Brexit: Portugal será o Peru que vota o Natal?

O nosso país será dos mais prejudicados da União Europeia (UE) pela saída da Inglaterra: receberemos menos fundos, os nossos emigrantes terão menos direitos e as nossas exportações terão menos condições. O nosso governo (e as nossas oposições= esqueceram-se de contabilizar esses prejuízos. Ou esqueceram-se de revelar o que contabilizaram.

Ontem o governo britânico anunciou que a chancelarina Merkel exige que a Irlanda do Norte integre a «união aduaneira». Londres não aceitou. A união aduaneira (Zollverein) é o essencial da UE. E talvez por acaso foi o cerne da unificação alemã no século XIX. Ora a Irlanda do Norte é parte integrante de um estado-membro. Berlim propõe-se portanto dissolver um Estado-membro. É má ideia: lembrará ao Sr. Putin está no seu direito de dizer a Berlim que concluirá o acordo x desde que não se aplique à Alemanha Ocidental. Afinal, a Alemanha e a Rússia são os dois membros da OSCE. A Organização de Segurança e Cooperação Europeia.

O veto da chancelarina Merkel será exagero de Boris Johnson? Será bluff alemão, para se desfazer da pressão franco-irlandesa contra Londre e assim salvar do Brexit as economias bálticas? Em breve saberemos

Portugal tem um argumento de peso europeu para defender os seus interesses vitais na próxima cimeira europeia consagrada ao Brexit. Defenderemos os nossos interesses, impedindo um Brexit que nos prejudica acima da média ou seremos o peru que vota o Natal?

Já não temos Índia mas a farsa de Inês Pereira continuará a ser atual.

>>> A propósito do perú que vota o Natal europeu: queira o leitor ler o artigo seguinte

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Bruxelas: Elisa Ferreira prejudica o nosso País?

Elisa Ferreira foi indicada pelo nosso governo para comissária europeia. Todos sabem que na lei os comissários são europeus e esquecem o seu país de origem mas na realidade são agentes do seu país de origem e colocam a União Europeia em segundo lugar. Ora Elisa Ferreira foi inicialmente reprovada pelo Parlamento Europeu por conflito de interesses com o seu marido, que ao que parece tem um papel de direção na Comissão Regional do Norte. Elisa Ferreira resolveu o problema: renunciou a pronunciar-se sobre os casos em que haja conflitos de interesse,. Ignoramos os termos cxatos do acordo, mas supomos que, para conquistar esse posto, Elisa Ferreira renunciou a comentar pelo menos esses casos. O que afeta «indiretamente» o marido inclui por exemplos a verbas comunitárias para Lisboa e Valeto Tejo? E para o Alentejo? E as que se dirigem a todo o país? Elisa Ferreira agiu por si ou teve o consentimento do Sr. Primeiro Ministro?

Será verdade? Se for, Elisa Ferreira inibe-se de prestar ao seu país o serviço que normalmente lhe devia. Foi nomeada para um cargo político, ficou com um tacho. Passada a campanha eleitoral, esperemos pelo esclarecimento oficial

Fonte da ilustração inicial

https://ionline.sapo.pt/artigo/673053/-elisa-ferreira-ira-abster-se-em-decisoes-que-envolvam-direta-ou-indiretamente-o-marido?seccao=Portugal_i

Portugal 6 de Outubro: a Corrupção já ganhou as Eleições

Basta olhar para o mapa mundo para ver a nossa excelente pontuação no campo da corrupção: estamos quase em África (Fonte. Transparency, 2013

As eleições são sempre o momento do exame de consciência do país. O Economista Português tem examinado algumas das grandes questões que condicionam o nosso futuro como sociedade organizada e autónoma. A corrupção é uma delas. A corrupção alta impede o acesso à primeira liga dos países desenvolvidos. País corrupto é pária. Não recebe investimentos direto estrangeiro e está sempre sob suspeita em todos os negócios e debates. Ora Portugal é um país corrupto no escalão União Europeia e no escalão NATO. De acordo com o índice de perceção da corrupção mais aceite internacionalmente, o da Transparency, somos o trigéimos país em honestidade pública. Há 29 paíseses menos corruptos do que o nosso.

