Greve dos Motoristas: A Escalada Anunciada

As folhas concordam de um modo geral que a requisição civil foi cumprida. Mas o governo começa a perder a batalha da comunicação social. Por sua culpa, em primeiro lugar,. O noticiário nacional, na RTP às 20 horas, coordenado por José Rodrigues dos Santos, foi sério e informativo mas, do lado do Governo, apenas mostrou um ministro que aliás falava como se fosse diretor geral. Apenas conseguiu mostrar, era óbvio que a proteção civil se tinha esquecido que existem meios de comunicação social e não havia ninguém disponível para falar em nome do governo e já agora dos militares e das forças de segurança, tão ou mais perigosos do que os bombeiros. A SIC, às 21 horas 30 de ontem parecia a célebre reportagem do Bananas de Woody Allen. O pivot perguntou ao entrevistado, o Dr, Nicolau Santos, se o governo não teria falhado deliberadamente a mediação dos motoristas com a ANTRAM … para ganhar as eleições. Tudo o resto do noticiário com filmes de reportagem era a preparação para os próximos dias de erosão mediática do executivo: pobres motoristas torturados por automobilistas sedentos de gasolinas, pobres violadores da requisição civil em transe de serem vítimas de um governo prepotente e presumivelmente sádico, o país «meio parado», como dizia a pivot (que minutos antes nos mostrara que em quase todo o país a requisição civil correra bem).. A pivot (era um casal de pivots) acusava a ANTRAM DE de ter sido desmentida no caso dos hospitais (mas não foi, a senhora pivot não ouviu bem as declarações do representante da ANTRAM). O Jornal de Notícias eletrónico na noite de terça-feira não encontrou melhor motivo de abertura do que o seguinte:

Para esta folha, a notícia é a acusação de um sindicato unanimemente reconhecido como desrespeitador da sua própria palavra e fantasista sobre a dos outros. O JN esqueceu-se porém de ouvir a outra parte. Hoje veremos se o governo se lembra que lhe compete informar sem manipular. Hoje veremos. O sibilino silêncio dos partidos da oposição também não deixa prever nada de bom,

Aceitando a requisição civil, os grevistas foram derrotados. Aliás já estão a mostrar nervoseira. Não admira. Com requisição civil e sem horas extraordinárias este mês ganharão menos e os motoristas com contas a pagar já estão a pensar na vida. A reação às sanções aos poucos que violaram a requisição civil mostram também alguma preocupação. O sindicato anuncia formas superiores de luta para o feriado de amanhã e afirmam poderem ficar em greve por um período indefinido. Never complain e sobretudo never explain. Talvez esteja aqui a solução do problema: os motoristas do Sindicato continuam a trabalhar indefinidamente e em requisição civil e as empresas da ANTRAM e outras contratam novos motoristas para os serviços que faltam. Como manifestação de boa vontade, o Ministério das Finanças continuará a autorizar que os motoristas do Sindicato recebam horas extraordinárias como ajudas de custo, evitando pagar impostos. Horas extraordinárias que o sindicato sugere que eles renunciam a praticar.

A vitória do governo foi muito exagerada: o Sindicato autorizou os grevistas a cumprirem oito horas de trabalho diário ao abrigo dos serviços mínimos e depois da requisição civil. Como os motoristas reivindicam este horário, a vitória governamental talvez seja um acordo secreto negociado com os grevistas a troco de uma certa moderação. Negociação implícita, claro.

Mas é o Sindicato quem fixa a duração do horário de trabalho na requisição civil? A lei diz que é o governo.

O governo fixara duas áreas prioritárias: o aeroporto de Lisboa e o Algarve. Ontem houve problemas em ambas. O Sindicato derrotou-o em ambas. O Sindicato diz baixinho ao governo: se quiser, derroto-te. Com jogo de cintura, não é em campo aberto. Talvez tenha razão.

