Banca e Regulador Bancário: O Incesto

nudesfortedaverdade

Regulação prudencial da Banca: a «nudez forte» da verdade resiste ao «manto diáfano da fantasia», como ensinou Eça de Queiroz

Luís Costa Ferreira dirigiu o departamento de regulação ou supervisão prudencial do BdP (Banco de Portugal). Foi pessoalmente  responsável durante a crise do BES. A seu tempo saíu para a PwC, na elevada posição de «partner», empresa de boa parte da nossa banca de auditoria e do BdP quando Ferreira supervisionava. Foi substituído por Carlos Albuquerque, antigo funcionário de um banco por ele fiscalizado e, já experiente a protagonizar a fusão regulador/regulado, passa agora a administrador da CGD. Luís Costa Ferreira regressa ao mesmo cargo no BdP. Estes e outros factos pertinentes são relatados num estes factos são relatados num texto inteligente, competente  e corajoso de Bruno Faria Lopes

A regulação prudencial vela pela isenção deontológica dos gestores dos bancos, de modo a evitar as falências deles. Os contribuintes portugueses conhecem o êxito do BdP nestas funções.  Mas uma regulação em que os regulados são os reguladores não é regulação alguma. É um simples caso de moral hazard que se ensina nas Universidades portuguesas. Este «risco moral» ocorre quando alguém toma riscos excessivos por saber que outros pagam os custos. Os nossos reguladores da banca correm o risco de deixar falir os bancos pois pois sabem que não são eles quem paga mas simé o contribuinte.

O BdP impôs um período de transição a Albuquerque. Serão seis meses. Alguém acredita que o regulador mudará os seus processos em seis meses de modo a que o Albuquerque recauchutado os não conheça? Este período de fantasiado nojo não impedirá o novo regulador/regulado de levar com ele  o know how  do regulador para o regulado. É o aluno que conhece o questionário antes do exame e assim com mais facilidade engana o examinador. É o «manto diáfano da fantasia» a apontar pelo impudor a nudez forte da verdade: regulador e regulado não só pertencem ao mesmo segmento do mercado de emprego como são as mesmas pessoas fisicamente consideradas. Dada a pequenez do segmento, regulado e regulador são oriundos do mesmo meio social, o que acrescenta uma dimensão de incesto social à de incesto biológico da supervisão prudencial da nossa banca.

O Economista Português sabe que não há rapazes maus, pois não esqueceu a grande lição do Padre Américo.  Mas «quem parte e reparte e não fica com a melhor parte, ou é tolo ou não tem arte». Quem parte e reparte é o regulador.  A presunção de inocência pessoal vai de mãos dadas com a presunção de corrupção institucional. A verdade é simples: o poder do Estado, que nos obriga a aceitar a supervisão prudencial, serve apenas para manter a corrupção institucional. Como Faria Lopes refere, partidos políticos, sindicatos, mass media acham esta situação tão normal que quase nem a referem e muito menos a condenam. Quando chegar a ocasião e as instituições que felizmente nos regem, cheias da dignidade que sempre vestem nestas ocasiões,  mandarem o leitor pagar, os homens do «risco moral» não se queixarão.

*

O artigo de Bruno Faria Lopes está à disposição do disposição no link seguinte:

http://www.jornaldenegocios.pt/opiniao/colunistas/bruno-faria-lopes/detalhe/portas-giratorias-no-pais-da-impunidade?ref=HP_Destaqueopiniao4

Para saber um pouco mais sobre «moral hazard» http://economictimes.indiatimes.com/definition/moral-hazard

Imigração: o nosso Muro do México é o Mediterrâneo

mediterraneonaufragos

O Presidente Trump não precisaria de construir um muro se o Mediterrâneo separasse o México dos Estados Unidos. A UE não tem autoridade moral para criticar os Estados Unidos na questão dos imigrantes

O Economista Português ouviu a chancelarina Merkel criticar os Estados Unidos por não respeitarem os direitos humanos no campo da imigração, contrapondo-os à política da União Europeia (UE) face aos imigrantes. Anteontem era um obscuro ministro de um antigo país pesqueiro, há anos transformado em emirato nórdico do petróleo, que acusava os Estados Unidos de não estarem à altura dos «padrões» morais do emirato pós luterano. Os nórdicos rirem pouco, o ministrozinho boneco acusava sem se rir, o que dava à cena noticiosa uma irresistível e triste comicidade.