Mesmo antes de sabermos quemganhará as eleições do próximo domingo, sabemos que a corrupção vai continuar como antes. Porque as mesmas causas produzem os mesmos efeitos. Os partidos de Governo, o PSD, o PS, o Bloco de Esquerda e o PCP, continuam a defender que o único modo de combater a corrupção é através do Ministério Público. É este o caminho que tem sido seguido. Sabemos que não conduz a nada. Basta ver o número das condenações judiciais por corrupção. É irrisório, O que aumenta são as suspeitas de corrupção. Mas estas suspeitas são um veneno social que continua sem antídoto. O recurso exclusivo ao Ministério Pública transforma a suspeita de corrupção em vitória do corrupto, pois ele sabe que estatisticamente não será condenado. Tem razão.Por isso a nossa posição no índice internacional da corrupção tem vindo a piorar.

Se o leitor quiser realizar umas pequenas obras na sua casa e a Câmara lhe exigir à socapa uma luvas para demorar menos de dez anos a despachar-lhe a marquise, e o leitor denunciar o caso à polícia, uma de duas: ou dá provas e é acusado de corrupção ativa; ou não dá provas e é acusado do crime de difamação da honrad~issima Câmara. Por isso o leitor não denuncia, paga e não bufa ou fica sem a obra.

É que o leitor, ao ser abordado pelo funcionário público, passa logo a ser suspeito de corrupção ativa. Corrupção ativa é dar dinheiro a um funcionário público para pbter dele uma decisão favorável. A lei trata de corrupção passiva a receção dessas luvas pelo funcionário ou pelo político. A própria designação legal favorece a corrupção: corrupção passiva é sempre secundária face à ativa, E a corrupção ativa é a única que a nossa lei considera realmente corrupção. Por isso a nossa lei qualifica o privado de corrupto e o político de inocente. Por isso, sob o titulo de combate à corrupção, o nosso país criou um excelente mecanismo de proteção dos corruptos: para serem branqueados (e ficarem com o produto do crime) basta-lhes ouvirem algumas acusações na imprensa, nas redes sociais e talvez na televisão.

Responsabilizar exclusivamente o Ministério Público pelo combate à corrupção é bom para multiplicar acusações mas é mau para fazer prova em tribunal. Os partidos de governo preferem ignorar esta realidade. Mas a opinião pública começa a dar sinais de cansaço perante a ineficácia do combate à corrupção. E surgem novas propostas: o CDS propõe o sistema do «arrependido», o Nós Cidadãos quer premiar o delator e o PAN defende também algo nesta linha.

Não entraremos na análise pormenorizada destas propostas, que seria técnico e longo. Limitamo-nos a assegurar que elas vão no bom sentido. Neste preciso momento, o primeiro-ministro de Israel, popularmente conhecido por Bibi, está a ser acusado de corrupção devido a um processo deste tipo. A única forma de combater eficazmente a corrupção é o sistema criado nos Estados Unidos : qualquer acusado tem o direito de propor ao acusador um acordo em que, a troco de fazer prova do crime (de corrupção mas não só) , o iliba total ou parcialmente de ser condenado. O cidadão americano tem a garantia que, se for denunciar um crime, não sai da esquadra acusado de outro crime. Naquele país a polícia ajuda a condenar o verdadeiro criminoso.

Já sabemos que a lei continuará a proteger a corrupção e os corruptos. Na elegante expressão do Conde de Ficalho, no próximo domingo a luta contra a corrupção terá mais «uma eleição perdida».

O Futuro de Portugal > O Euro em Câmbio alto condena-nos à Estagnação

O Euro tem tido um câmbio alto em relação ao dólar. Com este câmbio a economia portuguesa está condenada à estagnação. O câmbio é o preço das outras moedas na nossa (e, para o estrangeiro, é o preço da nossa moeda na moeda deles). Quando o Euro foi fundado, e nos seus primeiros anos, o Euro acompanhava o dólar. Não era o ideal para a nossa economia mas era uma situação gerível. A alta do Euro asfixia-nos.

O tema esteve ausente da campanha eleitoral. Os partidos concorrentes julgam que não dá votos. Os nossos economistas não estudaram moeda e marginalizam o efeito dela no que pomposamente tratam de «economia real». A questão é fácil de compreender. O euro foi uma revalorização brutal da moeda da nossa economia. A revalorização estimula as importações, que ficam mais baratas, e penaliza as exportações que ficam mais caras. Na passagem para a revalorização, a poupança é destruída. A revalorização desaconselha o aumento da imigração indiferenciada, pois estes imigrantes não se inserem em cadeias de maior valor acrescentado. A imigração favorece a redistribuição de rendimentos, abençoada pelo PCP, pelo Bloco de Esquerda, pelo Livre, pelo PAN e provavelmente pelo PSD e pelo CDS. É o que se passa connosco. A geringonça manteve e até melhorou (insuficientemente) o equilíbrio orçamental mas, ao aumentar os rendimentos, já mandou para o défice a nossa balança comercial e de pagamentos correntes.