A tática do governo é apostar na moderação e manter as bombas de gasolina razoavelmente abastecidas. Assim mantém a opinião pública, não hostiliza os seus parceiros proletários (que aliás o têm mordido mais do que a oposição) e mantém do seu lado o Presidente da República. Mas será que o governo se auto-intoxicou com a sua própria propaganda e vai de novo ser enganado pelo Dr. Pardal Rodrigues? Como o leitor sabe o Dr. António Costa, por portas e travessas, já deu ao Dr. Pardal Henriques aumentos salariais para 2020 de um valor bem superior à média nacional, além de mordomias várias. Esta greve é para discutir os salários dos camionistas em … 2021 e 2022. Porque, como dise um dirigente sindical dos motoristas, até lá não há mais eleições, só têm as de 6 de outubro próximo. Preparemo-nos para a escalada sindical. Será moderada, pois o Dr. Pardal precisa de um acordo e nada ganhará com uma clara derrota sindical-

Tudo leva a crer que a Assunção de Nossa Senhora será este ano marcada pela primeira escalada sindical e pelo aprofundar de um clima de destruição nacional. Como reagirá o governo? O Sr. Presidente da República mudará de atitude? A ANTRAM sairá do seu letargo?

Aguardemos pelo próximo episódio,

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Greve dos pesados: ganha quem triangular bem

Sines; camiões civis conduzidos por militares e protegidos por militares

Militares já começaram a conduzir camiões civis com combustíveis e o governo emitiu as primeiras portarias de requisição civil para enfrentar a greve dos camionistas decidida por alguns sindicatos (mas não os da GGTP). Os dados estão lançados. O governo tem condições para ganhar?

O governo ganhar significa que há sempre combustível nas bombas de gasolina ou os sindicatos anulam a greve. Para haver sempre gasolina nas bombas, mantendo-se a greve, é necessário que as forças militares e de segurança tenham capacidade logística e resiliência. Os sindicatos ganharem significa que o governo pressiona os patrões a cederem (como parece ter sucedido na anterior greve, que aliás permitiu a implantação do principal sindicato grevista), O governo só pressionar]a os patrões se a opinião pública a isso o o.

A resolução da greve depende pois desta triangulação: governo, sindicato grevista, eleitorado.

A requisição civil é como a bomba nuclear: só funciona como dissuasão., pois ninguém quer ocupar um território por ela devastado. Multar ou iniciar processos penais aos condutores grevistas é vistoso mas não coloca gasolina nas bombas nem nos aeroportos.Se a requisição civil não for acatada, o governo tem alguma carta a jogar?=

Significa isto que o governo tem uma tática para prazos curtos. O governo julga estar a negociar com a CGTP e não parece ter-se apercebido que enfrenta um sindicalismo bem diferente. Mas os grevistas também agiram a pensar numa vitória rápida. Que desta vez não tiveram. Quem perder a opinião pública, perderá a greve.

Logo ao fim do dia teremos uma primeira indicação: se a requisição civil não for respeitada, haverá grevistas despedidos? É esta a única sanção relevante, pois as outras são e aplicaçção duvidosa, dada a lentidão dos seus efeitos e a escala da greve.

Seja como for, o caso só será resolvido com uma remodelação da mão de obra do setor e dos respetivos sindicatos. Sem essa remodelação, entraremos no sistema de greves de repetição. Dito de outro modo: o governo não só tem que ganhar, tem que ganhar bem, isto é, tem que nos persuadir que não se repetirá o erro da sua primeira negociação com o sindicato grevista. . Se não, corre o risco de perder as eleições.

Motoristas violadores dos serviços mínimos: cessação legal dos contratos de trabalho

Os portugueses sofreriam muito se lhes prendessem os motoristas de pesados perigosos que violam os serviços mínimos

As folhas informam que o Sindicato dos Senhores Motoristas de Camiões os manda violar os serviços mínimos legalmente decretados para a greve deles. Mais informam as folhas que o Dr. António Costa, o Primeiro Ministro, se prepara para, em tal caso, promover a respetiva prisão.

O Dr. Costa teria razão: violando os serviços mínimos, os motoristas não só violariam a lei, mas incorreriam também no crime de assassinato de todos os que dependem da energia (doentes dos hospitais, doentes que necessitam de medicamentos com urgência). Seria um crime particularmente repugnante.