A política da UE face aos imigrantes é igual ou pior à do Presidente Trump. O muro de Trump chama-se Mediterrâneo e lá morrem todos o dias muitos candidatos à imigração ilegal para a UE porque a UE não imigração legal – criou a fantasia de só acolher refugiados políticos. A metáfora mediterrânica aplica-se tanto à imigração mexicana  (aliás mais económica do que demográfica) e à suspensação da imigração proveniente de oito países.

O Economista Português gostava de ver a Sr.^ª Merkel e o Sr. do emirato nórdico a contarem as suas larachas dos direitos humanos europeus  num mercado africano ou asiático. Veriam como eram corridos.  A Sr.ª Merkel aprendeu no comunismo alemão que o nazismo nunca tinha existido e, como o emir nórdico., atribuiu-se a boa consciência que os mass media do regime UE debitam todo o tempo. O nazismo não existiu, o colonialismo é uma invenção leninista. O próprio fato de ser possível esta intoxicação alemã mostra quão baixo caiu a opinião pública europeia.  Os bapas portugueses dão-lhes por cá entusiástica sequência, à esquerda e à direita  (Bapas = BAtedores de PAlmaS aos nossos queridos credores).

A UE apenas tem uma política securitária face à imigração. Depois que os italianos se recusaram causar um massacre naval no Mediterrâneo, a Alemanha decidiu à tardia imposição de cláusulas de retorno de imigrates aos países beneficiários de ajuda da UE e substituir a aliança com os Estados Unidos pela compra de dois vassalos disfarçados, A Turquia e Marrocos. Marrocos, mais decente do que os otomanos, substitui a Líbia (tenta substituir, veremos se consegue). Esta política lembra a de Roma, ao comprar as tribús invasoras mais dóceis, e durará pouco.  A UE esquece-se de promover o desenvolvimento económico nos países pobres, de onde vem a imigração, mitifica o conflito síroo (que ela própria alimentou) e olvida que os imigrantes, além de carteira, têm alma.

O Economista Português continua a defender uma política de colaboração  económica, social, política e militar entre a UE e os Estados do Sul, quer os de África, quer os da América. O Economista Português  defende  que a UE proponha um Plano Marshall para o Sul, para usar a expressão a que os mass media do regime lançam mão nos momentos da sua maior elevação espiritual. Devemos também propor-lhe uma NATO contra o terrorismo, islâmico e não só.  Talvez ainda vamos a tempo de evitar a guerra convencional na «ocidental praia lusitana». Mas a Srª Merkel prefere estender a UE ao Donetz, para experimentar na carne dos seus cidadãos se os carros de combate russos são tão resistentes como parecem. Ninguém na UE enfrenta a antiga comunista que hoje manipula o eleitorado alemão para evitar a derrota e sabe Deus que mnais  A França deixou de ser um país mas hoje é apenas uma designação geográfica. A Itália trata dos secos e molhados. Ninguém leva a sério a Espanha, ao que parece nem ela própria. O Reino Unido percebeu o saco de lacraus em que tinha caído e foi à vida, para ser ela a escolher as suas guerras. O resto da UE aspira ao elevado estatuto de Bapa ou prepara à socapa com o Presidente Trump uma saída rápida (a UE quer apresentar uma fatura alta a Londres para não ter que salgar a contribuição da Europa de Leste). Qual será o melhor caminho? Os nossos Bapas continuarão a apoiar o alargamento da UE para o Donetz e a esquecer o resto do mundo que (outr)os portugueses criaram?