Para lá dos efeitos económicos, que são pesados, a revalorização terá fortes efeitos morais sobre os portugueses: em breve, seremos o país mais pobre da União Europeia em termos de rendimento por habitante. O PS tem sublinhado que o nosso PIB está a crescer acima da média europeia. É verdade. O PSD tem valorizado o crescimento das economias do leste europeu, a remeterem-nos para uma posição relativa que piora todos os anos. A afirmação é exata.

O Economista Português suspeita que nessas economias de leste o sistema de preços pós comunista mimetizou o alemão e colocou muito alto o valor de venda das mercadorias locais. O que faz essas economias parecer mais ricas do que são. Mas favorece-as em termos de crescimento, pois a paridade do euro face ao dólar é adequada à economia alemã.

O leitor dirá O Economista Português tem razão nesse ponto do euro a câmbio alto, mas nada podemos fazer.

Podemos fazer muito:

  • Alarmo-nos aos países do sul do Euro que, todos eles,, beneficiarão com um câmbio do Euro próximo do dólar – incluindo a volúvel Itália;
  • Pedimos uma compensação a Bruxelas pois o nosso país foi pressionado pela Alemanha a entrar no Euro com um câmbio artificialmente alto.

No tempo do Dr. Salazar, rivalizávamos com a Turquia para sermos o país mais pobre da OCDE, O nosso regime democrático em breve estará na cauda da UE. O que terá um péssimo efeito sobre o moral dos portugueses.

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A estagnação da economia portuguesa por virtude do Euro caro era previsível e foi prevista. Se quiser ler mais, clique acima em Os Riscos do Euro

Portugal 20-30 >>> Ciência: propostas para a tirar do esquecimento e ligá-la à nossa economia

SETEMBRO 29, 2019

Quem se ocupa com o futuro do nosso país, sabe que é preciso aumentar a produtividade económica. A aplicação da ciência à produção é um dos principais caminhos a trilhar. O nosso atraso nesse terreno é considerável. A primeira universidade portuguesa no ranking de Xangai tem mais de 150 concorrentes à sua frente. A universidade simboliza bem a ciência. Noutros campos estamos bem melhor: medido o turismo pela capacidade de absorção (número de habitantes/ número de turistas), somos por certo o quinto país do mundo. Esta comparação ciência & turismo é aproximativa (no turismo comparamos países na ciência universidades) mas é sugestiva e fornece uma indica;#ao geral./

A ciência tem estado curiosamente ausente da campanha eleitoral. O Economista Português permite-se por isso três sugestões para a política de ciência do nosso país.

1ª A investigação aplicada (o D do I&D) só será apoiada financeiramente pelo Estado quando a universidade ou o centro de investigação estiver para o efeito associado a uma empresa produtiva: agrícola, industrial, de pesca, de transportes marítimos, etc. Significa isto que o Estado tem que passar a distinguir a investigação (a ciência, a ciência pura, a teoria) do desenvolvimento, da ciência aplicada, da tecnologia. Em rigor, esta regra só se aplica às ciências da matéria e da vida, assim como às engenharias bem como a numerosas ciências sociais (economia, sociologia). Vê-se se mal que por exemplo o historiador, o literato, o linguista, o filósofo ou o teólogo encontrm uma empresa interessada nas suas pesquisas. A Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), o grande instrumento do Governo nesta área, esquece esta distinção básica. Deve ser imediatamente dissolvida e substituída por dois organismos públicos: um para a investigação pura (com uma secção para as humanidades); outro para a aplicada e neste participarão, além dos académicos, as grandes empresas e as associações empresariais.

2º A FCT distribui os seus apoios à investigação sobretudo em função do critério da número de artigos académicos publicados em revistas indexadas. Mas não apoia a fundação de revistas científicas, nem leva a sério as existentes. Vejamos um só exemplo. Na atual distribuição de fundos (que obedece a critérios estruturalmente errados, ameaça tirar o subsídio ao Centro de Estudos de História Religiosa da UCP, que edita uma das poucas revistas portuguesas de reputação internacional. Ora a aceitação de artigos em revistas académicas é muito o processo do «coça-me as minhas costas e eu coço-te as tuas». Como temos um número insignificante de revistas científicas, os nossos investigadores partem desvantagem para publicar lá fora. Só a FCT, não vê isto pois é uma central administrativa de distribuição de fundos.