Mas, se a prisão desses putativos criminosos seria justa, seria taticamente desaconselhável. Os portugueses sofrem de bom coração e apiedar-se-iam dos motoristas coitadinhos., esquecendo os doentes que eles teriam assassinado e que aparecem menos na televisão. O governo deve promover processos penais aos motoristas que violarem a requisição civil nesta greve mas deve sobretudo declarar a cessação dos seus contratoas de trabalho. Deve aplicar-lhes medidas de segurança administrativa por porem a vida humana em risco no exercício da sua profissão

Porque o Sr. Pardal Henriques, já de Maseratti escondido, e os seus vinte e poucos apaniguados mascarados não se importam de matar doentes se assim aumentarem os seus já elevados vencimentos, farantidos por uma série de monopólios legais em cascata (carta de condução. sócios de sindicato, empregados de empresas da ANTRAM, etc).

Tudo leva a crer que a tática do Sr. Pardal é forçaer a requisição civil +ara a violar, transformando os algozes em vítimas. Ainda há dias vimos na televisão um sindicalista da GNR recusando transportar medicamentos + para salvar doentes e declarando-se espontaneamente pronto a prender os grevistas, por ser essa uma função da GNR. Esta ideia terá ocorrido ao cidadão sem concertação prévia? Se a GNR fosse os seus sindicalistas, estávamos aviiados. Pobre GNR que tem que os aturar ainda mais doo que nós.

A greve é a lei suprema no nosso país >>> >>> Como mudar a situação

Episódio da greve de camionistas

A greve é a suprema lei entre nós. Se os enfermeiros querem entrar em greve, os mass media e a classe dirigente logo reconhecem que isso não aumenta a mortalidade. Se os motoristas de pesados querem entrar em greve, boicotando farmácias, casas de saúde, portos, visões e os meios de comunicação social louvam o exercício desse direito. Entre nós, o direito à greve está acima do direito à vida do leitor e do direito à segurança nacional-

É certo que o presente governo começou a opor alguma resistência, o que deve ser louvado. O ministro da Economia sugeriu que se mudasse a lei da greve e o ministro da Defesa afirmou que as Forças Armadas tinham motoristas suficientes para substituir os previsíveis grevistas. Mas infelizmente estas posições não são convincentes. A Assembleia da República está fechada e não aprovará lei alguma – além de ninguém acreditar que o PS afronte os seus aliados PCP e Bloco de Esquerda que evidentemente não aceitarão tocar na lei da greve. O ministro da Defesa, ao ameaçar, parecia pedir desculpa e por isso o seu bluff não chegará a Alcochete.

A nossa lei da greve entrou em desregulação social. O sintoma mais evidente disso é o manager milionário da greve dos camionistas de matérias ditas perigosas.

Há dois modos de a regular. O primeiro é o processo legislativo, tal como sugerido pelo advogado Siza Vieira. As greves que ponham em risco a vida humana ou a segurança nacional serão extremamente dificultadas. O mesmo se dirá para as greves de assalariados de monopólios legais (comboios, portos, Transtejo e primas, Carris, metro), embora com diferente fundamentação filosófica: os chamados assalariados exercem na realidade um poder político. Terão ainda um terceiro regime as greves que prejudiquem a economia portuguesa. Mas esta via adia a solução para as calendas gregas.

O segundo processo é jurisdicional. A nossa Constituição já estabelece uma hierarquia de bens jurídicos. Assim, a vida humana é um bem constitucionalmente superior ao bem-estar económico dos motoristas de pesados. Os sindicatos ficarão descontentes com as medidas necessárias para impor a aplicação deste princípio. Pois recorrerão aos tribunais e acabarão derrotados devido a este princípio da pirâmide normativa. É um caminho de aplicação imediata. Para cumprir este ponto da Constituição, basta um pouco de vontade política e, porque não dizê-lo, de coragem política.

Como aquelas duas mercadorias não abundam no mercado, sai mais barato baratinar o Zé contribuinte e eleitor. Convencendo-o, por exemplo, que resolve o problema da greve se atestar de gasolina o depósito do carro ou, melhor ainda, se não andar de carro. Estas duas soluções foram-nos já explicadas por dois ministros, o que sugere uma curiosa divisão no governo: parte dele pretende resolver a greve com o humor non-sense e a outra parte tratando o Zé de tonto. Com efeito, depois de nos darem estas extraordinárias lições de condução automovel, nenhum deles desatou a rir a bandeiras despregadas. Nada disto é surpresa: Mancur Olson já tinha prevenido que um interesse concentrado (o de sindicatos poderosos) vence sempre um interesse difuso (o dos consumidores de mercadorias transportadas em camiões). Exceto se houver regulação do mercado. Exceto se houver governo.