Economia mundial: O Capitalismo de Mercado declara a Guerra ao Capitalismo de Estado

pactogermanosovieticoO

mapa atual do capitalismo de Estado lembra o da época do pacto germano-soviético (1939-1940)

Tentemos pensar o mundo de hoje, para lá dos insultos  dirigidos ao Sr. Trump. Procuremos alguma inteligibilidade  no espetáculo pré apocalíptico que as televisões nos dão da economia e da política mundiais.  Há uma luta pela economia mundial.  O cerne dessa luta é a definição das regras  básicas de funcionamento da economia.  Essa luta centra-se hoje entre um capitalismo de mercado e um capitalismo de Estado. O capitalismo de mercado reduz ao mínimo as regulamentações estatais da economia, minimiza o papel do Estado e da banca formal no financiamento, diz aos empresários para irem às bolsas (aos mercados) para obterem dos particulares os financiamentos de que necessitam. O capitalismo de Estado assenta em muitas regulamentações, impostos pesados, socialização estatal da instrução formal, dos cuidados de saúde e das pensões de reforma. O leitor já adivinhou: a eleição do Presidente Trump é a declaração de guerra do capitalismo de mercado ao capitalismo de Estado.

Este breve retrato permite compreender alguns movimentos do mundo de hoje.  Ele assenta como uma luva ao Brexit e à emergência do Sr. Trump: os anglo-saxónicos  preferem o capitalismo de mercado, o continente europeu escolhe, continua a escolher, o capitalismo de Estado. É curioso que esta opção engloba tanto os países da União Europeia como a Rússia. Esta comunhão é escondida pela propaganda contra a Rússia, que hoje domina o «politicamente correto» dos mass media oficiosos na Europa.

E no resto do mundo? A China realiza o sonho marxista da «economia socialista de mercado». Foi teorizada por homens como o polaco Oscar Lange (1904-1955) e praticado por Lenine na Rússia no breve período de Nova Economia Política (NEP), no começo dos anos 1920, quando foram toleradas as empresas privadas, mas  Staline rejeitou-o e impôs aos socialistas a economia centralizada e planificada, de comando único.  A China parece querer uma NEP que dure muito tempo,  mas sem prazo definido. Na realidade, sabemos pouco do que se passa no Império do Meio. A imagem que ele projeta é a de um capitalismo liberal, aparentemente de mercado. Será assim? Acabamos de ver o exército vermelho aliar-se aos sindicatos sínicos para proibir a autoritariamente a emigração dos camponeses chineses para as cidades, o que causava uma baixa permanente dos salários e por isso causava tensão social e desagradava aos sindicalistas. A China começou então a investir em países asiáticos de mão de obra barata, como o Vietname. Uma das consequências práticas desta política é o terem sido substituídos por nepaleses os empregados chineses do restaurante chinês em Lisboa favorito d’ O Economista Português. O modelo de mercado na economia e autocracia  na política parece submetido a constante desequilíbrio e por isso o provável é a China aproximar-se do modelo de capitalismo de Estado, vigente no resto do continente eurasiático, de Lisboa a Xangai, passando por Berlim e Moscovo. Se a procura externa cair brutalmente, Pequim talvez recaia  na economia de comando central.

Mal cabem no presente texto outro países e economias.  A Índia parece aproximar-se do capitalismo de mercado, enquanto o México, o Brasil, a Argentina, a África do Sul, a Nigéria, Angola hesitam entre ambos os modelos. O que fica escrito por memória.

É inesperado este regresso do capitalismo (de mercado) ao seu papel tradicional de motor da história. Mais facilmente suporíamos que a economia mundial seria atravessada pela união dos países ricos contra os pobres ou dos países capitalistas contra os socialistas. Ou à maneira de Samuel Huntington pela guerra das civilizações, com uma forte carga religiosa. Estas dimensões existem, ao lado e para lá da frieza mecânica da noção de capitalismo. Mas centrais na marcha do mundo são as duas modalidades de capitalismo: elas são inconciliáveis, pois o de Estado requer uma organização social dominando o indivíduo e o de mercado exige um indivíduo dominando a organização social.

