Causas da Estagnação Económica: Centeno igual à CGTP

Competitividade

Destacado a encarnado: as responsabilidades do Ministro das Finanças e da CGTP na nossa falta de crescimento económico, segundo os empresários   Fonte:  The World Competitivity Report 2016-2017

Entre as causas que impedem o crescimento económico português, têm igual pesoa prático a trapalhada administrativa do Fisco, de que é responsável o Doutor Centeno, e as leis laborais restritivas, pelas quais responde a CGTP.  Esta é a opinião de empresários consultados numa sondagem encomendada na órbita do World Economic Fotum, Centeno ea CGTP entravam mais o nosso desenvolvimento económico do que a taxa dos impostos sobre as empresas.

Esta opinião é a dos empresários instalados no nosso pais. Instalado, isto é, a trabalharem, a empresariarem.  Há outras abordagem aos aos fatores que impedem o nosso crescimento económico. Hoje O Economista Português sintetiza a dos empresários. Os empresários decidem aumentar ou diminuir a produção, de acordo com as suas expetativas de venda a curto prazo, e decidem investir ou não, de acordo com as suas expetativas de venda a médio e longo prazo.  Num certo sentido,  deles depende o crescimento económico.

O gráfico acima resume as causas da nossa atual estagnação económica vistas pelos empresários.,

O gráfico mostra os pontos dados pelos empresários aos obstáculos aos obstáculos ao crescimento económico português (3mpresários portugueses e estrangeiros em Portugal). Quanto mais pontos, mais grave é o obstáculo.  Os fatores de estagnação imputáveis ao governo são pouco menos de metade do total: ineficiência da burocracia governamental, instabilidade das políticas, desempenho da administração fiscal e corrupção. Leu bem: corrupção.

Os fatores imputáveis ao governo seja ele qual for são superiores aos efeitos do IRC, o imposto sobre os lucros das empresas, que o atual governo aumentou (a chamada «geringonça» não  difere dos anteriores tanto como isso)-

Para aumentarmos o nosso crescimento económico, basta que o Governo se autocorrija.

Reembolso do FMI: o Doutor Centeno esquece o Mecanismo Europeu de Estabilidade. Porquê?

Usurarios

O Sr. Ministro das Finanças esquece o mercado e mantém os usrários dentro do templo

O doutor Mário Centeno, ministro das Finanças, resolveu prosseguir a política de reembolso antecipado da dívida ao Fundo Monetário Internacional (FMI),  pagando-lhe dez mil milhões de euros, cerca de um sexto do débito total.

Fonte do seu ministério justificou assim: «A taxa que estamos a pagar ao FMI é de 4,3%, quando hoje as taxas a dez anos, com uma maturidade muito maior, estão nos 3,1%»,

O argumento é exato e deve ser alargado ao Mecanismo Europeu de Estabilidade, a instituição da União Europeia titular dos créditos financeiros ao nosso país: pagamos-lhe mais de 0 % de juros anuais e financiamo-nos a taxas negativas no mercado de curto e médio prazo. A diferença é maior com o FMI medindo-a como o Doutor Centeno a mede, mas a medida dele não está certa, pois troca os prazos (o nosso juro é maior nos prazos grandes).

Que razão leva o Doutor Centeno a esquercer os nossos credores  europeus? O PS e o Bloco de Esquerda nomearam uma comissão de letras gordas que aprovou umas recomendações ineptas e ineficazes sobre a reestruturação da dívida, por ser refém da situação de há dois anos. Será que o Doutor Centeno erra por acreditar nessa comissão? Ou são os nossos credores europeus  que não o deixam poupar nos nossos juros?

A política do doutor Centeno é absurda. O Jornal de Negócios  titulava sem ironia: «

«Centeno dispensa condições mais vantajosas para pagar empréstimos  europeus»

Como o leitor sabe, em proporção do PIB, pagamos o dobro da Grécia, por uma dívida menor. O Doutor Centeno gaba-se do feito e, como não tem oposição,  beneficia da credibilidade. O Doutor Centeno gosta de pagar mais para evitar o contágio grego?  Só pode ter este argumento se ignorar que há mil maneiras de cozinhar bacalhau. O Doutor Centeno gosta de brincar aos ricos à custa do contribuinte.

Morreu a Austeridade? Viva a Austeridade, diz Bruxelas-Berlim

Austeridade

Amanhã, a Comissão de Bruxelas anunciará que tira Portugal do procedimento dos défices excessivos, ao abrigo do qual tem superiormente dirigido a política económica portuguesa, com uma ligeira colaboração do governo do Dr. António Costa.

A anunciada medida há muito teria sido tomada, se a Comissão não jogasse com dois pesos e duas medidas. Ela é uma simples formalidade.  desprovida do menor efeito prático. O Presidente da República sinalizou isso mesmo, quando disse que trocava a saída do procedimento dos défices excessivos pela melhoria do nosso rating, estranhamente imóvel, num mundo e num orçamento estatal em mudança.