Se a greve dos camionistas começar, ou se durar muito, convencer-nos-ão a ir a Paris de burro ou de veleiro – ou a pé, para cumprirmos as metas ecológicas da ridícula pregadora milenarista, a menina Greta Thurnberg.

Ursula von der Layen: Teutoburger Wald foi ultrapassado?

A nova presidente da Comissão Europeia é a terceira a contar da da esquerda

Se por acaso não tem presente a batalha de Teutoburger Wald, espere um segundo sff. A Srª Ursula von der Layen foi ontem eleita presidente da Comissão Europeia e essa vitória foi obtida com o apoio dos originais fundadores da atual União Europeia_ democrata-cristãos, socialistas e liberais (que na fundação da União Europeia eram tidos por representantes informais da franco-maçonaria). Vários deputados destes grupos parlamentares não votaram nela, mas os Morgados Joãozinhos das Perdizes dos nossos dias europeus arregimentaram os eleitores bastantes para que ela ganhasse à justinha, Que organização!

A loura Ursula von der Layen é uma aristocrata católica alemã do partido CDU e fidelíssima a Srª Merkel. Ursula é uma das mil virgens mártires de Colónia, Von introduz um nome da aristocracia alemã. Ela é a primeira aristocrata católica alemã a ser eleita para um cargo da União Europeia. No caso, o alemão é o fundamental: se o presidente da Comissão Europeia não fosse alemão, a União Europeia entrava em saldos para a semana.

O Economista Português dá parabéns de sogro ao Dr. António Costa que terá sido o primeiro socialista europeu a mandar votar na aristocrata alemã. Já não era sem tempo. Os populares portugueses parecem a quilómetros luz destes eventos para eles insignificantes. Os nossos populares europeus, como o leitor sabe, são o PSD e o CDS.

O Economista Português felicita a Srª Ursula von der der Layen por ter mendigado votos socialistas de blazer branco e saia de cor, deseja-lhe muitas intrigas, muitos êxitos e felicita-se por haver menos uma pindérica a invadir-lhe quotidianamente o monitor televisivo ou webiano.

Para lá dos acordos políticos e do blazer, a eleita será competente? O seu último cargo foi ministra da Defesa alemã. Foi uma catástrofe. Foi insultada pelos seus generais, que para tanto obtiveram apoio legal (trataram-na de incompetente). Quase destruiu o exército alemão. Há quem diga que a Europa fica melhor assim. Quase destruiu por deliberação ou por distração? Ursula dividiu a Alemanha. Unificará a Europa? Tomou posse discursando em inglês. o que é bom sinal.

E agora Teutoburger Wald. Para os romanos, nesta floresta da Saxónia se deu a primeira batalha entre germanos e romanos, entre oriente e ocidente. Melhor: os germanos começaram a batalha por combaterem entre si. O príncipe Arminio queria aliar-se aos romanos e o mano gémeo queria combatê-los. O leitor já percebeu quem ganhou. Arminio foi de Teutoburger Wald direto para a campa. Arminio era o alemão a favor da NATO (digamos assim, por força de expressão), A Srª von der Layen também é. Uns dois mil e tal anos depois. E foi apresentada pelos remotos herdeiros dos vencedores de Teutoburger Wald, os alemães inimigos do ocidente e partidários da aliança com os russos (aliança com os russos levados à arreata teutónica.

O Economista Português aconselha a Confederação das Indústrias Europeias a contratar como lobista uma ex-freira laica, de 77 anos de idade e óculos graduados para expor a boa doutrina socio-económica à Srª Von der Layen,

As Taxas Moderadoras são Boas para a Saúde

Sem taxas moderadoras, os hospitais acumularão funções de saúde e de diversão

Vai pelas televisões um grande alarido pois os dois principais partidos de extrema-esquerda julgam que ganham votos obrigando o PS a manter a taxa moderadora. Talvez ganhem, pois a opinião pública está mal informada

As taxas moderadoras são boas para a nossa saúde por três razões e mais uma (SNS):