O leitor repare que não tratamos de ideologias incarnadas em partidos ou Estados: nenhum partido defende o capitalismo de Estado, nenhum país se afirma como arauto do capitalismo de mercado. Analisamos  organizações sociais, hoje alheias à dinâmica das religiões seculares prevalecentes no século passado.

 

Globalização: os Papéis trocados da América de Trump e da Europa de Merkel

merkelepolicia

A chancelarina Merkel ataca os Estados Unidos(o primeiro ataque alemão a Washioington desde 1944) e mobiliza as suas forças de segurança para defender a Europa  das ameaças criadas ou aumentadas pela política de Berlim

A América é tradicionalmente o país do comércio livre e do capitalismo de mercado. A Alemanha é tradicionalmente o país protecionista e do capitalismo organizado. A América impulsionou a globalização, acelerando-a a partir dos anos 1990, depois da queda do comunismo russo.

Com a eleição de Donald Trump para Presidente dos Estados Unidos, estas posições parecem ter-se invertido:  a América desacelera a globalização para defender os seus postos de trabalho e combater o terrorismo ao passo que a Alemanha, acolitada por uma Europa docilizada, defende o aumento da imigração (em nome dos direitos do jhomem) e não quer desacelerar a imigração, ou pelo menos não diz que quer desacelerá-la. A Europa defende, ou parece defender, a globalização acelerada, no estilo da Billary Clinton.

Há porém uma grande diferença entre esta política americana e a europeia: a do Sr. Trump é sustentável. a da Srª Merkel é insustentável. O Sr. Trump já começou a criar emprego nos Estados Unidos. Quando Washington restringe a imigração, para onde vão os imigrantes rejeitados? Quando Washington restringe importações, para onde  vão as mercadorias assim privadas de mercado?

Imigrantes e mercadorias rejeitados tomarão o caminho da União Europeia da Srª Merkel.  Aumentarão o desemprego e a insegurança política. Facilitarão a vitória dos chamados «populismos», desestabilizarão a atual economia e política europeias. Agravarão as questões de política externa, nas quais a Europa, derrotada na Segunda Guerra Mundial está dependente dos vencedores dela, sejam eles os Estados Unidos (como até agora sucedeu), a Rússia ou a China (que o ex presidente Obama deixou adquiria a «second strike capability» a troco de coisa nenhuuma).  O Economista Português duvida  que a polícia municipal de Berlim seja suficiente para defender a Europa dos inimigos que contra ela a Srª Merkel continua a acicatar.

Os europeus continuam mesmo depois das eleições americanas  a dar uma forcinha para derrotar o Sr. Trump. Sonham que a sua vitória é reversível. Os espetadores das televisões transpirenaicas sabem que elas apostam na derrota do Presidente recém eleito. É apostar no golpe de Estado ou no golpe militar que exile o promotor imobiliário e político eleito. Mas os golpes de Estado e militares são uma especialidade europeia , tal como o pastel de Belém é uma especialidade lisboeta. Bom ou mau, o Sr. Trump veio para ficar. Talvez os europeus ganhassem em se reconciliar com o princípio da realidade. Por favor, senhores da Europa, não substituam o raciocínio e a esperança pelo insulto e o medo disfarçado.

O Défice a 2,3%

chapelada

O défice do Orçamento do Estado português desceu aos 2,3% e a Comissão de Bruxelas reconheceu-o. O Economista Português tira o chapéu a Doutor Mário Centemo, ministro das Finanças, responsável técnico do feito, e ao Dr. António Costa, responsável político.  Feito apenas simbólico? Feito mramente contabilístico contabilístico? Feito.

