, a censura prévia administrativa estava instalada;  com Vasco Gonçalves e António Costa, passou a ser perigoso dizer a verdade em público.

O Sr. Presidente da República não deve consentir que o governo nomeie uma comissão para se inquirir a si próprioEl Mundo  não quis revelar o nome dos seus correspondentes em Lisboa revela recear as represálias das autoridades portuguesas. Quando o Diário de Notícias ataca o jornal madrileno, prepara a ditadura em Portugal pois diz ao futuro inquirido pela futuríssima comissão de inquérito:   se atacar o governo, está entregue aos bichos. El Mundo publicou as reportagens em regime de anonimato porque os seus correspondentes lhe disseram que receavam as represálias do Governo.  Os  nossos profissionais das comissões de inquérito fazem de conta que não percebem que o governo tenta assustar os futuros inquiridos. Mas, graças a El Mundo  e ao subtil Diário de Notícias, todo o mundo percebeu que não só somos incompetentes a proteger a vida humana contra incêndios: falta-nos a capacidade para condicionar a opinião sem violar os direitos humanos.

O Sr. Presidente da República deve tomar a iniciativa de nomear uma comissão independente do governo e da Assembleia da República. Porque:

  • Estão em causa as liberdades públicas:
  • O governo tem que ser inquirido, e quem diz o Governo diz os partidos que o apoiam no Parlamento(só o PCP teve até hoje alguma coragem, o Bloco de Esquerda foi de férias para o terceiro satélite de Neptuno);
  • As tardias meias palavras do PSD sugerem que ele está comprometido com o encobrimento;
  • Uma comissão de fantochada nada adianta pois a censura portuguesa à comunicação social só vigora até ao Caia e do lado de lá todos conhecem a estrada da morte e a nossa incapacidade administrativa; se a esta incapacidade juntarmos a lógicas inquisitorial do encobrimento, cortar-nos-emos da comunidade internacional de grau 1;
  • O mandato legal da comissão de inquérito deve assegurar a proteção dos depoentes, introduzindo se necessário o estatuto de «depoente protegido»:
  • Sem um inquérito a sério, o establishment  de segurança português nunca mais será levado a sério, abrindo o caminho a uma sociedade de bandidos.O turismo diminuirá pois os estrangeiros recearão serem incendiados pelo governo português e seus agentes. Terá tristes resultados para a economia portuguesa, em particular no capítulo do investimento direto estrangeiro. Esta motivo é menos elevado do que os anteriores, mas todos precisaremos de nos alimentarmos nos próximos tempos.

 

 

 

Dívida grega: Centeno vota pela Grécia contra Portugal

CentenoAfagadoPorStaebler

O Ministro Doutor Centeno pede ao advogado Schäuble, ministro alemão das Finanças, para lhe passar a mão pelo pêlo. O Ronaldo das Finanças aumenta os impostos dos portugueses para manter o dito Schäuble bem disposto para com ele. O ministro grego segue a estratégia oposta e consegue mais… para os gregos

A chamada União europeia (UE) e  o Fundo Monetário Internacional (FMI) acabam de dar mais uma «tranche» à Grécia. Tranche  é chic  e sai-nos mais barato do que se for empréstimo gratuito.  Demos oito mil milhões de euros.  Um vigésimo do PIB português, coisa de nada, o que custa ao leitor a ganhar em três semanas.

O Doutor Centeno protestou? Talvez, mas protestou tão tão baixinho que ninguém o ouviu. O doutor Centeno gosta que o sr. Ministro das Finanças alemão lhe passe a mão pelo pêlo, gosta da miragem de ser  presidente do Eurogrupo, o que que causa alívio no Banco de Portugal, onde lhe atribuem remuneradores propósitos para a época posterior àquela em que putativamente nos salvou financeiramente (aumentando o que pagamos aos nossos credores).

À saída da reunião, a Srª diretora geral do FMI, Christine Lagarde, declarou que era um «second best» (melhor que nada,, em português tradicional. A melhor solução era perdoar a dívida impagável (curiosamente, a tese d’ O Economista Português, que a esquerda abandonou a benefício da mesa do orçamento…. português). 

À saída da reunião, o ministro francês disse que, se a economia grega crescesse, lhe perdoariam a dívida.

O contrário do que nos fazem a nós: mandam-nos crescer para pagarmos uma dívida impagável.

Horas depois, a Espanha protestou,. Teremos que ir para espanhóis para defendermos os nossos interesses de portugueses? Ou para nos defendermos basta o governo português lisonjear o ego do Doutor Centeno e dizer-lhe que ele presidirá o … eurogrupo? O Dantas é espanhol pum, escrevia o Almada nos anos 1930.

Escusado será dizer que até ao momento deste post, os meios de comunicação social não referiram nada deste benesse grego e deste achincalho português. Porquê? Excesso de competência? Excesso de independência em relação ao Doutor Centeno?

A nossa dívida pública já não é lixo?

 

DívidaPública2011a2017

Há dias, o Sr. Primeiro Ministro afirmou que «faz pouco sentido» o rating da nossa dívida ser o mesmo de 2011 pois «a situação muito diferente». Esta frase vem à boleia da proposta da Comissão bruxelina para que Portugal saísse do Procedimento por Défices Excessivos. Qualquer primeiro ministro é um profissional do otimismo.  O Dr. António Costa desempenhou o seu número e desempenhou-o bem.  Mas terá razão?

A Standard & Poor, a maior das agências de rating, já se explicou e, em resumo, disse não há garantia que a recuperação financeira seja «sustentável».  Este adjetivo é demasiado simpático para nós. Com efeito, a solvabilidade de um Estado é medida em função de dois critérios: o saldo primário do seu orçamento em o crescimento da sua economia, medido pelo Produto Interno Bruto (PIB) ou indicadores aparentados Se o PIB não cresce, aumentar o saldo primário padece de um custo  eleitoral insustentável.

Vejamos os dois critérios. O saldo primário já cá está mas é tão pequeno que não dá para pagar a dívida pública.  E demorou tantos anos a conseguir que, lá de fora, poucos acreditam que resista a duas eleições.

O segundo critério não dá melhores resultados. A solução negociada com a troika aumentou muito a nossa dívida pública, como mostra o gráfico acima. Em contrapartida, o nosso PIB diminuiu, o que torna   mais difícil pagar a dívida. Talvez já tenhamos recuperado o que perdemos com a crise («reverter», como diz o governo) mas não estamos melhor do que em 2011 do ponto de vista dívida/potencial de pagamento. Pelo contrário.

Para o primeiro critério a situação é parecida com a de 2011, pois não há confiança na estabilidade das medidas orçamentais, e para o segundo o remédio que ministraram à economia portuguesa agravou o mal. A dívida pública portuguesa só é  sustentável com o apoio do Banco Central Europeu (BCE). Que ninguém sabe como agirá.

Há um terceiro facto, de psicologia económica, que nos mantém no lixo: Portugal enganou as agências de rating quando pediu ajuda à União Europeia. É humano supor que aquelas agências não querem que voltemos a enganá-las. Por isso jogam no seguro. O seguro é a classificação lixo.

O Economista Português lamenta ter que contrariar a vaga de otimismo que assola o nosso País e ameaça ser mais perigosa do que a vaga de incêndios.  Mas os factos são casmurros.