  • Cada um de nós tem que trabalhar pela sua saúde: a taaxa moderadora é um mínimo que lembra a cada um que, apesar e por causa do sistema nacional de saúde. Ele ou ela têm que dar uma contribuição pessoal para a sua saúde;
  • Sem taxa moderadora, aumenta a probabilidade de falência do SNS: sem taxa moderadora, haverá que aumentar os impostos e se a geringonçça aumentar os impostos, aumenta a probabilidade de perder as eleições. E aumenta a probabilidade de aumentar a participação monetária dos utentes na manutteçnão do SNS. O valor das taxas é muito baixo mas nada obsta a que seja reduzida para os realmente pobres.
  • A taxa moderadora dirige os recursos para os verdadeiros doentes – sem taxa moderadora, o SNS é um recreio de reformados e de hipocondríacos em geral; aquela taxa reduz a entrada nos hospitais de pessoas saudáveis eu que sofrem de carências afetivas
  • Mas devermos pôr mais na carta. O nosso SNS foi fundado há maiis de quarenta anos. Nestas quatro décadas foram efetuadas numerosas descobertas médicas. Essas descobertas são em geral de aplicação dispendiosas. Outras, igualmente caras, estão no pipe-line. O nosso SNS está a ficar ao lado dos progressos da ciência médica, por falta de fundos e pela mentalidade antiquada dos seus dirigentes políticos e sindicais. Se o o SNS continuar a perder terreno técnico, os contribuintes com mais dinheiro e mais informação recusarão pagá-lo, por saberem que ele nada tem para lhes dar. Um SNS sempre à beira da falência e tecnologicamente atrasado dificilmente subsistirá. Será o adeus ao SNS e o regresso à lei da selva na saúde dos portugueses. Em resultado de uma política ignorante e demagógica, O Economista Português pede aos dirigentes do partidos de extrema-esquerda que substituam a demagogia miserabilista pelo estudo dos problemas da medicina atual e exorta no PS a não fasear as taxas moderadoras: pelo contrário, deve mantê-las e acrescentar uma nova taxa de modernização tecnológica da dos cuidados de saúde-

Robotização: Veja se o seu emprego sobrevive em 2029

O leitor já já dispõe de uma previsão sobre se o seu emprego estará vivo em 2029. Para daqui a dez anos, foi-nos prometido que o nosso país já não infetará o universo com dióxido de carbono. Seremos a terra do leite e do mel (com o açúcar autorizado por Bruxelas). Agora as más notícias: haverá empregos? Um site francês prevê que nesta próxima década a robotização destrua cerca de 30% dos postos de trabalho. Esse site é revolution-robot.fr, produzido por uma agência de empregos dirigida por Emeric Lebreton, um psicólogo doutorado, que por certo pretende vender serviços, como formação profissional e criação de empresas. Este site divulgou uma previsão de destruição de emprego gerada pela robotização (e a simétrica probabilidade de sobrevivência). A taxa é calculada profissão por profissão. Lebreton desagregou 240 métiers» e para cada um foi calculado um valor. Os trinta por cento de desempregados são referidos pelo diário parisiense Le Figaro e constam do site referido, mas sem indicação de fonte. Ignoramos como foram previstos, pois o site da empresa é omisso a esse respeito. Quando somamos todos os valores percentuais de emprego destruído por profissões, a média ronda os cinquenta por cento. Mas não os ponderámos pelo número de empregos por profissão, pelo que esta média não nos dá uma indicação segura sobre a quantidade de emprego previsionalmente destruído. O leitor encontra a no fim do presente artigo a lista do emprego que a robotização causará por profissão. Se a fórmula do Doutor Lebreton for boa, se o emprego do leitor constar da lista anexa e se os coeficientes franceses forem iguais aos nossos, consultando a dita lista o leitor saberá o que o espera no emprego daqui a dez anos. Anotemos que o Doutor Lebreton dá conselhos práticos, profissão por profissão.

A s designações das profissões foram traduzidas do francês sem a preocupação de as levar a corresponderem à nossa Classificação Nacional de Empregos.