Desigualdade económica mundial: a Oxfam cai na Demagogia

oxfam

A Oxfam prefere empobrecer os ricos, desde que a desigualdade diminua, a enriquecer os pobres. se a desigualdade aumentar

Os ricos e os poderosos reúnem em Davos, Suíça, como de costume,e, como de costume, a Oxfam, a maior ONG britânica, assinala o encontro com a publicação de um relatório sobre a pobreza e a desigualdade no mundo.

Este ano a Oxfam anuncia que 62 pessoas são proprietárias de tanta riqueza como a metade mais pobre dos habitantes do planeta. À primeira vista os números são aterradores: 62 pessoas apenas são tão ricas como uns 3,5 biliões! O leitor estremece na cadeira e a sua má (ou boa) consciência morde-o.

Quando examinamos melhor aqueles valores, porém, dormimos descansados. Em primeiro lugar, a Oxfam escolheu como critério a propriedade. Mas o leitor nunca quis que os pobres deste mundo passassem a ser proprietários de um apartamento em Mayfair, ou mesmo nas Avenidas Novas. O leitor quer, sim, que os pobres passem a ganhar o suficiente para terem uma habitação decente, comerem o bastante, vestirem-se adequadamente ao clima e educarem os filhos.

A propriedade não é um critério de  pobreza  pois o relevante é o rendimento pessoal. Medir a variação da pobreza pela propriedade é medir as deficiências físicas estabelecendo Jogos Olímpicos únicos para os paraplégicos e para os atletas de alta competição. Estes correm mais e a diferença por certo aumenta todos os anos.

Acresce que a propriedade dos pobres é uma noção contraditória: os pobres, por o serem, não possuem propriedades, no sentido normal do termo. Herman de Soto popularizou a noção da propriedade dos pobres,  mas é um desvio semântico: chamou propriedade ao que os pobres usam e é desprovido de valor de mercado.

Se para medir a desigualdade a Oxfam recorresse ao critério do rendimento, já não teria a possibilidade de apresentar números demagógicos, como os 62 donos do planeta. E teria que reconhecer que a situação dos pobres melhorou, pelo menos em valores absolutos. Aliás reconhece: uma frase perdida e encapuçada no relatório daquela ONG, informa envergonhadamente que no último quarto de século o número de pessoas vivendo em «pobreza extrema» diminuiu para metade e que no mesmo período o rendimento dos dez por cento mais pobres cresceu.

Vejamos as fontes daquela extraordinária  afirmação da Oxfam sobre os 62 donos de meio mundo. Verificamos que elas não oferecem a menor credibilidade. A propriedade dos 62 ricos é tirada da Forbes, a conhecida revista dos Estados Unidos, que dá a lista das pessoas mais ricas do mundo (mas deixa de fora uns 50 países, sobretudo pequenos e pobres). E a propriedade dos pobres? Parece ter sido tirada do Crédit Suisse, um banco helvético. Onde foi ele buscá-la? 160 países (a ONU tem uns 200) não publicam dados sobre a distribuição da propriedade. Qual a fonte para eles? É o espírito imaginativo da Oxfam, associada ao Crédit Suisse. O anexo metodológico da Oxfam omite quase todos os problemas e seria chumbado em qualquer prova de mestrado de qualquer universidade decente.

Em resumo.  Sobre a desigualdade a filosofia social discute dois problemas

  • Interessa mais a desigualdade absoluta ou a relativa? A desigualdade absoluta é o número de dólares que cada cidadão gasta; a relativa é é a relação entre  as disponibilidades dos mais ricos e as dos mais pobres. O comunismo prefere a pobreza acompanhada de mais igualdade (o «socialismo da miséria»), as sociedades livres preferem o aumento da riqueza dos mais pobres, ainda que acompanhado de mais desigualdade – e os reformadores sociais acompanham essa desigualdade com programas que incrementam a igualdade de oportunidades (bolsas de estudo, ensino permanente, segurança social para a saúde e as reformas). No sentido da desigualdade relativa, é verdadeira a frase de Cristo: «Pobres sempre os tereis no meio de vós». Mas a desigualdade  relativa nada nos diz sobre a pobreza material dos pobres.
  • Como medir a desigualdade económica? Comparando Propriedades ou rendimentos? Ninguém dúvida da licitude de medir a desigualdade na distribuição das propriedades, mas, para sabermos da variação substantiva da pobre, não há ninguém que bom senso que prefira o critério da propriedade.

