Costa vê o lado bom do Brexit …

BrexitPt

O rascunho de acordo sobre o Brexit será bom para todos os europeus e em particular para nós, afirmou ontem o primeiro ministro Anónio Costa que nos informou que ontem mesmo conhecera o seu conteúdo. Como prova da bondade do acordo estava a proteção para o o vinho do Porto e do da Madeira.

O Economista Português anota:

  • O nosso primeiro ministro sabe das negociações da União Europeia ao mesmo tempo que qualquer de nós, o que significa que a Comissão dita de Bruxelas não julga valer a pena informá-lo (ou que a nossa diplomacia não o informa a tempo);
  • O nosso Primeiro-Ministro é informado sobre o Brexit pelos adidos de legação da nossa brigada do chá os quais são promovidos por antiguidade desde que provem a sua presença nas festas nacionais de cerca de 190 países que connosco têm, ou gostavam de ter, relações diplomáticos e estão representados nas capitais da UE com embaixadas de porta-aberta: só a brigada do chá julgaria que o reconhecimento do «vinho do porto» continua a ser difícil;;
  • O nosso primeira ministro só toma medidas para a a hipótese do Brexit cor-de-roa (esta anotação é a beneficio de rápido inventário).

     

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… e, para evitar que o Brexit nos arruíne, sugere-se  ao Primeiro Ministro que promova já um cartel do bom-senso  europeísta 

BrexitSeparação

A ausência de acordo sobre o Brexit prejudicar-nos-á muito: a Inglaterra é o nosso quinto mercado externo e corremos o risco de o ver desaparecer de um momento para o outro, pois Paris-Berlim preferem, como sempre preferiram, expulsar a Inglaterra (para darem uma lição à Itália, que os desafia na política do Euro). Somos alheios a essas (e outras) querelas e devemos agir para evitar que elas no infernizem a vida. Sonhar que o Brexit  corre bem é fácil, mas é melhor preparar o futuro.

A União Europeia (UE) continua a sua política de expulsar a Inglaterra a pontapé. Para ter a certeza que o Reino Unido nunca aceitaria as suas condições, limitou-se a um truque simples: exige que República da Irlanda exerça o seu direito de veto sobre o território do Ulster (Irlanda do Norte), sobre o qual mantém um velho contencioso com Londres. Ora Dublin veta qualquer acordo que reconheça à Inglaterra o direito de estabelecer a fronteira entre a Irlanda do Norte e a Irlanda (sem norte), como Estado soberano que ainda é. É isto que impede o acordo sobre o Brexit. Poupamos ao leitor os pomenores cripto-técnicos e hiper-interesseiros. . Ainda não começaram sequer as verdadeiras negociações sobre o regime económico-legal do comércio entre Londres e os 27. É este o rascunho de acordo que a Srª Teresa May apresentou ao seu governo e que está a suscitar a revolta no seu partido, o conservador, pois a UE não reconhece a unidade política do Reino Unido.

A Rainha das Pindéricas, que como ministra do Interior de David Cameron inundou a Inglaterra dos imigrantes estrangeiros que deram a vitória referendária ao Brexit, não percebeu a armadilha do eixo Paris-Berlim. Ela provocou eleições antecipadas e perdeu-as; chefia um governo minoritário e, para que o projeto de acordo com Paris-Berlim seja aceite em Westminster, precisa dos votos do DUP, os unionistas irlandeses, que já sugeriram que lhos não darão. A Rainha das Pindéricas sobreviverá à revolta dos deputados tories se por exemplo: comprando os votos do DUP ou conseguir que a City e as grandes empresas britânicas  desautorizem os seus críticos face ao eleitorado. Se não conseguir, o rascunho de acordo será recusado em Westminster e o Brexit duro, sem acordo, com o risco de guerra comercial, tornar-se-á automático no próximo dia 29 de março. Nas o mais certo de momento  é a Srª May ter que se demitir antes do voto parlamentar, em consequência da conspiração dos deputados conservadores pois eles gozam do direito de recorrer ao Comité de 1922 para exigirem uma moção de censura interna ao partido conservador. São precisos quinze por cento dos deputados conservadores, pouco menos de cinco dezenas. Já há pedidos, mas ignoramos quantos. O processo partidário de demissão da Pindérica está em curso. Manda a lógica do poder que a senhora May seja demitida neste voto interno: se não a rejeitarem, os deputados tories estarão depor o futuro do Reino Unido nas mãos do minúsculo DUP e a confessarem que não têm o menor poder.