A austeridade continua por outros processos jurídicos. A Comissão continuará a impor-nos os seus Diktate. Em breve saberemos o que nos espera. O leitor prepare-se para se rir dos habituais ilogismos bruxelino-berlinenses, e prepare-se para chorar por lhe apertarem de novo o cinto.  

Blanchard

Olivier Blanchard em Lisboa

Neste contexto, é interessante comentar as declarações de Olivier Blanchard, antigo economista chefe do Fundo Monetário Internacional  (FMI), sobre a nossa pertença ao Euro. Blanchard esteve a semana passada em Lisboa na conferência «Portugal, from here to where». Para ele, sairmos do Euro teria custos excessivos e a medida só deveria ser encarada se não conseguíssemos restaurar a nossa competitividade por outros meiosO Economista Português  só conhece as suas declarações por relatos da imprensa.

Tudo leva a crer que para Blanchard a nossa competividade é medida pela balança de pagamentos, provavelmente pela balança de transações correntes (mercadorias e serviços). É fora de dúvida que a nossa balança de pagamentos melhorou mas à custa do aumento do desemprego, da emigração e da violenta contração económica. Mal abrandou a austeridade, os resultados da nossa «competitividade» pioraram. Blanchard apoia-se numa vitória precária. Mas há pior: os seus critérios esquecem o emprego e o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), a medida mais comum de riqueza individual. Bom conhecedor da economia portuguesa, nosso amigo, Blanchard é levado pela lógica das suas premissas  a sustentar que tudo estará bem com a nossa economia, desde que o FMI não tenha maçadas connosco – mesmo que que caiamos na miséria. Afinal, o FMI não mudou. Será que a Comissão bruxelino-berlinense muda? Em breve veremos.

Marcelo inscreve o Crescimento Económico na Agenda Nacional

CrescimentoEconómico

Em visita à Croácia,  o Presidente da República descreveu aos deputados daquele país um cenário segundo o qual no ano corrente a nossa economia acelerará para cerca de 3,2% e o défice do estado descerá para 1,4% do Produto Interno Bruto (PIB), a principal medida da criação de riqueza.

Não é difícil imaginarmos cenários com esse crescimento económico: basta que o câmbio do Euro continue ao seu valor dos últimos tempos e que reforcemos a promoção turística capitalizando no receio do terrorismo e da desordem nos mercados de destino «sol & praia». Mais alguma medidas de apoio agrícola. E não aumentarmos o Salário Mínimo Obrigatório por Decreto, para deixarmos o comércio e a indústria transformadora respirarem.

Marcelo não proferiu uma previsão: recorreu ao método dos cenários, que já usara enquanto analista político. Agindo assim, lançou na agenda nacional a questão do nosso crescimento económico. Bem haja. Veremos se alguém lhe  pega na deixa. A começar pelo Governo.

Macron: Cuidado Portugueses!

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Macron: « A salvação da Europa é vender a pele do português e não  o orçamento de Eurozona»

O Sr. Macron cumpriu o Canossa dos Presidentes franceses e foi a Berlim ao beija mão da chanceler alemã. O Sr. Macron partiu para a capital teutónica depois de intoxicar a imprensa transpirenaica com um otimismo napoleónico: obrigaria a Srª Merkel a um orçamento para a Eutrozona, o qual investiria imenso e encheria os povos de esperança. Ora na Eurozona a França  é um pedinte de luxo, incapaz de equilibrar as contas.  Só não está com as nossas orelhas de burro financeiras  pois como escrevia o francês Pascal, «a verdade para cá dos Pirinéus é mentira do lado de lá».

A imprensa alemã tratava ontem o  Sr. Macron de «notre cher ami» , trocadilhando com o «cher» que, como o leitor sabe, significa em francês querido e caro. Acabou tudo em bem. O Sr. Mactron desistiu dos seus sonhos de grandeza orçamental, desistiu de  ficar com o dinheiro dos alemães e combinou com a chancelarina um acordo de alcance galático –  rever os tratados europeus, o que sempre foi uma possibilidade eterna. Daí logo desceu para o terrestre e pedestre, tipo  «bloqueio continental»: o regime dos trabalhadores temporário, dos «travaillaeurs détachés» na língua do mercantilista Colbert que continua a ser o papá espiritual dos economistas franceses, por liberais que se proclamem. Ora este regime é das poucas cláusulas que nesses extravagantes tratados permite a liberdade de circulação de assalariados portugueses para a França e a Alemanha. Para dar cobertura chauvinista à Srª Merkel e acalmar a CGTP lá do sítio, o Sr. Macron estreou-se na arena internacional a vender a pele do português.

Investigação & Desenvolvimento: O Dr. Costa esquece a Economia

 

PatentesNúmero

O Dr. António Costa declarou pretender dar até 2019 um contrato de trabalho a 5000 investigadores científicos, desde que bolseiros do Estado há mais de três anos, e aumentar até 2020 a despesa em Investigação e Desenvolvimento (I&D) entre 2,7% e 3,3% do Produto Interno Bruto (PIB). Sustentou que o défice de qualificações «é o principal bloqueio estrutural para um maior crescimento económico de Portugal». Afirmou ainda que a produção científica portuguesa tem aumentado. Estas declarações foram proferidas quinta-feira passada no encerramento da conferência «Sobre o futuro da ciência em Portugal», no Fórum Picoas.