As informações sobre a fórmula de cálculo são insuficientes e parcialmente contraditórias. O caráter penoso da profissão, a sua complexidade e o salário contam do artigo de Le Figaro e do site. Mas este acrescenta a «necessidade de relações humanas». Este último critério afigura-se misterioso e por isso insuscetível de operacionalização. O número de profissões (métiers) analisadas é pequeno, mas estão prometidos mais. A média e a media são iguais o que revela uma distribuição normal perfeita, uma campainha perfeitamente simétrica. Mas as distribuições normais perfeitas não abundam. E o leitor pensa no começo da Joana de Arc de G. B. Shaw, o célebre dramaturgo britânico: «é demasiado bom para ser verdadeiro». Talvez pense isso sem razão. Algumas profissões parecem repetidas no original francês, o que não tentámos corrigir. Talvez se trate de questões de nomenclatura (ou mesmo de traduç~ão).

Nenhuma profissão considerada desaparece mos próximos dez anos. Todas as profissões estudadas são afetadas pela robotização o que sugere que há um coeficiente de aumento da produtividade inerente à própria robotização e sem relação com a profissão. Ora custa a crer que, por exemplo, o pároco seja afetado pela generalização dos robots.

A profissão menos ameaçada segundo o Doutor Lebreton é agente artístico, seguida por padre (mais imã e guia espiritual), organizador de eventos e assistente social. À volta da média (e da mediana) estão o paisagista e o cirurgião. As cinco profissões mais ameaçadas são agente de limpeza, bibliotecário, fabricante de móveis, talhante e agente de desinfeção. As profissões tanto pertencem à elite social como à massa. Queira o leitor mais apressado ter em conta que a mesma profissão (ou o que parece ser a mesma profissão) conhece risco de destruição bem diferenciados: o advogado tem uma taxa de destruição de 42% e o advogado de empresa de 68%. Suponhamos que o advogado de empresa é o nosso licenciado em Direito assalariado de um escritório de advogados (além do tradicional contencioso). Talvez devesse começar a pensar reconverter-se em assistente social.

O Economista Português deseja-lhe um as continuação de boa leitura.