Em breve o saberemos. Em breve saberemos se a situação é apenas tragicómica ou é realmente dramática, se começou a destricotagem da pobre UE. Devemos propor uma solução de bom senso: havendo Brexit o nosso comércio com a Inglaterra seguirá o regime vigente (de direitos aduaneiros e de quotas), a título transitório, até que haja acordo sobre o Brexit. É isto o essencial, a assentar já na cimeira da UE a 26 do corrente mês de novembro. Alguns pormenores deverão ser adicionalmente regulados: qualquer das partes tem o direito de proibir a entrada de mercadorias produzidas pela outra, mas só por razões de saúde e de ordem pública. As razões de saúde devem ser justificadas e são passíveis de apresentação a um tribunal arbitral a constituir entre as partes. Este acordo transitório, mas sem termo fixo, entrará em vigor a 29 de março próximo, sejam quais forem as tropelias entretanto ocorridas entre Belfast, Dublin, Londres e o eixo Paris-Berlim. Vigorará para nós e para todos os 27.  Haverá assim uma união aduaneira entre os 27 e o Reino Unido. Boa parte dos Brexiteers  quer fixar os seus direitos aduaneiros com todos os outros países. A ser assim, o statut quo terá que evoluir para uma zona de comércio livre. Ficará assim sempre garantido que não haverá regresso ao protecionismo. Usamos as categorias clássicas pois evitam a confusão conceptual das novas expressões (mercado único, quatro liberdades, etc). Com efeito, estes neologismos apenas são entendidos por parte da seita federalista.

O Economista Português apela ao Sr. Primeiro Ministro que mande entregar com urgência a anterior proposta nas chancelarias dos 27 (por enquanto connosco são ainda 28), primeiro de modo reservado e, se se revelar conveniente, recorrer ao tribunal da opinião pública da UE.

O Economista Português  dirige o presente apelo não só ao Dr. António Costa, que como nosso primeiro ministro assume particulares responsabilidades, mas também aos responsáveis dos partidos de governo, efetivo ou potencial: Jerónimo de Sousa (PC), Bloco de Esquerda (Catarina Martins), Dr. Rui Rui Rio (PSD) e Doutora Assunção Cristas (CDS/PP). Por si só, e através da influência de que desfrutam nas Internacionais europeias, poderão fazer algum bem ao nosso país e à União Europeia.

O BE está preparado para ser governo?

Bacalhau a Pataco

À esquerda, um casal de eleitores. À direita. o Bloco de Esquerda (XI convenção) lançando um atraente isco eleitoral

«Estamos prontos» para «ser governo», afirmou a deputada Mariana Mortágua na undécima convenção do BE. A deputada respondia à sua própria pergunta. É este o grande argumento eleitoral do BE: estamos em condições de ser governo. Nesta abertura da campanha de caça ao voto, o primeiro critério de governabilidade é o programo eleitoral.

Resumos nos seus cinco pontos as «reformas estruturantes» doo programa do BE, tal como foram revelados no aplaudido e votado discurso final da deputada Catarina Martins naquela convenção. A deputada disse:

  • Nova Lei de bases da saúde e fim das parceria público-privadas;
  • A «demografia», «um problema que só se resolver criando melhores condições de vida aos portugueses»;
  • «Alterações climáticas», que «passa necessariamente pelo fim das prospeção de petróleo em Portugal»;
  • «Controlo público dos setores da banca e energia»;
  • Combate contra a corrupção o que implica a criação da Entidade da Transparência, já proposta ao Parlamento pelo BE. Logo a seguir, Marisa Matias, a cabeça de lista daquele partido às eleições para o Parlamento europeu, lembrou que aquele programa é incompatível com o tratado orçamental (o que fora ocultado pela deputada Catarina Martins). Nas conclusões da convenção foram omitidos os apelos do deputado Pureza à legalização e aplicação da eutanásia.

