Orçamento para 2016: O Pai Natal estará sempre Connosco

A direita sonha realizar o ajustamento à custa das receitas do Estado. É a promessa agora concretizada pelo Partido Socialista e as esquerdas mais ou menos unidas Fonte: Cálculos d’ O Economista Português a partir de «5. Metas para a Despesa e Receita das Administrações Públicas» do documento orçamental referenciado no final do presente post.

 

Numa segunda leitura, o Orçamento de Estado para o corrente ano é pior do que parecia à primeira vista. O Economista Português escreveu sexta feira passada com base nos números dados pelo Sr. Ministro das Finanças e só depois teve aceso ao texto oficial «Esboço do Orçamento do Estado 2016» e ao parecer do Conselho de Finanças Públicas.

Completaremos aquelas observações com outras, a seguir resumidas:

  • O orçamento prevê o aumento das exportações devido ao crescimento das economias da União Europeia, que qualifica justamente de nossa principal cliente, mas ele próprio reconhece que a aceleração do crescimento do PIB da UE é de 1,9% em 2015 para 2% em 2016. Tanto barulho por causa de 0,1%, para mais um valor desatualizado?
  • O texto dedica-se a umas tentativas frustes para sugerir que afinal são as exportações o motor da sua tática económica, mas esta tese é tão contrária à realidade dos número que nem vale a pena rebatê-la;
  • O Orçamento prevê a redução da taxa de juro implícita da dívida de 3,8% para 3,6% mas, dias antes da sua publicação, a nossa taxa de juro já começara a subir sinal da desconfiança dos mercados face à atual situação política);
  • O orçamento prevê dar mais dinheiro aos portugueses e desacelerar as importações, sabendo que a oferta interna não estará em condições de satisfazer o aumento da procura monetarizada, sem aliás prever o aumento da poupança privada – o que equivale a acreditar que o Pai Natal estará connosco o ano inteiro; o CFP assinala este ponto;
  • O orçamento aposta no aumento da inflação para atenuar as dificuldades financeiras estatais mas, como também assinala o CFP, esta aceleração está por demonstrar, ao menos na escala prevista (esta face borbulhenta do orçamento é a má e sobre elas as manas Mortáguas, situacionistas estrénuas, já declararam não se pronunciar);
  • A produtividade aparente do trabalho aumentará 1,1% e o salário médio crescerá 2,1%. Quando anunciará o Dr. Costa a nova vaga de falências?

O rascunho do orçamento está disponível em

http://www.dinheirovivo.pt/wp-content/uploads/2016/01/draft-OE-2016.pdf

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