LISTA DE PROFISSÕES E RISCO DE DESTRUIÇÃO PELA ROBOTIZAÇÃO

POR ORDEM ALFABÉTICA

ProfissãoRisco de robotização %
Administrador de telecomunicações72
Advogado42
Advogado de empresa68
Agente artístico17
Agente da polícia34
Agente da polícia35
Agente de desinfecção81
Agente de limpeza80
Agente de manutenção de aviação67
Agente de Manutenção Ferroviária76
Agente de processamento de plásticos73
Agente de seguros65
Agente de Transporte Marítimo72
Agente imobiliário39
Agricultor74
Alfaiate38
Ama30
Analista Financeiro36
Antiquário29
Apresentador de TV28
Arquiteto29
Arquiteto de Sistemas de Informação48
Artista gráfico35
Assistente de veterinária37
Assistente de Contabilidade72
Assistente de Farmácia50
Assistente de vendas34
Assistente de/ bibliotecário 63
Assistente dentária37
Assistente Social25
Asssistente de agência funerária, necrotério e crematório70
Ator32
Atuário48
Auditor Interno40
Auxuliar de enfermagem51
Bancário44
Barista42
Bate-chapa70
Bibliotecário80
Biólogo54
Bioquímico54
Bombeiro67
Cabeleireiro39
Caixa73
Camaraman62
Canalizador65
Carpinteiro66
Carteiro73
Cirurgião52
Cobrador78
Comerciante de tabaco, bebidas, comida58
Comprador30
Condutor da máquinas63
Conselheiro de Carreira / orientação profissional34
Conselheiro de Educação33
Conselheiro Financeiro50
Conservador22
Consultor de Gestão de Ativos44
Contabilista62
Contabilista64
Controlador de tráfego aéreo54
Coreógrafo28
Corretor de banca e seguros40
Costureiro na máquina75
Cozinheiro59
Dançarina66
Dentista34
Desenvolvedor imobiliário34
Designer industrial43
Designer industrial64
Desportista profissional53
Diretor Administrativo e Financeiro34
Diretor da empresa de transporte e distribuição50
Diretor de Armazéns48
Diretor de Compras32
Diretor de Pesquisa e Desenvolvimento28
Diretor de Publicidade/Relações Públicas32
Diretor de Recursos Humanos40
Diretor do centro de recreação42
Dono de restaurante e bar43
Economista48
Educador de rua42
Educador desportivo41
Eletricista62
Embalsamador63
Empregado de cozinha63
Empregado de lavandaria72
Empregado de mesa49
Empregado de mesa49
Empregado de seguros62
Empresário floresral e de pescas68
Encarregado de Recrutamento44
Enfermeiro38
Engenheiro de controle de qualidade42
Engenheiro de Pesquisa e Desenvolvimento46
Engenheiro de Produção46
Engenheiro de Telecomunicações32
Engenheiro de vendas32
Engenheiro Eletricista42
Engenheiro informático58
Engenheiro mecânico62
Engenheiros de TV, vídeo e áudio34
Escritor49
Escrivão70
Estatístico48
Esteticista40
Estofador78
Estucador67
Fabricante de móveis80
Farmacêutico34
Físico58
Fisioterapeuta30
Florista51
Formador32
Fotógrafo35
Frramenteiro76
Funcionário de autarquia local59
Garagista44
Gerente de agência de viagens44
Gerente de cabeleireiro / salão de beleza42
Gerente de projeto informático42
Gerente de restaurante42
Gerente de vendas32
Gestor de Condomínio48
Gestor de Marketing60
Gestor de Meio Ambiente, Saúde e Segurança36
Gestor de Publicidade e Diretor Artístico40
Gestor de Qualidade44
Gestor de Recursos Humanos44
Gestor de serviços sociais32
Gestor imobiliário64
Guarda de condomínio51
Guarda prisional56
Guarda-freios74
Headh hunter»32
Horticultor60
Hospedeira do ar49
Hoteleiro37
Importador, exportador42
Impressor76
Inspetor de normas e regulamentos62
Inspetor Escolar28
Inspetor Fiscal66
Instrutor de condução38
Jardineiro61
Jornalista e editora de jornais-revistas29
Ladrilhador71
Ladrilhador77
Lavadora de carro75
Lavadora de janelas75
Maqueiro48
Maquinista de comboio74
Marceneiro65
Mecânica61
Médico28
Médicos especialistas30
Medidor68
Metalúrgico63
Monitor de oficina35
Motorista de “obras”52
Motorista de ambulância34
Motorista de autocarro69
Motorista de oesados73
Motorista de táxi52
Motorista de veículo«industrial»68
Músico36
Oculista54
Oficial de Marinha45
Oficial de segurança68
Oftalmologista32
Operador de Guindaste67
Operador de instalações de água e esgoto70
Operador de maquinaria agrícola79
Operário agrícola62
Operário da chapa metálica75
Operário da construção civil70
Operário de fábrica de processamento75
Operário florestal63
Organizador de Congressos e Exposições23
Organizador de montras61
Padeiro68
Padre. Imã, guia espiritual19
Paisagista51
Parteira34
Pedicuro36
Pedreiro, Operário de obras públicas70
Peixaria e “vendedor” de aves71
Pescador77
Pescador e ofícios de pesca67
Piloto de ar e engenheiro aeronáutico30
Pintor74
Porteiro70
Produtor de filmes26
Professor da escola38
Professor de ensino secundário42
Professor de Ensino Superior30
Professor do ensino básico39
Programador informático50
Psicólogo34
Psiquiatra36
Químico39
Radiologista38
Redator30
Realizador de filmes26
Recepcionista72
Reparador de instrumentos musicais56
Repositor63
Restaurador de obras de arte52
Secretário Jurídico62
Secretário Médica43
Soldador64
Talhante80
Técnico de Construção e Engenharia Civil65
Técnico de controle de qualidade60
Técnico de Engenharia Civil64
Técnico de folha de pagamento52
Técnico de impressão de jornais59
Técnico de laboratório64
Técnico de pintura de veículos64
Técnico de produção e planeamento70
Técnico de urbanismo66
Técnico de vidro e cerâmica68
Técnico em medicina e odontologia54
Técnico Farmacêutico60
Técnico informático41
Técnico Químico69
Teleoperador em call center57
Televendas / Telemarketing54
Telhador74
Terapeuta32
Terapeuta da fala29
Terapeuta ocupacional31
Tradutor52
Travel Advisor41
Treinador Desportivo32
Urbanista32
Vendedor «BtoB»44
Vendedor em mercados ao ar livre49
Veterinário27
Vidraceiro70
Web designer 60