Será que este programa revela um BE preparado para ser governo? Todas as «reformas» ditas estruturantes implicam aumento de impostos e nenhuma acarreta diminuição da despesa pública. Nenhum dos cinco pontos explica que impostos serão aumentados nem de quanto será o aumento. Os cinco pontos do BE são puro e descarado «bacalhau a pataco». Nenhuma «reforma estruturante» cria emprego ou melhora a educação ou aperfeiçoa a formação profissional? Emprego, educação, I&D são assuntos tão irrelevantes para o BE que nem se lembra de os mencionar, mesmo de passagem. Menciona a «demografia» mas dissolve-a no aumento do consumo privado, o que não é para tomar a sério, pois é sabido que a taxa de natalidade diminui quando aumenta o consumo privado. Segue-se no programa do BE a salvação do universo pelo fim da prospeção de petróleo no nosso país. O que parece uma graça de mau gosto. Curiosamente, a única medida concreta do BE em relação à nossa economia consiste em proibir a criação de riqueza, que seria concretizada em horrendos e mortíferos poços de petróleo lusos.

O controle da banca é uma deliciosa e infantil fantasia: em termos de controle das categorias keynesianas da contabilidade nacional, a nossa banca está mais do que controlada. Se controle é nacionalização, estamos conversados. Ora o BE joga nesta ambiguidade: a troco de umas esmolas de poder e da destruição do  mercado imobiliário, dará o perdão ao governo burguês que o aceitar como comparsa: a banca foi controlada.

A criação da entidade a favor da transparência sugere que o BE aprendeu a lição da «porca da política» – o que já fora patente na atuação do seu vereador Robles na Câmara Municipal de Lisboa, apoiado até à última pela deputada C. Martins..

Este programa traduz a divisão do BE entre uma ala orçamental, que se lambe com a putativa guerra ao dióxido de carbono a jorrar por uns poços portugueses que nunca jorrarão, e uma corrente mais radical, que desafia os acordos do euro e a validade da certidão de óbito burguesa, que dispensa a injeção atrás da orelha, com garantia estatal.

O BE nasceu sob o impulso do Dr. Miguel Portas que propunha à extrema esquerda mal desotelizada assumir os problemas nacionais, um pouco na esteira do «compromisso histórico» de Enrico Berlinguer, o último secretário-geral do PCI na Guerra Fria. Eis o BE rendido às delicias do Orçamento e solucionando tudo pelo não confessado aumento dos impostos que redistribuirá às suas clientelas. O «bacalhau a pataco» é uma variante do que os teóricos da Segunda Internacional chamavam o «programa mínimo». Para o marxismo primitivo, nenhum prosélito tinha o direito de participar num governo burguês. Mas a Primeira Guerra Mundial obrigou os partidos socialistas e sociais-democratas a essa participação. Para dourarem o brasão teórico dessa participação nacionalista (nacional-socialista é um adjetivo posterior), os socialista da 2ª internacional inventaram a noção de programas mínimo: o mínimo era o que os seus aliados burgueses imediatamente aceitavam. O programa máximo, sem data marcada, era o comunismo. Assim, os socialistas franceses desencadearam a guerra colonial na Argélia ao abrigo do programa mínimo (para o comunismo, era melhor que os nacionalistas argelinos fossem mortos por rajadas de metralhadoras socialista do que por balas monárquicas) e confortado pelo programa máximo do comunismo (argelino nacionalista morto por uma bala socialista do programa mínimo já não seria liquidado por uma bala do Conde de Paris, o que aproximava a França do paraíso comunista). Esta lógica do programa mínimo joga em pleno entre nós (com meio século de atraso). O BE tornou-se o cobrador de fraque dos nossos credores da União Europeia ao abrigo do programa mínimo (o que os burgueses amigos aceitam) e moralmente protegido pelo programa máximo (quando o BE for o cobrador único dos juros dos nossos miseráveis credores, estaremos a um passo do paraíso comunista). Onde vai o legado estratégico do Dr. Miguel Portas!