3º Os centros de investigação devem ser financiados em função da sua participação em projetos, de acordo com critérios claros, e não pelo número de empregados que sustentam. Há uma diferença entre o Fundo de Desemprego e um Fundo científico. A FCT nem sempre se lembra desta distinção fundamental.

Estes pontos dependem apenas da nossa vontade. Há um quarto ponto que depende da nossa vontade e da dos outros. A União Europeia (UE) distribui os seus fundos para a ciência a grandes projetos que não estão ao alcance da modéstia das universidades e centros de investigação portugueses. O nosso governo deve procurar que a UE acomode a sua política de financiamento científico à dimensão dos Estados-membros.

Declaração de interesses – O Economista Português, autor do presente artigo, defendeu recentemente o Centro de Estudos de História Religiosa da Universidade Católica Portuguesa (UCP) contra a FCT que tenta cortar o modesto subsídio àquele Centro. Escreveu artigos na imprensa, escreveu artigos em blogs, enviou cartas eletrónicas a alguns cidadãos apelando à consciência deles. Tudo e sempre a título pessoal. Parece haver aqui aqui um conflito de interesses com a FCT. Mas este aparente conflito é de ideias e não de interesses económicos ou sociais. O Economista Português agiu a título pessoal e nunca recebeu daquele Centro um centavo, nem em dinheiro nem em benesses avulsos. Nem recebeu nem espera receber. E também não precisa nem por certo precisará das esmolas científicas (por vezes avantajadas) da FCT. Por isso é livre para a criticar.

Portugal, Eleições, Alentejo: Contra a Desertificação, Só a Dessalinização

É este o Alentejo que queremos?

A falta de água está a desertificar o Alentejo dentro de poucos anos. O esvaziamento do da barragem do Alqueva e a crise da bacia do Guadiana são inequívocos. Para fornecer água ao Alentejo só há uma solução técnica: a dessalinização. O Economista Português ouviu domingo passado esta afirmação da boca de José Roquete, num colóquio sobre o nosso país promovido pelo Nós Cidadãos, um partido assente em associações de cidadãos que concorre às eleições legislativas. José Roquette é o empresário que lançou a herdade do Esporão e os seus conhecidos vinhos. os primeiros do Alentejo pós ocupação das terras. Ouvimos a sua tese sobre a dessalinização como via única para o iminente problema da falta de água no Alentejo da boca de eminentes especialistas de águas.

Como o leitor sabe, o transvase das águas do norte do Tejo não é possível para os sistemas hídricos a sul. Por isso, só a desalinização é a resposta possível. Tem custos para o ambiente mas eles serão de certeza inferiores aos custos sociais e ambientais da falta de água dessalinização é uma técnica comprovada. A Espanha, que enfrenta o mesmo problema do Alentejo, recorre a ela em grande escala.

O nosso país mantém-se inerme. A desasalinnização nãa figura no tão apregoado mas semiclandestino Plano Nacional de Investimentos 30-30. A falta de água no Alentejo não ocorre na campanha eleitoral. Os grandes partidos políticos estão hipnotizados pela ameaça de dilúvio que para eles ocorrerá por volta do ano 2100 e por isso esquecem a certeza da seca no Alentejo, Ou são os ecologistas que não os deixam? Ou é o lóbi do Alentejo que movimenta menos meios do que o lóbi do TGV?

Depois, queixem-se de os cidadãos julgarem que a classe política está de costas viradas para os portugueses. Esperem pelos cadáveres de vacas mortas de sede no Alentejo. O que até agora não preocupou nenhum político, nem mesmo os do PAN.

O Economista Português e as Eleições para S. Bento

O Economista Português continua a escrever apenas para pessoas que pensam pela sua cabeça e por isso não carecem de orientação de voto. Por isso também, os nossos leitores sabem distinguir o elogio (ou a crítica) de uma política de uma orientação de voto. Se não sabe distinguir, ou se be distinguir mas não gosta de distinguir, pedimos ao leitor que mude de blog-. Obrigado se continuar a ler O Economista Português