Que pensar destas declarações?  Em primeiro lugar, as promessas são de grande dimensão.  Os cinco mil novos funcionários públicos correspondem ao número de doutorados em Portugal durante três a quatro anos, no período ao qual se aplica a prometida bondade. O aumento das despesas de I&D aponta no seu escalão superior para a duplicação dos valores recentes.

As promessas são verosímeis? A informação é incompleta. O Sr. Primeiro Ministro não informou se o número de bolseiros de investigação científica continuará estável e disso também depende a apreciação da medida. Não nos foi explicado como será e por quem será aumentada a despesa em I&D. Nem quantos euros irão para o I e quanto para o D. É aliás extraordinário que o Governo trate deste D sem a presença do Ministro da Economia ao qual ele compete, pois o D significa Desenvolvimento e este, se for usado em sentido rigoroso, exige a participação das  empresas. Curiosamente, naquele encontro, quem falou de economia foi o ministro da Ciência,  Doutor Manuel Heitor,  que defendeu a sensata mas esquecida tese que é preciso desenvolver no campo da I&D a cooperação entre o Estado e a empresa privada. As promessas exalam por isso o odor discreto da propaganda eleitoral. Aliás, como o leitor sabe, o PS, aproveitando neste campo a inexistência do PSD e do CDS, sacraliza a despesas em I&D e a apresentar-se como seu paladino.

As promessas serão boas para a economia portuguesa? Depende da comparação. Será melhor enriquecer a nossa função pública com mais doutorados do que construir mais rotundas  desertas e polivalentes sempre fechados ou autoestradas sem trânsito.

Mas mais despesa em I&D, mais funcionários públicos doutores não significa só por si mais desenvolvimento económico. O Dr. Costa vai na boa direção quando aponta  a nossa falta de mão de obra qualificada como o « principal bloqueio estrutural » ao nosso crescimento económico. É um grande avanço face a outras declarações suas afirmando que estávamos em condições de crescer na base dos salários elevados. Mas, para usarmos a sua linguagem ramalhuda, é a falta de empresários e não a falta de doutores que nos bloqueia. A economia Quem diz empresários diz empresas.

O nosso PS reincide no seu erro tradicional neste campo: não distingue no I&D a investigação do desenvolvimento. Ora é o desenvolvimento, o D, que dá crescimento económico a curto e a médio prazo. Sobre esta última frase há toneladas de literatura económica, em geral concorde com a tese aqui sustentada. O Sr. Primeiro Ministro por certo foi aconselhado a medir o crescimento da nossa produção científica pelo número de artigos em revistas científicas mas ninguém lhe sugeriu o uso de um indicador da variação do número de marcas e patentes. Aqueles artigos são muito úteis para criar e manter emprego entre os doutores, mas não se relacionam com o crescimento económico a curto e médio prazo. Este relaciona-se, sim, com o índice de marcas e ou patentes, que permitem produzir melhor, ou aumentam os valores de mercado, e criam emprego não para os doutores mas para toda a gente. O gráfico acima, que publicamos pela segunda vez na esperança que ele tenha algum efeito, mostra bem o nosso atraso no campo do D.

Por fim, e sempre no campo do I&D o PS continua estatista: as empresas conservam a ter um papel menor na nossa produção de I&D, quando comparada com a dos nossos os nossos parceiros económicos mais avançados. Para mais, na última década essa produção de I&D revelou-se declinante, ainda que só ligeiramente.

CGD: As Ilusões Começam a Morrer em Almeida

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Militares da GNR para acalmar os protestos contra a CGD em Almeida

O governo e as instituições anunciaram o plano de salvação da CGD pelo IRS do leitor pois o Estado teria o seu banco, ao serviço dos portugueses. Um banco enxertado em Instituição de Solidariedade Social. A nova nova administração logo  fechou a  dependência de Almeida, uma localidade do interior. Os protestos foram imediatos.

O Dr. Paulo Macedo, novo responsável executivo da CGD e autor de uma obra notável no Serviço Nacional de Saúde, surpreendeu-se com os clamores públicos contra a CGD por causa de Almeida. Surpreendamo-nos nós com a sua surpresa: as desilusões provocam  uma reação emotiva e muitos portugueses sabem que estão a trabalhar para a CGD, sendo por isso previsível que se preocupem.

A fase neopatriótica da CGD começou com trapalhadas sobre o convite ao seu anterior chefe executivo, trapalhadas pouco dignificantes e ainda por esclarecer. E continua por mau caminho. As dificuldades não acabarão por aqui: a renacionalização da CGD revela que boa parte da nossa classe política não compreende o que significa a globalização para as finanças portuguesas.

Se o leitor quiser aprofundar o tema, queira ler a página que lhe é consagrada,  como é indicado a seguir. Queira clicar no topo da página, na zona equivalente à assinalada a encarnado.

CGDLembrete