A conclusão é :  o BE não está preparado para ser governo.

Mais informação em

https://www.dn.pt/edicao-do-dia/11-nov-2018/interior/antonio-saraiva-bater-o-pe-as-financas-e-essencial-no-ministro-da-economia-10160947.html

https://www.dn.pt/edicao-do-dia/12-nov-2018/interior/bloco-esta-lancado-o-ano-eleitoral-e-a-luta-com-o-ps-10164646.html

Grandes investimentos: TGV não, obrigado, já temos

alfapendular

O Alfa Pendular é o nosso TGV

O PNI 30 fez renascer o pesadelo do TGV. O PNI 30 é o putativo programa de grandes investimentos para a próxima década. Prometem-nos agora um TGV que dizem ser três vEzes mais barato do que o do licenciado em engenharia José Sócrates. Quem o promete é o eng,º Pompeu Santos, um divulgador inteligente e bom argumentador. Mesmo assim, devemos recusar a oferta. Pelas razões seguintes.

Já temos TGV

O Pendolino, o nosso Alfa pendular, é o TGV italiano. É melhor, mais bonito e mais barato do que o TGV, que é apenas o Pendolino francês. Temos o material circulante e renovámos a via há menos de trinta anos.

É excesso de falta de memória prometer Lisboa-Porto de comboio em 90 minutos

Esta promessa não tem fundamentação. Já no-la apresentaram quando instalaram o Pendolino. Já falharam uma vez e uma vez já foi demais, As aproximações de Lisboa e do Porto estão saturadas e não permitem por falta de espaço físico instalar vias férreas rápidas. Uma segunda razão impede essas velocidades: o nosso TGV teria que parar pelo menos em Coimbra e Aveiro. O TGV francês vai de Paris a Lyon (cerca de 600 km) sem parar para alcançar uns modestos 140 km/hora nos dias normais de Lineu. Ora o comboio demora a recuperar a velocidade perdida nas paragens.

O TGV é um produto do passado protecionista

Após a Segunda Guerra Mundial, a França, a Itália e a Alemanha dispunham de fortes redes ferroviárias, de fortes indústrias siderúrgicas e de fortes empresas produtoras de material de tração e de carruagens ferroviárias. Restringir a aviação comercial protegia-as. Até à 5ª liberdade, que dispensa de autorização administrativa qualquer carreira aérea que não ligue duas capitais de Estados europeus, a aviação europeia vivia em regime de restrição protecionista. Esse protecionismo acabou para sempre. O TGV foi uma fantasia destinada a afastar os franceses do automóvel e a salvar a SNCF. Foi um êxito, mas esse êxito já foi. Hoje, o Presidente Macron tenta reduzir os comboios às suas justas proporções, para diminuir o peso dela no défice externo da França. Porque é impossível desinventar o avião. O avião é o futuro, exceto num número reduzido de percursos, com procura muito intensa em distâncias curtas (tipo ponte aérea)

Sem TGV a nossa ferrovia tem cotação internacional

Não precisamos do TGV do ponto de vista da qualidade dos nossos caminhos de ferro. O Global competitivity report do World Economic Forum avalia a eficiência dos nossos caminhos de ferro. Dá-lhes a nota 4,6 num máximo de 7. É 13/14 na escala de 0-20. Claro que podemos melhorar mas estamos bem situados. Com efeito, em termos mundiais os nossos caminhos de ferro sem TGV ocupam o 23º lugar e o nosso país como um todo ocupa o 34º lugar em termos de competitividade. Os nossos comboios estão melhor classificados do que a nossa competitividade em geral. Temos que melhorar a nossa competitividade global antes de melhorarmos os caminhos de ferro.

Mesmo com o TGV em saldo, os seus custos excedem os benefícios

Não precisamos do TGV nem para pessoas nem para mercadorias. Para mercadorias talvez se justifique uma ligação de Sines a Évora em bitola larga. Quanto ao mais, basta-nos colocar as nossas exportações nos portos transpirenaicos, todos eles abundantemente abastecidos de TGV e TbV (Transportes de Baixa Velocidade).

