Berlim autoriza BdP a assumir prejuízo pela Dívida pública portuguesa

PortadeBrandenburgoQuem manda nas finanças portuguesas? Berlim, Berlim, Berlim

O título pareceu-lhe surrealista, no sentido em que o seu chófer de táxi fala de surrealismo? Queira continuar a ler. Hoje em Frankfurte, na Alemanha, o Bundesbank, o banco central alemão, por intermédio do Banco Central Europeu (BCE), autorizará o BdP (Banco de Portugal) a suportar os prejuízos que o BCE eventualmente sofra por comprar dívida pública portuguesa.   É este o efeito certo para o nosso património do programa de Quantitative Easing (QE) que hoje será aprovado pelo BCE para evitar que a Eurozona caia na depressão. Se evitar a depressão, ganharemos nós e ganharão todos. A Alemanha impôs as suas condições para o QE: Hollande, Renzi, Passos Coelho,  tutti quanti aceitaram como de costume o bluff alemão. Logo ouvirá o coro dos vencidos a cantarem vitória.
O Economista Português está certo que os meios de comunicação social apresentarão esta ação como uma maravilha de solidariedade europeia. Ela é o equívoco que a Alemanha tem aplicado à classe dirigente portuguesa desde o estabelecimento do euro: pago-vos as dívidas, ou parte delas, desde que ninguém saiba e que o compromisso não fique escrito. Agora piorou: a Alemanha só nos paga as dívidas se o BCE falir, pois somos devedores dele e com a sua falência ficaremos dispensados de lhe pagar; se o BCE não falir e tivermos problemas, nós pagaremos e a Alemanha lucrará. Logo queira ver o telejornal das vinte horas no qual o Dr. Carlos Costa, governador do BdP, nos dirá em quanto o QE aumentou o nosso passivo nacional (incluindo a dívida pública indireta). E o ativo, também.

Para perceber melhor a operação hoje (por certo) aprovada em Frankfurte, queira ler
http://www.economist.com/blogs/freeexchange/2015/01/ecbs-momentous-meeting

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