A Oxfam baratinou os dois critérios e à socapa escolheu o mais estúpido. Sem fair play deu a entender ao leitor apressado que os tais 62 maiores proprietários dispunham do mesmo rendimento que a metade mais pobre da humanidade. Há muitas opiniões decentes sobre o grau de desigualdade e o modo de medir a pobreza, mas a Oxfam não adotou nenhuma delas.É pena que a Oxfam, outrora um organismo sério, destrua a sua credibilidade com relatórios deste género.

*

Para descarregar o relatório da Oxfam e deliciar-se nomeadamente com a cegueira do seu extraordinário «anexo metodológico, vá a

https://www.oxfam.org/en/research/economy-1

Inovação: o Primeiro Ministro prefere-a aos baixos Salários e não revela como a conseguirá

 

industriascriativas

Fonte: http://www.nesta.org.uk/publications/creative-economy-employment-eu-and-uk-comparative-analysis (Para aumentar, clique na imagem)

«No mundo de hoje, num país europeu, esse fator de competitividade assenta, essencialmente, nos fatores associados à inovação. Não vale a pena termos a ilusão que numa estratégia assente em baixos salários nós conseguiremos ser competitivos». Estas palavras foram ditas terça feira passada pelo sr. Primeiro Ministro numa sessão na Católica, no âmbito do 21.º programa INOV Contacto.

Estas palavras do Dr. António Costa causam perplexidade. Os consultores  do nosso Primeiro Ministro não o informaram que não há liberdade de escolha entre inovação e baixos salários, subentendo-se que com a inovação os salários são altos e que bastaria declarar querer inovar para que a inovação ocorresse e as remunerações do trabalho encarecessem. Os  consultores  do nosso Primeiro Ministro também não o informaram que somos uma economia pouco inovadora.   Com efeito:

  • Este ano o nosso país perdeu uns oito pontos no Índice de Global de Competitividade, do World Economic Forum; pois descemos de 38 para 44.
  • Na classificação da inovação da Bloomberg (2016), surgimos em 29º lugar, atrás da Polónia, cotejando a República Checa e a Hungria. Isto é: em inovação estamos na cauda da Europa.
  • Somos o sétimo a contar do fim na proporção de trabalhadores em indústrias criativas (ver o gráfico de abertura do presente post, aliás já nosso conhecido). Sempre na cauda da Europa em matéria de inovação económica.

Sem termos em conta estas realidades, a frase do Sr. Primeiro Ministro é interpretável do seguinte modo: «subir os salários aumenta a produtividade». Vários defensores mais estremunhados do aumento do Salário Mínimo Obrigatório acima da produtividade têm aliás sustentado essa tese falsa e perigosa. Com efeito, numa economia fechada, esse aumento gera inflação a prazo; numa economia aberta como a nossa, determina falências ou despedimentos imediatos.

A inovação resulta de um complexo conjunto de fatores económicos e sociais mas ninguém hoje duvida que o Estado tem o o direito, e o dever,de a promover. O Economista Português ficaria mais tranquilo se o Sr. Primeiro Ministro reconhecesse o nosso atraso no campo da inovação e anunciasse medidas para estimular o seu crescimento:  concatenar os gastos do Estado em I&D (mais rigorosamente: em D, a aplicação económica das descobertas científicas) com as atividades produtoras, incentivar estas a investirem mais em inovação, formar melhor a mão de obra (um aspeto conexo com a investigação em que continuamos desgraçadamente na cauda da Europa).