Os defensores do TGV gostam pouco de contar os custos e os benefícios. Por exemplo: não comparam o custo de linha e material circulante novos com a simples compra de deste combóio carruagens e vagons de dupla bitola. Porquê? E nunca tentam quantificar os ganhos de produtividades derivados da construção do TGV. Em boa teoria económica, uma infra-estrutura de transporte só se justifica se, durante a sua vida, gerar riqueza suficiente para a pagar. Os defensores do TGV não tentam sequer contabilizar a riqueza adicional. O TGV mais em conta custará ao contribuinte 3,4 mil milhões de euros, a pagar durante dez anos (reproduzimos as estimativas do engº Pompeu, sem as endossarmos pouis desconhecemos os cálculos em que se baseiam). O Engº Pompeu nunca nos dá uma conta de ganhos e perdas previsional do seu TGV e isso basta para que o recusemos. Três (ou cinco) mil milhões de euros não são brincadeira. Dados os preços do transporte aéreo concorrencial, se quiséssemos amortizar o investimento no TGV, deveríamos por certo pagar bilhetes bem  mais caros do que os do avião. Por isso, o TGV andaria vazio e o leitor teria que pagar o prejuízo de exploração, além de pagar esse investimento (três mil ou cinco mil milhões de euros). Resumamos o problema económico: se a maldição do TGV se abatesse sobre nós, valeria mais pagarmos as chulipas e o material circulante mas nunca o desempacotarmos, pois assim ao menos não teríamos que desembolsar os nossos impostos para pagar o seu défice de exploiração durante cerca de trinta anos.

Acrescentemos uma última palavra mais de tristeza do que de sarcasmo: no momento em que são traçados estes megalómanos planos ferroviários, a CP não tem material circulante para as suas linhas regulares. Será necessários dizer mais?

Os artigos em causa do Engº Pompeu Santos estão disponíveis em

https://www.publico.pt/autor/s-pompeu-santos

… e, para evitar que que o Brexit nos arruíne, sugere-se  ao Primeiro Ministro que promova já um cartel do bom-senso  europeísta 

BrexitSeparação

A ausência de acordo sobre o Brexit prejudicar-nos-á muito: a Inglaterra é o nosso quinto mercado externo e corremos o risco de o ver desaparecer de um momento para o outro, pois Paris-Berlim preferem, como sempre preferiram, expulsar a Inglaterra (para darem uma lição à Itália, que os desafia na política do Euro). Somos alheios a essas (e outras) querelas e devemos agir para evitar que elas no infernizem a vida. Sonhar que o Brexit  corre bem é fácil, mas é melhor preparar o futuro.

A União Europeia (UE) continua a sua política de expulsar a Inglaterra a pontapé. Para ter a certeza que o Reino Unido nunca aceitaria as suas condições, limitou-se a um truque simples: exige que República da Irlanda exerça o seu direito de veto sobre o território do Ulster (Irlanda do Norte), sobre o qual mantém um velho contencioso com Londres. Ora Dublin veta qualquer acordo que reconheça à Inglaterra o direito de estabelecer a fronteira entre a Irlanda do Norte e a Irlanda (sem norte), como Estado soberano que ainda é. É isto que impede o acordo sobre o Brexit. Poupamos ao leitor os pomenores cripto-técnicos e hiper-interesseiros. . Ainda não começaram sequer as verdadeiras negociações sobre o regime económico-legal do comércio entre Londres e os 27. É este o rascunho de acordo que a Srª Teresa May apresentiou ao seu governo e que está a suscitar a revolta no seu partido, o conservador, pois a UE não reconhece a unidade política do Reino Unido.

A Rainha das Pindéricas, que como ministra do Interior de David Cameron inundou a Inglaterra dos imigrantes estrangeiros que deram a vitória referendária ao Brexit, não percebeu a armadilha do eixo Paris-Berlim. Ela provocou eleições antecipadas e perdeu-as; chefia um governo minoritário e, para que o projeto de acordo com Paris-Berlim seja aceite em Westminster, precisa dos votos do DUP, os unionistas irlandeses, que já sugeriram que lhos não darão. A Rainha das Pindéricas sobreviverá à revolta dos deputados tories se por exemplo: comprando os votos do DUP ou conseguir que a City e as grandes empresas britânicas  desautorizem os seus críticos face ao eleitorado. Se não conseguir, o rascunho de acordo será recusado em Westminster e o Brexit duro, sem acordo, com o risco de guerra comercial, tornar-se-á automático no próximo dia 29 de março. Nas o mais certo de momento  é a Srª May ter que se demitir antes do voto parlamentar, em consequência da conspiração dos deputados conservadores pois eles gozam do direito de recorrer ao Comité de 1922 para exigirem uma moção de censura interna ao partido conservador. São precisos uns quinze deputados. Já há pedidos, mas ignoramos quantos. O processo partidário de demissão da Pindérica está em curso. Manda a lógica do poder que a senhora May seja demitida neste voto interno: se não a rejeitarem, os deputados tories estarão depor o futuro do Reino Unido nas mãos do minúsculo DUP e a confessarem que não têm o menor poder.

Em breve o saberemos. Em breve saberemos se a situação é apenas tragicómica ou é realmente dramática, se começou a destricotagem da pobre UE. Devemos propor uma solução de bom senso: havendo Brexit as nossas vendas a Inglaterra seguirão o regime vigente (de direitos aduaneiros e dee quotas), a título transitório, até que haja acordo sobre o Brexit . É isto o essencial, a assentar já na cimeira da UE a 26 do corrente mês de novembro. Alguns pormenores deverão ser adicionalmente regulados: qualquer das partes tem o direito de proibir a entrada de mercadorias produzidas pela outra, mas só por razões de saúde e de ordem pública. As razões de saúde devem ser justificadas e são passíveis de apresentação a um tribunal arbitral a constituir entre as partes. Este acordo transitório, mas sem termo fixo, entrará em vigor a 29 de março próximo, sejam quais forem as tropelias entretanto ocorridas entre Belfast, Dublin, Londres e o eixo Paris-Berlim.

Grandes investimentos: Proponhamos o Banco para aumentar o PIB

Exportações e importações em % do PIB: temos um longo caminho a andar

ExportImportt%doPIB

Fonte https://data,oecd,org/trade/trade-in-goods-and-services,htm

No auge da crise da balança de pagamentos portuguesa, falou-se muito num banco de investimentos. Parece mesmo que um modesto financiamento nos foi prometido a esse título.

O Plano Nacional de Investimentos 2021-2030 deve propiciar a concretização dessa promessa.

O banco de investimentos deve financiar o risco de projetos industriais e agrícolas privados que melhorem a posição do nosso país na divisão internacional do trabalho, aumentem a produção e o emprego, estagnados há quase duas décadas. SE houver projetos de pescas ou de serviços serão benvindos.

O Economista Português aprovou a ideia de uma ajuda europeia ao nosso financiamento industrial e agrícola mas criticou a ideia do banco, por implicar gastos gerais demasiado avultados e ser incompatível com a sua curta existência que para ele era prevista. Sugeriu, e sugere, que ele tomasse a forma de uma linha de crédito, gerida por um ou mais bancos, e orientada pelo Estado, depois de ouvidas as associações empresariais (AIP, CIP, CAP, CCP) e as centrais sindicais. Os estudos custo-benefício e de viabilidade económica seriam realizados em regime de outsourcing., e não por quadros técnicos próprios, inevitavelmente precários.

O «banco de investimentos» (chamemos-lhe banco) traria não só os fundos mas o conhecimento técnico para aumentar e requalificar a nossa produção de bens e serviços e assim substituir a prioridade dada pelos anteriores PNI à chamada «mobilidade», isto é, às rotundas e às auto-estradas desertas.

Sofremos de um problema grave de ausência de crescimento económico, O nosso país já está infra-estruturado demais. É suicida continuarmos a dar a prioridade dos grandes investimentos aos meios de transporte. Os ggrandes investimentos devem aumentar a produção e melhorar a nossa posição na divisão internacional do trabalho. No século XIX tal como hoje, tínhamos um problema de dívida pública insolúvel. Esse problema nascera de investimento excessivo nos caminhos de ferro, que não era acompanhado do crescimento económico que aumentasse a respetiva procura com tráfego de passageiros e de mercadorias. Fontes Pereira de Melo, o impulsionador de uma grande rede ferroviária, teria confessado no Parlamento: Se fosse possível aprovar uma lei obrigando todos os portugueses a andar de comboio uma vez por ano, o problema da dívida pública estaria resolvido. Só que não era possível aprovar tal lei.Em 1891 o nosso país entrou em bancarrota. Estamos a repetir o erro de Fontes: construímos as auto-estradas e as rotundas mas não produzimos as mercadorias que nelas deveriam circular, para as amortizar. Em breve deveremos ecoar a sua ridícula e dramática confissão: Se pudéssemos aprovar uma lei obrigando os portugueses a pagarem as portagens das auto-estradas, o problema da dívida pública estaria resolvido. Nas autoestradas do interior, as portagens serão pagas pelo Fisco, na conta cliente dos contribuintes em IRS.,

Grandes Investimentos: Sete Projetos novos Sete

Nos grandes investimentos, as fábricas produtivas devem substituir as rotundas inúteis (foto de Eduardo Gajeiro)

O Plano Nacional de Investimentos para 2021-2030 (PNI 30) deve ser elaborado em articulação com as empresas, as universidades e os sindicatos. Os anteriores planos de grandes investimentos foram produzidos sobretudo com os mestres de obras. E esqueceram os industriais, os universitários e os assalariados. Os três ramos das Forças Armadas (Marinha, Exército, Força Aérea) devem ser consultados, pois representam um elevado saber técnico. Os anteriores grandes investimentos favoreciam os transportes, o próximo deve priorizar o investimento na produção das mercadorias que hão de ser transportadas. O PNI 30 não pode esquecer que o PIB português está quase estacionário há uns vinte anos, desde que entrámos para o Euro. Aumentar o produto é um imperativo nacional.

Eis sete exemplos de investimentos novos e inovadores, que aumentam a produção portuguesa e a requalificam em termos de divisão internacional do trabalho:

  • Apoiar a EDP a desenvolver a produção marítima de energia eólica
  • Estimular a EDP, a desenvolver a produção de energia a partir das marés
  • Estimular a produção piscícola para fins alimentares na Zona Económica Exclusiva (ZEE), brilhantemente conquistada pela diplomacia do Dr. Jaime Gama (deverão ser usadas redes fixas e respeitados os equilíbrios ecológicos). A Marinha deve ser associada ao projeto desde o início, assim como de outro ângulo a Força Aérea.
  • Fomentar a articulação entre a Cuf-hospitais, o Instituto Superior Técnico (IST) e empresas metalomecânicas para produzirem equipamento hospitalar de qualidade internacional
  • Fomentar a associação de laboratórios farmacêuticos portugueses e da Fundação Champalimaud, assim como de outros centros de excelência portugueses na luta contra o cancro, públicos ou privados, para a produção de novos medicamentos contra aquela doença.
  • Constituir uma grande empresa/consórcio de exportação que imponha na Europa o maravilhoso espumante português e aumente a sua produção.
  • Reforçar as indústrias fabricantes de componentes para automóvel, de modo a densificar um dos nossos principais setores exportadores, o automóvel.

O leitor acabou de ler um exercício de btrain storming. Os industriais e economistas portugueses devem ser convidados a um semelhante trabalho de brain stormoing para o PNI 30. O mesmo se diga dos nossos diplomatas, em particular na União Europeia, que devem ser convidados a apresentar propostas que maximizem a probabilidade de substituir as rotundas inúteis ou prejudiciais por investimentos produtivos cofinanciados pelos nossos parceiros europeus – e quais são esses investimentos.

Claro que todos os items do PNI 30 devem ser submetidos a uma exame da sua TIR – Taxa Interna de Rendibilidade (sendo caso) e sempre a uma análise custo-benefício, criteriosa e não demagógica. Ambas devem ser publicadas, nos seus valores essenciais.

Os empreendimentos do PNI 30 devem ser conduzidos em cooperação com universidade portuguesas (e de outros países europeus) e com empresas europeias (mas não só).